domingo, novembro 28, 2010

domingo, novembro 28, 2010

Tu

de repente não mais o corpo do outro
 era o teu corpo  moreno
  estampado nos meus olhos
 tatuado nos meus sentidos

 assim os meus sonhos vadiaram
 e foram  em busca de ti

  pois eu já nem sei a quem mais
 desejar
 nem sei  em que mais
 hei de pensar

 o que me dirá o teu corpo
 quando eu, enfim,
 o puder beijar,  dominar
 e  possuir?
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segunda-feira, novembro 15, 2010

segunda-feira, novembro 15, 2010

O tempo não cura

*Imagem: tela de  Francine Van Hove*


sou assim,  não tenho cura; as lembranças sempre  me atravessam e me dilaceram.

faz tanto tempo e eu nunca me esqueci...

foi na última hora de uma  madrugada de chuva e vento; eu o segurava  forte junto ao  peito e meu coração,  já sem rumo,  chorava tão alto, que ecoava naquele outro corpo, onde nada mais pulsava, onde só o silêncio imperava.

não tinha mais forças, não  sabia como lutar contra a determinação da ausência e me deixei ali ficar, estática, com a minha perda tatuada na alma.

não sei quem o tirou dali, quem o levou de mim, deixando este eterno  vazio  entre os  meus braços.

só sei que, desde então, eu nunca mais sorri por dentro.


(mas minto que sou feliz e minto tanto e  com tanta  veracidade, que até eu mesma, de vez em quando,  consigo acreditar  nessa tal  felicidade,  inventada só  da boca pra fora).


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