sábado, setembro 27, 2008

sábado, setembro 27, 2008

Confissão

somente uma farsa, um engodo,
uma contradição;
a esperança estampada nos olhos,
uma alma desesperançada
–deserta e árida–
­­­­­­­um coração afundado em mágoas,
o medo escorrendo dos poros,
um sorriso
cuidadosamente desenhado no rosto,
apenas para refletir no espelho.

esta sou eu – agora!

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quinta-feira, setembro 25, 2008

quinta-feira, setembro 25, 2008

Primavera

surpreendeu-se quando abriu a janela.

tão preocupada estava em quebrar geleiras
que nem havia percebido
que o céu se vestira de azul luminoso
que a natureza se enfeitara
com todas as cores
e se perfumara com aroma de flores.

embalada pelo silêncio que a cercava,
constatou que apesar do frio no seu peito,
lá fora já era primavera

e que era chegada também a hora
de semear terra nova
e cultivar novos amores-perfeitos.
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segunda-feira, setembro 22, 2008

segunda-feira, setembro 22, 2008

Cansaço...



quando a vida lhe pede um pouco mais de calma, mas o tempo um tanto mais de pressa, o cansaço é inevitável;

e é assim que estou me sentindo - cansada de correr atrás das horas sempre mais ligeiras do que eu...

cansada de ver bola batendo na trave, na rede pelo lado de fora; do meu time estar sempre fugindo do rebaixamento e nunca levantando a taça; de cada rodada do campeonato ser um verdadeiro tormento e não uma alegria; da Diane dos Santos dar seu salto mortal e colocar o pé para fora do tablado; da Jade Barbosa saltar e cair do cavalo; da voz do Galvão Bueno, do Cléber Machado, da regra nada clara do comentarista de arbitragem; do boa noite do "casal jornal nacional"; de bandido rico global sempre fugir num jatinho para um paraíso fiscal no final das novelas; de ter mais de cem canais de TV disponíveis e não encontrar nada que valha a pena assistir;

cansada de ver mulheres abandonando seus bebês em lixões, em beira de rios, ao relento, no frio, enquanto outras mães choram seus filhos mortos com o colo e os braços vazios;

cansada de ouvir falar em variação do dólar, sobre quebra de mercados financeiros, sobre a especulação imobiliária;

cansada de propaganda eleitoral, de políticos corruptos, de empresários inescrupulosos e igualmente corruptos;

cansada dos famosos ditados, das frases de auto-ajuda, de ainda acreditar nas pessoas, mesmo naquelas que sempre mentem;

cansada de gente egoísta, egocêntrica, que pensa que a terra gira apenas em torno do seu próprio umbigo; dos machões e dos machistas; de viver me desculpando, me justificando, de não saber dizer - não; de engolir minhas lágrimas, de forçar sorrisos no meu rosto;

cansada da fome do mundo, da fome do meu próprio corpo;

enfim, ando cansada de tudo...

e sobretudo, ando cansada de escutar meu coração gritar para um surdo!

(e por estar assim cansada, cansei-me também do visual do blog e resolvi mudar. espero que gostem).

Uma ótima semana para todos!


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sexta-feira, setembro 19, 2008

sexta-feira, setembro 19, 2008

Solidão


uma gélida madrugada

e a solidão da minha língua;

cansada de tanto lamber

e beijar palavras...

(apenas)


é o que me resta
e mais nada
!!!

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quarta-feira, setembro 17, 2008

quarta-feira, setembro 17, 2008

Amor & Paixão


O que é o amor?

Esta foi uma pesquisa feita por profissionais da educação e psicologia com um grupo de crianças entre 4 e 8 anos;

“Quando a minha avó teve artrite, ela não podia mais se abaixar para pintar as unhas dos pés e meu avô, desde então, pinta as unhas para ela, mesmo quando ele também tem artrite – isso é amor” (Rebeca – 8 anos)

“Quando alguém te ama, a forma de falar teu nome é diferente” (Billy – 4 anos)

“Amor é quando você sai para comer e oferece as suas batatinhas, sem esperar que a outra pessoa ofereça as dela” (Cris – 6 anos).

“Amor é quando seu cachorro lambe a sua cara, mesmo depois que você o deixou sozinho o dia inteiro” (Mary Ann – 4 anos)

E foram várias as definições de amor dada por essas crianças, todas de uma simplicidade e profundidade, o que muito me surpreendeu...

Minha conclusão é que criança entende muito mais de amor do que os adultos.

Eu confesso pouco ou nada saber sobre esse amor tão cantado em verso e prosa ao longo dos tempos, mas acredito que seja como uma dança mágica, cujos passos vão se harmonizando, até encontrarem a coreografia perfeita.

