sábado, agosto 30, 2008

sábado, agosto 30, 2008

Micro-conto ou a vida como ela é...


Quando o gato sai...

Era uma vez uma moça tão meiga, tão amorosa, que quando seu gato passeava por outros telhados, ela beijava e acariciava o cachorro da casa ao lado!...

(se o gato da casa está ausente, o cachorro do vizinho está sempre presente).

Pois é...

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quinta-feira, agosto 28, 2008

quinta-feira, agosto 28, 2008

Uma Julieta para vários Romeus


Julieta sempre fora uma romântica que sonhava encontrar o seu Romeu. Moça bonita, de corpo bem proporcionado, tinha vários admiradores, mas insegura como era, não conseguia se decidir por um deles. De um gostava mais dos olhos, do outro da voz, daquele outro gostava da boca e ainda se encantava pela inteligência de poucos e pela canalhice de muitos.

O tempo ia passando, a idade avançando e Julieta não conseguia escolher, entre tantos, o seu Romeu. Até que resolveu selecionar os três homens que mais a atraiam: Bartolomeu, Irineu e Alceu. Mas qual deles seria o amante ideal? Era o que sempre se perguntava...

Pensava, pensava, passava as noites em claro e não se resolvia. Até que se lembrou das palavras que a avó sempre dizia:

- Para se conhecer um homem, preste atenção como ele come!

E teve a idéia de preparar um belo jantar para cada um deles e, claro, os convidaria em noites diferentes. O cardápio e a decoração seriam rigorosamente iguais.

E ela se esmerou nos preparativos, escolheu louças e talheres, toalhas de linho, taças de cristal, flores e preparou as mais finas iguarias;

Bartolomeu foi o primeiro convidado e, assim que chegou, foi logo perguntando pela comida, pois estava faminto. Devorou tudo em pouco tempo. Repetiu várias vezes os pratos; engoliu a comida como um esfomeado, sem prestar atenção ao que comia e ainda se gabou de jantares outros que já tinha ido.

Irineu foi o próximo; chegou trazendo flores, elogiou a decoração da mesa, dos pratos servidos, o vinho, falou sobre sua vida, seu emprego, seus planos. Porém, mal provou da comida.

Alceu foi o último. Também trouxe flores e uma caixa de bombons; mostrou-se encantado pelos cuidados que Julieta teve ao preparar aquele jantar, saboreou cada garfada, tratou a comida com carinho em sua boca, mastigou devagar, se deliciando e demonstrando seu prazer em comê-la. O jantar se prolongou por toda a madrugada e ele ainda teve o cuidado de preparar um café para os dois quando viu que amanhecia um novo dia.

Julieta que a todos observou com atenção, até que enfim, feliz se decidiu...

E alguém tem alguma dúvida qual entre os três ela escolheu para ser o seu Romeu?

Pois é...

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segunda-feira, agosto 25, 2008

segunda-feira, agosto 25, 2008

Se a vida fala a boca cala!

minhas desculpas pela ausência,
fui engolida pelo tempo,
me perdi nas minhas horas.
quando me lembrei de mim,
já lá se ia uma semana inteira,
mergulhada num silêncio abissal,
sem versos, sem encontros, sem poesia;
sem som que pudesse dar voz
às minhas palavras.

apenas a vida dura, nua, crua, assustadoramente real,
se fazia ouvir...

(dividida entre dois espaços paralelos
:um negro e o outro amarelo)

o que a boca não fala,
vaza pelos meus olhos,
por todas os meus poros
- esta paixão por ti -
avassaladora, desmedida,
que me invade e me cala;
minha medida sou eu:
- inteira e intensa -
 braços abertos,
corpo, alma, coração,
sempre e apenas a tua espera!..

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terça-feira, agosto 19, 2008

terça-feira, agosto 19, 2008

(D)espojada


Hoje não me apetece escrever...

preguiçosa, quero apenas me espojar

como se bicho fosse,

soletrar com os dedos teu nome pelo meu corpo,

desenhar-te na minha pele

e acalmar este desejo que já não me cabe,

que transborda pelos meus poros,

que me faz chover por entre pernas,

em noites de lua cheia.



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sábado, agosto 16, 2008

sábado, agosto 16, 2008

Mini-conto

O que o homem não come...


Ele chegava do trabalho sempre cansado, se deitava, virava para o lado e dormia sossegado, pois “o que é do homem o gato não come”...

