sexta-feira, maio 30, 2008

sexta-feira, maio 30, 2008

Uma Noite Medonha


Minha noite está fria, calada, densa, se arrastando lentamente pelas horas e por estrelas opacas, sem brilho. Até a lua está pálida, minguada, talvez envergonhada de mostrar sua nudez para um céu gelado, sem encanto. Uma noite de sombras mortas, que não se movem pelas paredes. A solidão de todo este silêncio me invade, não ouço nem o barulho do vento, nem o miado de algum gato vadio espreitando desejos nos telhados. Será longo o meu caminhar até o amanhecer. Já teria gritado, não fosse o medo que o grito revele o que escondo em segredo. Estou mais uma vez sozinha, perdida no meio desta noite, que ainda nem sei se está mesmo medonha ou se só eu a sinto assim, se o universo está do avesso ou se eu que estou de ponta cabeça, sufocada pelo que me cala.

(é sempre durante as madrugadas que sinto mais saudade de quando você me tocava, daquele seu jeito tão intenso, tão íntimo, mesmo que fosse só com as suas palavras. Gostava de me abraçar com as suas letras, para depois deixá-las soltas, a correr pelos meus dedos).
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quarta-feira, maio 28, 2008

quarta-feira, maio 28, 2008

Para Mariza Lourenço

Prosita Poética.
Mariza Lourenço


querem-me nua. vintequatrohoras. nua. entre

palavras e escândalos. como se em mim não

existissem vestes e pudores brancos. como se

o vermelho fosse minha eterna sina.

eu sou um verbo deflorado. uma puta. um regalo.

eu sou uma mulherzinha. d'Ele.

:só

Amiga


também quero que se dispa; não das roupas, dos pudores, mas de tudo que a fez sofrer nos últimos tempos. Quero que se livre das dores, das mágoas, das lembranças dos (des)amores passados.

quero que erga a cabeça, que olhe a adversidade, e a quem mal lhe quer, de frente, olhos nos olhos, sem medo, com coragem, pronta para lutar pela sua felicidade.

quero que você sonhe, voe, deseje, pondere, faça bobagens, conserte erros, dê a volta, dê ré, acelere, se emocione e se apaixone muitas vezes, pois tudo isso significa viver.

por fim, quero que você entenda que o melhor para a nossa vida é a gente quem traça, no compasso dos nossos anseios.

No mais, o meu beijo, o meu abraço. Que todos os seus desejos, mesmo os mais simples e insignificantes, mas sempre tão importantes, se realizem.

Parabéns, Feliz Aniversário Querida!


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terça-feira, maio 27, 2008

terça-feira, maio 27, 2008

Dúvida

“Ser ou não ser, eis a questão!”

Uma borboleta que só pode voar
entre quatro paredes
ou uma lagarta que se move
livremente pelo chão?

Quem souber responder,
que emita opinião.


Desde que li o mini-conto do Ricardo Rayol: ”Metamorfa” tenho pensado se pode ser chamada de liberdade aquela exercitada entre aspas - a liberdade vigiada.

O Ricardo tem esse poder sobre meu imaginário, sempre me faz pensar muito além das suas palavras.
Meus agradecimentos a Ele por ter permitido que eu o citasse.
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domingo, maio 25, 2008

