terça-feira, julho 29, 2008

terça-feira, julho 29, 2008

A Volta do Passado


Eu acreditava que ele nunca mais voltaria, mas, para o meu espanto, bateu à minha porta; alquebrado, com chagas pelo corpo, a alma esfarrapada e o coração dilacerado. não podia me negar a acolhê-lo novamente em meus braços e decidi tornar presente o que pensei já fosse passado. não vou deixá-lo cair como uma estrela desgarrada que se desprendeu da noite; vou ampará-lo, lamber suas feridas e ceder-lhe o meu colo para que se restabeleça da batalha que está travando e, para tanto, reinvento meu próprio tempo, embaralho as minhas horas e transformo o meu ontem em hoje, o meu hoje deixo para amanhã e meu amanhã ainda nem sei, penso nele depois.

Neste momento, a ansiedade e o medo são meus companheiros fieis, porém só me resta esperar e rezar para que esse “Passado” possa viver no futuro.

Só quero que Ele tenha forças para lutar, lutar e lutar, até vencer essa guerra que lhe coube.

(♪quando a gente pensa, de toda maneira, dele se guardar, sentimento ilhado, morto amordaçado, volta a incomodar♪)

Vou me ausentar por alguns dias, deixo o meu carinho e o meu abraço a todos.


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domingo, julho 27, 2008

domingo, julho 27, 2008

Espera...


esta espera que se demora,

que absorve e não sacia.

­–densa e espessa–

suspensão que me agonia,

no vai e vem dos ponteiros;

rigorosamente contínuos,

impiedosamente certeiros!


(como me maltrata a lentidão destas horas!)



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quinta-feira, julho 24, 2008

quinta-feira, julho 24, 2008

Caos


Um verdadeiro caos – assim está minha cabeça. estou virada do avesso, remexida, confusa, perdida. não sei mais como agir. dividida entre a minha vontade e a necessidade alheia. sigo meus impulsos? ou os ignoro e faço o que esperam de mim? por mais que tente acertar, a sensação que tenho é que estou fazendo tudo errado.

hoje sou apenas a sombra dos meus sonhos, um corpo imóvel, sufocado, gritado e mudo.

e no meio de todo este tumulto que me habita, as palavras se perderam ou fugiram e sem elas sinto-me deserta, sem norte, sem poesia.

por hora, não tenho nada a oferecer – cansada, exausta; corpo, mente, alma e coração – a minha voz se cala! já não sei bem o mal que me avalia, o porquê da existência, o dever da razão, o limite da paciência!

este é mais um dia em minha vida – sem início, sem fim, sem meio que o defina.

esqueço-me de mim, outra vez!

até quando vou ter que esperar por tempos de calmaria?


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terça-feira, julho 22, 2008

terça-feira, julho 22, 2008

Ricardo Rayol


Ricardo Rayol - um homem instigante; místico e profano, poeta e realista, doce e amargo, indignado e complacente, irônico e solidário; dono de uma personalidade apaixonante, que se revela em seus escritos.

Ricardo não é um escritor de inspiração ocasional, da palavra fortuita, lançada a esmo, é poeta e prosador, verseja sobre a vida com a emoção dos que sabem compreender e reproduzir a expressão da realidade cotidiana. Dotado de perceptível talento, da bem formada linguagem e fraseologia, é um autor forjado na prática da leitura, coisa rara hoje em dia e tão necessária a quem se propõe a escrever.

Versátil, administra seis blogs e, embora sejam de estilos bem diversos, o faz com muita competência.

Seus versos nos oferecem uma leitura de qualidade, sofisticada, densa, nada ingênua, às vezes até cética, mas sem abrir mão da poesia, da magia.

Muito mais teria para falar sobre o Ricardo Rayol; sobre seu lado lúdico e lírico ao narrar, em versos, as aventuras de um cabritinho montês; sobre sua irreverência ao “recontar” a história da humanidade; sobre o cidadão preocupado e revoltado com a situação política e social do País; sobre o sedutor e seus belos poemas e prosas eróticos, mas prefiro fazer o convite para que acessem os blogs dele e comprovem, os que ainda não o conhecem, que não lhe fiz nenhum elogio e que apenas mencionei algumas das inúmeras qualidades que ele tem como escritor e poeta.



