segunda-feira, março 31, 2008

segunda-feira, março 31, 2008

Porque hoje é dia 31 de março...


Cabelos revoltos e precocemente brancos, boné, olhar angustiado, mãos nervosas, com dedos longos e deformados como se tivessem sidos esmagados (e foram), este era Lucas, primo do meu avô.

O ano, o de 1981, eu tinha oito anos de idade quando ele chegou, vindo de um longo exílio no exterior e meu avô lhe deu abrigo, pois ainda era fugitivo, não tinha sido anistiado.

Lucas era filósofo, professor de História do Brasil na UFMG e pianista e fora delatado, por vizinhos, ao alto comando das forças armadas, em 1966, porque costumava tocar, ao piano, o Hino da Internacional Socialista.

Sua casa foi invadida pelos militares, seus escritos confiscados e queimados, foi considerado inimigo do Brasil e da ordem vigente, pois encontraram em sua biblioteca livros de Dostoievski, Tolstoi , Karl Marx, Bertolt Brecht, entre outros, o que à época era sinônimo de ser comunista.

Lucas foi preso e torturado nos famosos porões da ditadura militar e uma das várias torturas a que foi submetido foi ter seus dedos quebrados e esmagados, para que nunca mais pudesse tocar piano.

Mesmo criança, me senti atraída pelo sofrimento que vi estampado no rosto daquele homem e foi, escondida debaixo da mesa, ouvindo as conversas dele com o meu avô, que aprendi conceitos novos como justiça, igualdade e solidariedade e o principal,o valor da liberdade.

Mais tarde, já adolescente, me declarei socialista e me filiei ao Partido dos Trabalhadores-PT

E por que estou falando sobre isso? Porque hoje é dia 31 de março e, exatamente hoje, faz 44 anos que se iniciou no Brasil , e durou por vinte anos, o período mais triste e negro da nossa história, quando a Constituição foi rasgada e a palavra Liberdade abolida do nosso vocabulário.

Carrego a cor da esperança nos olhos e acredito e tenho fé que tempos como aqueles ficaram no passado, embora não possam ser esquecidos e que dias, cada vez, melhores, iremos viver aqui no País, em plena democracia.

Ditadura e tortura nunca mais!


"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros".

"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário"

(Che Guevara)



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sábado, março 29, 2008

sábado, março 29, 2008

Como Água


Quem dera fosse fogo
esse meu amor
(fogo se apaga).

meu amor é pura água,
que bate, bate e bate
em pedra dura,
pelos olhos deságua,
mas nunca se acaba.

(talvez um dia essa pedra
se transforme em espuma).


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quinta-feira, março 27, 2008

quinta-feira, março 27, 2008

Insone

Não consigo mais dormir,

apesar de todo meu cansaço...

talvez pelo excesso de espaço,

talvez pela falta dos seus braços,

que foram amputados de mim.


(dormir é dar pausa no viver,
é um quase morrer
e, por alguns momentos,
me esquecer de você.)



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terça-feira, março 25, 2008

terça-feira, março 25, 2008

Paixão Preto e Branco


Hoje minha Beagá amanheceu em preto e branco, declarando o seu amor ao Clube Atlético Mineiro, O Galo Forte Vingador, que completa nestes 25 de março, 100 anos de história e de glórias.

Amor maior não há, na alegria e na tristeza, nas vitórias e nas derrotas, o atleticano veste sua camisa, pega sua bandeira e canta pela cidade a sua paixão pelo Galo.

Rimar paixão com emoção, não me faz poeta, conhecer vários termos que possam expressar o que esse Clube Centenário representa na minha vida, não me torna escritor, então cedo a palavra a quem soube definir, lindamente, o que é ser atleticano, o que é o Clube Atlético Mineiro para o seu torcedor.


Para torcer contra o vento

Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento.
Ah, o que é ser atleticano?
É uma doença? Doidivana paixão? Bênção dos céus? a sorte grande?
O primeiro e único mandamento do atleticano é ser fiel e amar o Galo.
Daí, que a bandeira atleticana cheira a tudo neste mundo.
Cheira a mulher amada. Cheira a lágrimas. Cheira a grito de gol.
Cheira a dor. Cheira a festa e a alegria. Cheira até mesmo perfume francês.
Só não cheira a naftalina, pois nunca conhece o fundo do baú,
tremula ao vento.
A gente muda de tudo na vida. Muda de cidade. Muda de roupa.
Muda de partido político. Muda de costumes. Até de amor a gente muda.
A gente só não muda de time, quando tem as iniciais CAM,
do Clube Atlético Mineiro, gravada no coração.
É um amor cego e tem a cegueira da paixão.
Já vi o atleticano agir diante do clube amado
com o desespero e a fúria dos apaixonados.
Já vi atleticano rasgar a carteira de sócio do clube e jurar:
- Nunca mais torço pelo Galo!
Já vi atleticano falar assim, mas, logo em seguida,
eu o vi catar os pedaços da carteira rasgada e colar,
como os amantes fazem com o retrato da amada.
Que mistério tem o Atlético que, às vezes, parece que ele é gente?
Que a gente associa às pessoas da família (pai, mãe, irmão, tio, prima)?
Que a gente o confunde com a alegria que vem da mulher amada?
Que mistério tem o Atlético que a gente confunde com uma religião?
Que a gente sente vontade de rezar “Ave Atlético, cheio de graça?”
Que mistério tem o Atlético que,
à simples presença de sua camisa branca e preta, um milagre se opera?
Que tudo se transfigura num mar branco e preto?
Ser atleticano é um querer bem. É uma ideologia.
Não me perguntem se eu sou de esquerda ou de direita.
Acima de tudo, sou atleticano e,
nesse amor, pertenço ao maior partido político que existe:
o Partido do Clube Atlético Mineiro, o PCAM,
onde cabem homens, mulheres, jovens, crianças.
Diante do Atlético todos são iguais:
o bancário pode tanto quanto o banqueiro,
o operário vale tanto quanto o industrial.
Toda manhã, quando acordo, eu oro:
obrigado, Senhor, por me ter dado a sorte de torcer pelo Atlético.