domingo, maio 25, 2008

Sonhei com Você

Dormi em frente ao computador e sonhei com você por toda noite e madrugada, até o romper do dia. No meu sonho você era tudo e eu nada, quando mais o sonhava mais o perdia; Sonhei que era o sol que esquentava a minha pele e não só o via como o sentia, mas a noite descia e você se escondia e já era a lua e eu uma flor, com seu clarão me tocava, me lambia, eu me abria, porém logo amanhecia e você se ia, então me recolhia, morria e virava o sangue que corria em suas veias, só que ele fervia por outro alguém e eu minguava, virava água e você se transformava num belo alazão; eu o montava, galopava, então se empinava, me derrubava, eu caia, me machucava e a galope se afastava e eu restava como se fosse uma cruz fincada na beira da estrada. De repente o mundo se evaporava e você se lançava no ar, eu abria os braços para lhe amparar, mas outras mãos, vindas de onde nem sei, o recolhiam e lá ficava sozinha, sem ninguém para abraçar... Mas não desistia, já o pensava beija-flor e eu uma planta carnívora, quando vinha sugar a minha seiva, o devorava, engolia e não mais podia ir embora de mim, amor, meu sonho podia ter fim. Quando acordei, o monitor estava desligado e percebi que nada havia acontecido, eu só tinha sonhado, você nem existia, também era inventado. Foi tudo ilusão, tudo virtual, não tinha sido real. Para lavar minha mágoa, o jeito foi chorar e chorei como jamais havia chorado, mas não entendia porque meu desavisado coração insistia em gritar o seu nome, dentro do meu peito.

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sábado, maio 24, 2008

sábado, maio 24, 2008

Somos Formigas

Lendo a saga do poeta Edson Marques, aqui, para salvar a vida de uma formiguinha, lembrei-me que, quando criança, ficava horas observando os formigueiros e gostava de criar obstáculos para algumas formigas, colocando pedrinhas e palitos em seus caminhos, para ver como se safariam e para outras colocava alimentos; folhinhas, miolos de pão, grãos de arroz cozido e pedacinhos de doce, para facilitar-lhes a tarefa e deixá-las mais felizes e, mesmo naquela época, já pensava que para Deus somos formigas, que às vezes Ele coloca limitações em nossas vidas, dificultando nosso caminho, só para testar a nossa fé e a nossa capacidade em superar as dificuldades, mas outras tantas vezes, ele coloca mel e flores na nossa estrada, só para nos ver sorrir.

Antes pensava ser assim, agora tenho certeza; Somos as formigas de Deus.

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quinta-feira, maio 22, 2008

quinta-feira, maio 22, 2008

Lilith

"Por que devo deitar-me embaixo de ti?
Por que devo abrir-me sob teu corpo?
Por que ser dominada por ti?
Se eu também fui feita de pó
e por isso sou tua igual."

Quando Deus criou Adão, o fez macho e fêmea, depois o cortou ao meio, chamou a esta nova metade Lilith e a deu em casamento a ele. Porém, Lilith não se conformava com a submissão ao homem e reivindicava igualdade, queria ter liberdade de agir, de escolher e decidir. Os mesmos direitos dele.

Segundo consta, todas as vezes que eles faziam sexo, Lilith mostrava-se inconformada por ter que ficar embaixo de Adão, suportando o peso de seu corpo. Adão se recusava a atender os apelos dela para inverter as posições, consciente de que existia uma "ordem" que não podia ser transgredida e que ela deveria submeter-se a ele, por ser esta a condição do equilíbrio preestabelecido. Lilith então se revoltou, pronunciou nervosamente o nome de Deus, fez acusações a Adão e foi embora.

Adão sentiu a dor do abandono e se entregou a um desespero profundo.

Deus, comovido com a tristeza dele, resolveu criar Eva, feita a partir de um fragmento de Adão, moldada de acordo com as exigências da sociedade patriarcal, uma mulher submissa e voltada ao lar.

A história é longa, mas só queria contar esta parte, para dizer que Lilith sabia das coisas e que gostaria que fossemos descendentes dela e não de Eva. Acredito que o mundo seria bem melhor, teríamos menos homens machistas e mais mulheres que se respeitam e que não se deixam subjugar.

(para uma amiga, que ontem, mais uma vez, me pediu ajuda porque foi espancada pelo marido, porém se recusa a denunciá-lo e a se separar dele, dizendo que o ama. Socorrê-la sempre vou, entendê-la... jamais!)