Ricardo


Mesmo se conhecesse todas as palavras e tivesse o seu dom de poetar e lidar com elas, não conseguiria expressar a enorme admiração e o carinho que lhe tenho. Então, coloquei coração e emoção nas pontas dos dedos, só para deixar registrado, e para que todos saibam, o prazer que tenho em ler você, onde quer que escreva.



Vazio
(Ricardo Rayol)

Ecos, na casa agora vazia,
pela janela, o inverno chega,
julgam-se as árvores moribundas,
derramam-se em folhas, amarrotadas.

Abriu a derradeira porta,
deixou-se consumir pelos ruídos do passado,
o triste canto do cisne,
o seu próprio réquiem.

Em seu último passo,
a lembrança dela o atingiu,
morreu assim,
com um sorriso e uma lágrima.



Ato
(Ricardo Rayol)

Já disse antes, nas tardes frias do outono, que ainda nada sei sobre o amor. Sei apenas o que sinto. As batidas arrítmicas que ora falham, ora teimam em pulsar distantes, no livre olhar, de tua sombra delineada. O rasgar da alma, no ouvir etéreo de sua voz, mas o amor mesmo não conheço, não lhe fui apresentado.

Sinto-me um trapezista, triste artista, que no ar se lança, sem rede.

O inverno da minha vida se aproxima.

*************

Blogs do Ricardo Rayol

A Cor da Letra
Jus Indignatus
Juarez o Cabrito Montês
Em Verdade Vos Digo
A Casseta do Cabral
Memórias Póstumas de Um Puto Prestimoso

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domingo, julho 20, 2008

domingo, julho 20, 2008

De roupa nova!

Em nove meses de existência, por muitas vezes troquei o visual do “Ressaca de Homi”, mas sempre utilizando os modelos disponibilizados pelo próprio blogger. Desta vez, queria uma mudança mais radical, mas não sabia como fazer a troca sem perder vários arquivos e os comentários anteriores. Entretanto, quem tem Anjo da Guarda não fica desprotegido e, depois de muito tempo afastado, meu “Anjo” reapareceu e efetuou a troca do layout para mim. Espero que gostem do “Ressaca” com esta “roupagem” nova.


“Meu Anjo”

Você transita entre o lado direito e o lado esquerdo do meu peito, mas está sempre perto do meu coração e nas minhas lembranças.

Mais uma vez, muito obrigada!

Adoro Você!

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quinta-feira, julho 17, 2008

quinta-feira, julho 17, 2008

Medo


Fujo da paixão
(não a quero mais).
mas sinto-a no meu encalço;
seu hálito no meu pescoço,
sua boca na minha pele,
seu pulsar no meu peito.
tento me esconder
(me encolho);
me visto de negro
para enganá-la,
suspendo a respiração
(para que não me ouça).
mas ela fareja
o cheiro do meu medo!...


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segunda-feira, julho 14, 2008

segunda-feira, julho 14, 2008

Por três noites... esperei!

Despi-me de todos os meus receios, dos meus medos, dos meus pudores e por três longas noites esperei por você na minha nudez envergonhada e trêmula;

(eu nua de todos meus outros eus, eu nua de máscaras, eu apenas eu, em todas aquelas horas).

enquanto lhe esperava vislumbrei outros vultos, senti-os debaixo das unhas, mas não fui de nenhum.

(que outro olhar não quero, que outra boca meus lábios não beijam, que outro peso meu corpo não sustenta).

o nome que calo é o seu, é você a sede que me abrasa, é seu o sabor da minha saliva, o gosto que sinto na língua.

por três solitárias noites supliquei-lhe em silêncio;

vem- toca-me - lambe-me - desgoverna os meus rumos - desvenda os meus segredos - despe-me deste casulo em que me guardo - consome tudo o que há em mim para consumir...

mas você não veio e eu continuei deserta.

por três frias noites eu me queimei até que virei cinzas.

(e ainda assim restou mais e mais de mim a arder).

e agora? quem irá me soprar? quem irá me espalhar?

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sexta-feira, julho 11, 2008

sexta-feira, julho 11, 2008

Alma Bailarina

enquanto seu corpo
se arrasta em agonia,
prisioneiro de fantasmas,
escravo de quimeras,
sua alma bailarina
se liberta
bela, radiante e nua,
faz do céu o seu tablado,
dança, salta, rodopia,
com os astros, com as estrelas
e com a lua.

