quinta-feira, outubro 23, 2008

quinta-feira, outubro 23, 2008

somos...

apenas
bocas e línguas
apenas
braços e pernas
apenas
pele com pele
apenas
prazer e gozo

coisa pouca
para o tanto
que nossos corpos
se querem ter
quando estamos nós
um dentro do outro.




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segunda-feira, outubro 20, 2008

segunda-feira, outubro 20, 2008

30 anos...


acordou com os barulhos da casa, risos, cochichos e com o cheiro de flores que se espalhava pelo ar;
na hora sentiu que aquele era um dia diferente, mas ainda sonolenta custou a se lembrar...

dezenove de outubro, dia do seu aniversário, seus 30 anos, desde sempre esperados, porque acreditava que com esta idade atingiria a maturidade plena e com ela a calmaria dos sentidos, o predomínio da razão sobre a emoção.

mas se sentia igual, nada parecia ter mudado. dentro dela ainda a menina misteriosa, crédula, sonhadora, romântica, capaz de tremer de paixão por alguém distante 1301 quilômetros.

fechou os olhos e numa fração de segundos recordou toda a sua vida:

os aniversários da infância, quando seu pai a colocava a cavalinho sobre os ombros para que não se escondesse debaixo da mesa, por timidez, na hora de soprar as velinhas do bolo; o seu melhor presente, o gnomo Lippy, que seu avô lhe trouxe da Irlanda e que esteve junto dela até que perdesse a inocência, quando então desapareceu para nunca mais voltar;

a primeira vez que sangrou, o seu primeiro baile, o primeiro namorado, o primeiro beijo, o seu casamento, a sua primeira noite de mulher;

das dores do parto, das dores por todos os seus mortos;

das vacas pastando para lá da colina cercadas pela liberdade dos rios sem cercas e dos cavalos selvagens que a procuravam com o olhar;

dos seus mil medos, dos mil prantos vertidos, dos anjos e demônios que sempre a rodearam e do seu fascínio por estes últimos, embora lhes virasse às costas e sorrisse para os anjos — abraçava a luz na vertical e lutava com as sombras à revelia.

da sua identificação com a mariposa e sua dança mortal atraída pela lâmpada, pelo fogo.

por todas essas lembranças foi penetrada, por todas se emocionou, por todas sorriu, por todas chorou...

nada havia mudado, ela era a mesma de antes, ainda que o espelho, com a sua verdade, insistisse em lhe gritar o contrário.

o jeito era enfrentar a sua festa, se encher de coragem, colocar no rosto seu melhor sorriso e apagar as 30 velinhas, já que todas as mesas haviam encolhido e nenhuma mais a escondia.

talvez quando completar 70 anos seu coração se aquiete, sua sensibilidade adormeça e ela possa, enfim, usufruir de eternos tempos de calmaria.



(agradecida de ♥ a todos que me presentearam com carinho e votos de felicidade pelos meus 30 anos de idade.)


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sexta-feira, outubro 17, 2008

sexta-feira, outubro 17, 2008

era uma vez...


era uma vez uma moça —nem cinderela, nem gata borralheira— uma moça comum, que tinha desistido do amor e sua vida se transformara num tédio de causar pena. seu coração, sem ter por quem pulsar, para quem se declarar, estava fraco, afônico, quase mudo. tentando sair daquele marasmo, ela resolveu passar parte da primavera e talvez o verão naquele país estranho, onde tudo parecia funcionar à base de trocas, onde ratos eram usados como barcos e se navegava não pelos mares, mas por páginas e palavras.

achou que nunca se adaptaria, não entendia a língua falada naquele lugar, nem conhecia suas regras, se é que havia alguma. não se imaginava fazendo parte daquele povo formado por artistas que se revezavam entre palcos e platéias.

resolveu fazer as malas para partir e foi nessa hora, quando se encontrava distraída, que ela o viu e não se sabe se por gozação do destino, se por aquele sorriso de canto de boca, se pelos músculos desenhados sob a pele morena cor de jambo, ela se apaixonou perdidamente por ele.