Porém, o gato que não acreditava em ditados, não só comia, como se fartava e se lambuzava.

(a)moral da história: a “quentinha” desdenhada pelo homem é banquete para um gato com fome!

Pois é...


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quarta-feira, agosto 13, 2008

quarta-feira, agosto 13, 2008

Coração & Razão

tem horas que o coração,

qualquer que seja
a postura do corpo
ou do seu esforço
para se manter ereto,

se ajoelha e implora!...


(...e a razão,
submissa e envergonhada,
se emociona e se cala).


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sábado, agosto 09, 2008

sábado, agosto 09, 2008

Sou Layla!


Não me cobre lógica, não me peça coerência, nem venha me falar de razão – só a paixão me move;
não qualifique, nem quantifique meus sentimentos e nem os compare a nada – deles só eu sei; eu e os meus fantasmas, eu e os meus medos;
sou pura emoção! não sei falar sobre passarinhos, quando grilos me ensurdecem e abutres voam salivantes sobre minha cabeça; nem de flores, quando só espinhos me ferem; não canto canções de amor, quando meus ouvidos só ouvem hinos de guerra; meus olhos nunca vertem poças – vertem mar profundo, intenso, passional;
não me cobre datas, não me estipule prazos – sou atemporal; não me imponha condições – sou incondicional;
às vezes, sou meu próprio furacão – me arrasto, me destruo, me devasto; em outras, sou brisa, vento – me balanço, me embalo, me carrego e noutras sou cimento, viga, tijolo – me ergo, me reconstruo. quando amo, sou música – me entoo, reverbero; sou fogo – me queimo, me ardo; sou água – me afogo, me inundo; sou meu problema, minha solução; meu veneno, meu antídoto; sou luz, sou escuridão; sou prisão, sou liberdade; sou escrava, sou rainha; sou amazona e montaria; meu querer não carece explicação, não tem tempo, nem hora – acontece quando e por quem tem que acontecer.
muitas me habitam – santas, profanas, crentes, piedosas, puras, pecadoras, corretas, erradas, imperfeitas, dominadoras, submissas; anjos e demonios correm velozes à minha volta, sem multa; mudo meu cenário, meu protagonista, meu enredo, meu roteiro; posso amanhecer nublada, entardecer ensolarada, estar enluarada ao anoitecer e tempestiva na madrugada;
por muitos nomes já me chamaram, mas só por um respondo, só um assino;

sou Layla!
.
.
.
(apenas)



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quarta-feira, agosto 06, 2008

quarta-feira, agosto 06, 2008

Entre a terra firme e o simples ar...

Trôpega, caminha na fronteira entre a terra firme e o simples ar - entre duas realidades paralelas e antagônicas -, com os pés descalços de outros mundos quaisquer, para não magoar as searas com suas pegadas; a areia fina que lhe fere os pés, é morfina para as dores da alma; a taça, da qual bebe, é feita do mesmo vidro que a sangra; a boca, que verte palavras que inebriam seus sentidos, escarra outras, cortantes como a lâmina de um punhal. reparte suas mãos em garras para não se deixar tombar e estática, no limite do equilíbrio, contempla o abismo que se abre à sua frente - a luta entre a vertigem que cativa, que chama e o medo que domina, que impede que se jogue -. indecisa, não sabe se passa os últimos dias de inverno calçada com confortáveis e velhas pantufas ou se coloca seus patins e sai deslizando em alta velocidade, com o vento brincando no seu rosto, com a adrenalina correndo solta pelo corpo, sem se importar com os riscos, sem temer as quedas, sem receio de se quebrar, sempre em frente na pista frágil, em busca do que lhe falta. enquanto não se resolve, a voz que a alimenta se cala e surda, morta de fome, não sabe se terá forças para esperar pela primavera.

tomara ela ainda possa se encontrar onde sempre se deixa, quando a angústia não mais lhe cabe e faz transbordar suas horas.


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domingo, agosto 03, 2008

domingo, agosto 03, 2008

Vida que segue...


Depois, das asas rotas
e das muitas horas
longas vazias de sono;
do sonho
o único
tão almejado,
ora adiado;
da aflição que me amputou
a inspiração
e me roubou as palavras;
minha alma
já consegue respirar,
apesar da extrema
rarefação do ar.




Abraço todos os amigos que me confortaram com palavras gentis de carinho, apoio e solidariedade.

obrigada, obrigada, obrigada!



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