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terça-feira, julho 08, 2008

terça-feira, julho 08, 2008

Sexo é prosa e amor poesia

Queria te falar de amor e ternura, porém teus ouvidos moucos não entendem outra linguagem que não seja a dos sentidos.

Também muito te desejo, sonho a junção exata da tua pele com a minha pele; a minha língua dançando desvairada pelo teu peito, minhas pernas entrelaçadas com as tuas, sentir os teus espasmos, ser o teu orgasmo mais do que perfeito.

Prometo não te amar em demasia, não te sufocar, nada exigir para tudo ter, pois sei dos teus limites e quero o teu conforto, o teu prazer.

Então, que tal chegarmos a um acordo?

Já que gostas de prosa e eu careço de poesia, por que não escrevemos uma bela prosa poética, um no corpo do outro?

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sábado, julho 05, 2008

sábado, julho 05, 2008

Fogo


Só o meu sopro é pouco

para que se apague

este fogo que me queima

este fogo que me arde!


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quinta-feira, julho 03, 2008

quinta-feira, julho 03, 2008

Instinto Selvagem

quer tanto chegar onde ele deverá estar, que de suave e doce tornou-se arredia e teimosa. fez-se surda dos dois ouvidos à razão que lhe grita – não vá; não quer escutar e, ao contrário, acelera seus passos rumo ao inseguro, ao intocado, ao desconhecido. sabe que enfrentará todos os desafios, que terá que saltar por sobre as pedras do caminho. sabe também, que se for preciso, rasgará suas roupas, sua pele, seus pés e até a sua alma – irá sangrar, mas desta vez não vai recuar. está cansada de viver só de sonhos, de palavras e de expressões; quer o instinto selvagem e primitivo, quer o toque – seu corpo ardendo junto ao corpo outro – boca com boca, a mente alucinada gritando desejos profanos e ignora todos os argumentos contrários a sua vontade, está resolvida e determinada, segue em frente, não tem mais volta, vai em busca de quem lhe falta.

(e tomara que nenhum anjo ou demônio, com suas garras de águia, agarre seu corpo indefeso e a impeça de chegar lá... onde ele deverá estar).
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terça-feira, julho 01, 2008

terça-feira, julho 01, 2008

Agradecida...

Quando eu era criança, meu avô me contou a história de um rei que estava muito triste por não saber mais diferenciar a verdade da mentira; Ele então chamou os três homens mais sábios do seu reino e pediu a eles que escrevessem algo que poderia ser considerado uma verdade irrefutável. Os sábios se reuniram e ficaram confabulando por longas horas. Quando se fez noite, eles entregaram ao rei um papel com duas palavras apenas e o rei ao ler o que estava escrito, sorriu e disse:

- vocês conseguiram!

Na papel estava escrito: vai passar...

Eu cresci tentando sempre me lembrar que nada nesta vida é definitivo, nem alegrias, nem tristezas – tudo passa.

E é verdade, passa mesmo. No dia de ontem, eu estava me sentindo tão triste quanto aquele rei e ainda estaria me sentindo assim, não fosse ter encontrado o José Viana Filho...

Zé Viana

Agradecida pela noite maravilhosa, pelo belo jantar, pelas flores, pela prosa, pelos sorrisos que plantou no meu rosto e, principalmente, pelo lindo poema que compôs para mim. Adorei me sentir musa.

Meu carinho, meu beijo.

Layla n 01 ou um certo alguém
(José Viana Filho)

Tenho medo de ser só um,
Medo de ser de uma só...
Queria ser múltiplo,
Amar várias...
Assim como amo pontes, paisagens ,
fotos, músicas, filmes...

Há muito tempo vi uma estrela,
Que me acordava de sonhos.
Você é um outro alguém
Que me lembra bem,
Faz-me lembrar
Esse alguém.

Porque teu rosto tem algo mais
Bem mais, que só um sorriso.
E bem mais que versos
Palavras que escrevo
São bem mais que o tempo
Esse passa, covarde e tenso...

Palavras que te escrevo,
São poucos os segredos
Que guardo para sempre!
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