O amor é um longo aprendizado, onde cada um procura dar significado, cor e intensidade à vida do outro; se ajusta como peça de quebra cabeça, sem arestas, no decorrer dos anos, quando é sincero e verdadeiro. Não morre, apenas se transforma.

Já a paixão é imediatista e cheia de conflitos, explosões, picos e vales, cumes, amanheceres, poentes e algum tempo de paz;

É céu e inferno e, vez em quando, entre um e outro, o purgatório.

De paixão entendo e quando me acontece, gosto de deixar queimar até que vire cinzas...

E como o fogo purifica, das cinzas saio renovada, pronta para me apaixonar, de novo, intensamente, por outra pessoa.


(faz tempo que estou queimando por um certo alguém, porém depois de tantos baldes de água fria, essa chama está prestes a se apagar).


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domingo, setembro 14, 2008

domingo, setembro 14, 2008

Cobiça ou Leda e o Cisne


A cobiça é o desejo desenfreado de possuir o que pertence a outro e não a nós e, segundo a Bíblia, pecado mortal;

"Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu servo, nem a sua serva, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo." (Êxodo 20:17).

Pois é, mas mesmo sabedora que a cobiça é um pecado, eu o tenho cometido nesses últimos tempos...

Costumo freqüentar uma galeria de arte - “Errol Flynn”, situada aqui em Beagá e recebo catálogos sobre as obras expostas, as destinadas à venda simples e as que serão leiloadas;

Ao receber um desses catálogos, sobre quadros, esculturas e gravuras que seriam leiloados em Brasília, no dia 26 de agosto, encantei-me por uma tela - Leda e o Cisne - pintada na década de 60, por Vicente do Rego Monteiro, e senti um desejo enorme de possuí-la, mas, infelizmente, por motivos vários, não me foi possível arrematá-la. Desde então, não paro de pensar nela e, confesso, com uma ponta de inveja de quem enfeita sua parede com esse lindo quadro tão cobiçado por mim.




A história que inspirou a tela


Certa vez, Zeus ia a caminho da cidade de Tróia e encontrou Leda, a jovem esposa de Tíndaro, herdeiro do reino de Esparta, deitada seminua na relva e parou para contemplá-la de longe. Temendo assustá-la com sua figura gloriosa e resplandecente, Zeus transforma-se em um cisne imenso e de bela plumagem para poder cortejar a princesa.

Ao ver o belo cisne se aproximando, Leda senta-se e começa a observá-lo. Diante dos olhos da princesa, o cisne começa a mover suas asas com grande excitação, movimenta seu corpo em uma dança de vai e vem que mostra seu desejo e soa sua voz delicada, emitindo sinais de atração e paixão. Leda ficou fascinada e o cisne aproximou-se mais e começou a tocá-la e acariciá-la com suas plumas e seu longo pescoço.

Excitada, Leda deitou-se novamente na relva, aguardou que o cisne se deitasse sobre ela e então se amaram.

Meses depois a princesa sente fortes dores e percebe que de seu ventre haviam saído dois ovos: do primeiro, nascem Castor e Helena, do segundo, Pólux e Clitemnestra.

Os filhos de Leda e Zeus, Castor e Pólux, tornam-se grandes guerreiros e amigos inseparáveis. Porém Castor (que herdou a mortalidade humana) perde a vida em uma batalha e Pólux (que herdou a imortalidade divina) suplica a Zeus que devolva a vida ao irmão. Comovido com esta demonstração de amor fraterno, Zeus propõe a Pólux dividir sua imortalidade, alternando com o irmão um dia de vida e um dia de morte.

Assim os irmãos passaram a viver e a morrer alternadamente e Zeus os homenageia com a constelação de Gêmeos, na qual não poderiam ser separados nem com a morte.



O mito de Leda e o Cisne sobrevive e suas expressões nas artes podem ser encontradas desde as esculturas na Grécia antiga até na pintura contemporânea.


Vicente do Rego Monteiro (Recife, 19 de dezembro de 1899 — 5 de junho de 1970) foi um pintor, desenhista, professor e poeta brasileiro.

Iniciou seus estudos artísticos na Escola Nacional de Belas Artes, (Rio de Janeiro), em 1908 e os complementou na França, na Académie Colarossi, na Académie Julien e na La Grande Chaumière.

Além de pintor e poeta, Vicente do Rego Monteiro era também um bom dançarino, tendo vencido vários concursos de dança de salão em Paris.




Leda e o Cisne


William Butler Yeats
trad. de Paulo Vizioli


Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.

Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?

Um tremor nos quadris engendra incontinenti
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.

Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente?

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quarta-feira, setembro 10, 2008

quarta-feira, setembro 10, 2008

O Ébrio


na mente do homem
uma descoberta desconcertante
à sombra de cada gente que o cercava
havia uma outra gente escondida...

As mãos tremulas, o andar vacilante;

o medo da solidão acompanhada;
sua existência sem amor, sem honra,
seu holocausto - o nada-

eis a descrição da morte em vida
do homem aprisionado pela mágoa,
pela dor profunda,
oriunda da cachaça.



Peço desculpas a todos, tenho tido mais problemas do que horas nos meus dias e por isso não tenho respondido aos comentários, nem visitado os amigos, nem retornado emails vários. meu MSN está até com teias de aranha ...
obrigada pelo carinho e presenças constantes.
abraços


um esclarecimento

na última madrugada, pelo adiantado da hora, pelo cansaço, me esqueci de citar que este texto “o ébrio” foi baseado em um comentário que fiz ao ler o poema “Profanos” do Ricardo Rayol: aqui. se alguém gostou do que escrevi, cabe a ele o mérito por ter me inspirado...

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domingo, setembro 07, 2008

domingo, setembro 07, 2008

"Poetamigos"

Três poetas, três amigos, que, generosamente, me transformaram em musa e me fizeram acreditar que a vida real pode, às vezes, superar os sonhos em expectativa e beleza.

Cássio Amaral

sua poesia ora doce e lírica, ora de um realismo, de uma crueza, que chega a machucar, mas sempre bela e carregada de emoção. seus versos enfeitam os meus olhos.
o Cássio é uma pessoa iluminada, um amigo fiel e solidário, um companheiro para todas as horas...
dele ganhei:

Fortuna

Voz que a madrugada cintila

Num blues que espero

Estrelas distraídas nos olhos

Sol da existência singela

Fogo e ar

Traduzidos num vôo

Que o universo de luz diz

Reflexo da natureza

Estrada incerta

Rara beleza

Mantra envolto em lua e incenso

Mandala fagulha da alma

Cama paixão berço

Misto de vulcão

Canção que canto


aquilo que quero conhecer.

José Viana Filho

o José é romântico, gentil, um ótimo amigo, que acredita que sou melhor do que realmente sou. suporta-me, com bom humor, até quando eu mesma reconheço que estou insuportável. sua poesia é suave, bonita e aquece o meu coração. dele, já ganhei muitos poemas, mas escolhi este para postar:

Foto

Em um outro nivel

desta minha vida

peço-te teus lábios...

e por cima e acima

das rimas que não faço,

fecho os olhos, me calo

ainda assim acredito

e te beijo.


Alisson da Hora

meu mais recente amigo. seus versos encantam e acolhem a minha alma. são eruditos, criativos e de extrema beleza. Alisson ou “Poetanjo”, como o chamo, abriu suas asas sobre mim, quando leu um lamento que escrevi no blog da minha querida Milady e me surpreendeu com este belo poema, que compôs para me consolar.

Anjos...

a minha insônia é o teu sonho
da vigília que se pede a quem tem asas
para cobrir o assustar-se
anjos devem ser irremediavelmente insones

nas beiradas de cobertas o velar é necessário
jamais piscar os olhos e perder teus passos
- entregar-se é às vezes algo absurdamente unilateral-

anjos devem ser responsavelmente vigilantes

do estar-longe-sempre-presentes pensarão
todos os milésimos
e em alguns momentos, chorar, talvez
uma lágrima de solidão

anjos não podem pensar nisso

estender mãos e almas
coração: isso tudo é um só

pessoas são anjos
sempre pensativas olhando o luar.

****

meus queridos “Poetamigos”, minha eterna gratidão, meu carinho, minha amizade. nunca, nem em sonhos, ousei me imaginar musa.
seus versos, vou levar comigo para sempre, guardados dentro do meu ♥.

adoro Vocês!

beijos
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quarta-feira, setembro 03, 2008

quarta-feira, setembro 03, 2008

Noite Vazia

em noites vazias,

(longas como a demora de bocas a espera do beijo)

só um som me ecoa

:o do amor que não ousa pronunciar o nome.

em noites assim,

de desejos sentidos e calados,

(de saudade esquartejada, de abraços amputados)

minhas letras se despem e

(nuas de poesia, de versos, de inspiração)

me amarram, me amordaçam e me emudecem.


Só você meu amor,

com suas palavras,

ora ternas, ora canalhas,

pode me abrir o peito

e me resgatar

de dentro de mim!..





(“O amor que não ousa dizer o nome” é uma frase de Oscar Wilde)
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