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terça-feira, maio 20, 2008

terça-feira, maio 20, 2008

Frio, Insônia & Saudade

Estou sem inspiração e com muito frio. Dormir não consigo, nem tenho coragem de ir para cama, estender o braço e encontrar o vazio.

Eu só queria você aqui comigo. Estou com saudade. Ontem deu tudo errado, nossas horas foram marcadas por ausências, silêncios prolongados e pelo desencontro no final da noite, início de madrugada.

Não sei quanto tempo o tempo dura, nem sei se amanhã sentirei o mesmo, mas acho que isso não importa, nada tem importância, a não ser o agora, porque agora eu sinto vontade de reviver sensações que já não sentia, que estavam adormecidas em mim e você fez despertar.

(tem um furacão rodopiando nos meus sentidos).

Já quase amanhece o dia, o frio me castiga e o meu sono continua a vadiar.
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domingo, maio 18, 2008

domingo, maio 18, 2008

Meu Desejo


Que a sua língua me invada

e seja o alimento que mais aguça

do que mata a minha fome.

é este o desejo que me consome!


(agora, neste momento, no meio da madrugada)



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sexta-feira, maio 16, 2008

sexta-feira, maio 16, 2008

Medo & Desejo


Tudo que é demais
me assusta,  me apavora,
mas se o medo me come,
o desejo me devora.
então não tenho escolha,
fecho os olhos e me jogo
inteira em seu colo.

Se eu chorar, me consola?
Se eu quebrar, você me cola?

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quarta-feira, maio 14, 2008

quarta-feira, maio 14, 2008

Outono e Felicidade

Para mim o outono é a mais bela e romântica estação do ano. Suave e doce. É quando a natureza se despe de suas cores de verão e se veste de tons castanhos, rubros, dourados e adormece para se renovar.

Tudo nesta estação me encanta, o frio das madrugadas, a dança do vento com as árvores, o cair das folhas, a música que se ouve pelo ar, as manhãs claras e ensolaradas.

É sempre no outono que a felicidade se faz mais presente em minha vida e desta vez não foi diferente, ela veio tão de repente, quando eu ainda me encontrava distraída, não sei quem a enviou, talvez tenha vindo naquele minuano que soprou lá do sul, só sei que chegou por inteira, absoluta e verdadeira, embrulhada num velho moletom azul.


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segunda-feira, maio 12, 2008

segunda-feira, maio 12, 2008

O Alazão


Um belo alazão, selvagem, não reconhece dono, não se deixa domar, muito menos montar, corre livre e solto pelos campos, sem arreios, sem cabresto.

Às vezes se aquieta em algum canto para pastar, mas só por alguns instantes, logo o vento muda de direção e lá se vai ele a galope, ligeiro, atrás de outras pastagens, para saciar suas vontades.

É assim meu coração; igualzinho a esse Alazão.
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sábado, maio 10, 2008

sábado, maio 10, 2008

Ser Mãe


Se tivesse que escolher entre todos os meus momentos, o mais sublime e feliz, escolheria aquele, quando pela primeira vez, senti meu ventre ser chutado, tocado, pelo lado de dentro.

Só as mães conhecem essa felicidade!

O meu carinho para todas as mães, inclusive para aquelas que foram tocadas apenas no coração e acolheram, como se fossem seus, os filhos que chutaram outros ventres.

Feliz Dia das Mães!

Salve Maria! Mãe de Deus, minha Mãe, minha proteção, meu consolo, minha força, a Luz que me ilumina!


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quinta-feira, maio 08, 2008

quinta-feira, maio 08, 2008

O Poeta!

Meu irrequieto coração me fez atravessar as montanhas de Minas para procurar novas sensações em terras paulistanas e foi assim que eu o encontrei;

Maternidade do texto, o nome chamou minha atenção, sabia que só um Poeta, de sensibilidade impar, poderia habitar ali.