assustada, percebeu seu corpo invadido por sensações há muito esquecidas e por outras jamais sentidas, mas mesmo assim tentou não entrar em pânico, pois afinal era apenas mais um homem e como todos eles eram tão iguais, tão previsíveis, seria só uma questão de dias, ele também viraria sapo e ela, na certa, se desencantaria.

passou a espreitá-lo em seus domínios, e por onde quer que ele passasse, num misto de desejo e de expectativa pela almejada transformação. porém o tempo foi passando, passando e ele continuava príncipe e a moça, coitada, ainda encantada, sem nenhuma chance de se tornar princesa, resignada, foi se deixando ali ficar. esquecê-lo não poderia jamais, pois aquela paixão tamanha já tinha preenchido todos os seus espaços, sem ela se esvaziaria e, sufocada, restaria murcha como um balão que perdeu o ar, no final da festa...



hoje o “Ressaca di Homi” completa um ano de existência e eu aproveito para agradecer aos que me aturaram e me prestigiaram nesses 365 dias. como a moça do meu texto, também pensei em passar apenas um verão por aqui, mas foram tantos os amigos que fiz neste período, que me sentiria mesmo com um balão murcho, sem gás, se me privasse do prazeroso convívio quase diário com vocês...


o meu carinho a todos e obrigada, obrigada, obrigada!







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quarta-feira, outubro 15, 2008

quarta-feira, outubro 15, 2008

hoje...


hoje minhas letras não se juntam, minhas palavras não se formam, meus versos não fazem sentido;

hoje não quero ouvir música, não quero ler poemas ou prosas e muito menos as notícias e seus problemas;

(nem quero contemplar a lua tão cheia de si a reinar soberana bajulada por estrelas).

hoje não quero falar, só quero ficar quieta e silenciosa no meu canto e recordar a felicidade nua de panos e os sons dos nossos corpos dialogando em surdina, entre suspiros, sussurros e gemidos naquela última madrugada...

hoje só quero pensar em ti e mais nada!



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sábado, outubro 11, 2008

sábado, outubro 11, 2008

o invasor...

ele foi entrando sem se anunciar, sem pedir licença, provocando em mim doces sensações e um leve desconforto. minha primeira reação foi resistir-lhe; não gosto de ser invadida por algo que não consigo controlar. tentei usar os argumentos da razão, mas ele se fez de surdo, ignorou meus apelos e foi despertando, um a um, todos os meus sentidos para melhor me dominar. depois me envolveu como um laço que foi se apertando dentro de mim. lutei como pude para me livrar dele, mas ele não me deu trégua. então, ciente da minha fragilidade e de sua força, desisti de tentar domá-lo e deixei que o desejo seguisse seu curso e me possuísse nesta bela e fria madrugada, tão cheia de magia, que até meu sono resolveu vadiar...


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quarta-feira, outubro 08, 2008

quarta-feira, outubro 08, 2008

quando te beijo...


não apenas o encontro
de lábios
a louca troca de carícias
entre línguas,
a mistura do teu sabor
com a minha saliva,
a fome desenfreada,
desmedida,
sem tréguas,
da minha boca...

quando te beijo
meu amor,
minha alma
ultrapassa o desejo
e te abraça,
se desnuda e se entrega,
e o meu corpo
morre e ressuscita
no teu corpo

...enquanto te beijo.


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sexta-feira, outubro 03, 2008

sexta-feira, outubro 03, 2008

Tua!

úmido o meu corpo
—já em oferta—
à espera que venhas
e que escrevas teu nome
com tua lingua, com teus dedos,
por toda a minha pele
ainda da tua marca deserta.

úmidos os meus lábios
já expectantes
para te receber
e beber o teu gozo

o mais que de mim eu sei
a ti que tua sou
eu já te dei...

porque só tu me umedeces

amor!
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quarta-feira, outubro 01, 2008

quarta-feira, outubro 01, 2008

Indiferença...


Indiferença

é aquele olhar
que te atravessa

sem te perceber,
sem te ver

e te atropela
te quebra
te mata.


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