Entrei de mansinho e logo me encantei. Emocionada com a beleza de todas suas crias, lambi e embalei cada uma delas, por várias e várias madrugadas, sempre silenciosamente, por timidez e por não conseguir expressar, por palavras, a minha admiração pelo Poeta-pai, criador daqueles lindos poemas, textos e prosas. Porém, a vontade de conhecê-lo era tanta, que me enchi de coragem, murmurei um elogio, deixei meu rastro e, para minha imensa alegria, nos conhecemos.

Desde então, cada vez mais, me apaixono pelo seu poetar, pelo seu talento, pelo seu charme...

Fábio Reoli é o nome dele, Poeta e fotógrafo, assim se define, mas é um alquimista, transforma sonhos em versos e fotos em poemas, pura magia.

Meu inspirado e inspirador Poeta, sabe que lhe gosto muito e da admiração que lhe tenho, dos sentimentos e das várias emoções que desperta em mim, mas sabe também que eu nunca conseguiria descrevê-los, falta-me o seu dom para lidar com as palavras e compô-las em poesia, portanto, apenas, coloquei minha alma e meu coração nas pontas dos dedos para lhe prestar esta pequena homenagem.

(Palavras outras, prefiro dizê-las boca a boca.rs)

Meu carinho, te beijo. ♥


VIÇO
Fábio Reoli

toco teu corpo úmido
como quem desfolha um bem-me-quer entre os
dedos
cedendo ao chamamento da carne
entregue a face faminta do desejo

orgia dos sentidos
letras transmutadas em língua
escrevendo palavras obscenas em teu ouvido

meu todo a te possuir
e tuas unhas desenhando com sangue minha pele
sem ferir

vem devora
faz de mim teu Universo
o êxtase que para outros é prosa
para mim é gozo sussurrado em verso


*****

(O post foi escrito em verde, uma homenagem ao Palmeiras, Campeão Paulista, o time do coração do Poeta)
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terça-feira, maio 06, 2008

terça-feira, maio 06, 2008

Princípio

um deslizar de língua

um roçar de dedos

o princípio de tudo

do despertar do desejo

ao êxtase absoluto


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domingo, maio 04, 2008

domingo, maio 04, 2008

Depois do Fim

Assim que ele saiu porta afora, ela sabia que tudo estava acabado e que deveria seguir adiante;

Tomou um longo banho de chuveiro, esfregou a pele até que saísse o cheiro dele, trocou toda a roupa de cama, abriu a janela, deitou-se sobre os lençóis limpos e deixou que a brisa a acariciasse.

Não tinha lugar nenhum para ir, nem ninguém para encontrar. Não mais esperaria ansiosa por ele, passaria suas noites sozinha, mas não precisava dele para se sentir completa. Não precisava do ato do amor para se convencer que estava viva ou para espantar o tédio. Fechou os olhos, saboreou a sua própria presença e o silencio que a envolvia. Não queria ouvir nenhum som, nem vozes, nem música, nem as notícias do dia. Não lhe importava o que acontecia no mundo lá fora, como o tempo gastava suas horas.

Quando adormeceu, sonhou ser ainda uma criança que nadava numa lagoa de águas límpidas e que saia de lá renascida. Depois foi a vez de sonhar com uma enorme lua e todo o universo girando à sua volta, em órbitas muito distantes e inatingíveis.

E mesmo ainda meio adormecida, teve a certeza de que se lembraria desses momentos pelo resto da sua vida, seu intervalo de alívio, de pureza, quando a acomodação, as mentiras, o medo e a angustia não mais a afligiam.

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quinta-feira, maio 01, 2008

quinta-feira, maio 01, 2008

Anemia

(tela de Bruno di Maio)

Por mais escutar do que ser escutada

por mais consolar do que ser consolada

por tanto acolher a dor alheia

no seu peito no seu ser

escondendo as próprias mágoas

de tanto engolir suas lágrimas

seu sangue acabou virando água.


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