Roberto Drummond

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segunda-feira, março 24, 2008

segunda-feira, março 24, 2008

Não me Ouves?

O que me impede de partir
agora que tudo acabou,
que só restam as cinzas
desse nosso amor?

tão fácil ir até a porta da rua,
não olhar para trás,
apagar a luz e sair,

mas fecho os olhos,
fecho-me em mim.
sinto que ainda estou presa
debaixo da tua pele,
deixo-me ficar mais um pouco
e louca de desejo te chamo.

depois nua colada ao teu corpo,
encosto a minha boca no teu peito,
dou-te um beijo e grito:

não me ouves?
ainda te amo!

meus olhos continuam verdes.



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sábado, março 22, 2008

sábado, março 22, 2008

Páscoa

Ele morreu por amor a mim e eu vivo por amor a Ele!



Páscoa significa renascimento, seja


para um novo modo de vida, para o amor, para a amizade;


Se na sua vida existe algo que não está bom,


é o momento de parar, recomeçar e renascer para a felicidade!


Feliz Páscoa!




Felipe e o Ovo da Páscoa


Uma professora ensinava alunos do terceiro ano, todos na faixa dos oito anos;

Um dos seus alunos era um menino chamado Felipe. Felipe tinha síndrome de Down e apesar de parecer feliz, mostrava cada vez mais sua sensibilidade, ele se sentia diferente ds colegas e também não era bem aceito por eles.

Felipe não escolheu ser diferente, não queria ser diferente dos outros alunos, mas ele era. E todos sentiram isso.

Certa feita, durante a páscoa, a professora levou para a sua aula dez ovos de plásticos vazios. Cada aluno iria receber um ovo. O objetivo era que as crianças saíssem para o jardim e procurassem um símbolo de vida renovada, para recheá-lo.

Todos saíram correndo procurando achar algo para colocar dentro do seu ovo. Em pouco tempo voltaram e depositaram seus ovos numa mesa. Daí a professora começou a abrí-los.

Ela abriu um e dentro tinha uma flor. Todas as crianças ficaram admiradas. Ela abriu outro e tinha dentro uma borboleta. As meninas disseram "Ai que lindo! Que bonito!" Os meninos não disseram muita coisa, por que meninos são assim, não é?

A professora abriu um terceiro ovo, mas não tinha nada dentro. Imediatamente todos começaram a rir e gritar "Isso não está certo. Que coisa boba. Alguém errou!"

"É meu" disse Felipe. “É meu." As crianças começaram a rir e dizer "Ai Felipe, você nunca faz nada certo! Você tá sempre por fora!"

"Eu fiz certo, eu fiz" disse Felipe. "É o túmulo. O túmulo está vazio!"

Toda a classe ficou em silencio. Ninguém disse nada, ninguém mais achou que Felipe fosse estúpido e de repente ele foi aceito pela turma.


Naquele mesmo ano, Felipe faleceu e no seu velório, nove crianças de oito anos de idade colocaram em cima do seu caixão um ovo de plástico-vazio.

Como o menino Felipe, Jesus foi visto e tratado por todos que o conheceram como alguém diferente.

Ele também não foi compreendido. Não foi entendido. Ele foi rejeitado. Foi perseguido. Jesus também deixou uma herança - algo vazio - seu túmulo.

Quando você pensar sobre seu próprio túmulo, com toda sua finalidade, com todo o poder que ele tem sobre você, com toda sua humilhação, lembre-se de uma coisa. Um dia seu túmulo estará vazio - graças a Jesus.

(traduzido e adaptado de Harry Pritchet Jr. em Jornal de Teologia de St. Luke's- Junho 1976, baseado em fatos)


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quarta-feira, março 19, 2008

quarta-feira, março 19, 2008

Paixão, Jesus & Maria


Nestes dias quando relembramos a paixão de Cristo, muitos se esquecem que dor maior foi a de Maria, A Escolhida, para ser mãe Daquele que escolheu se deixar crucificar para nos redimir e salvar.

Jesus não somente se submeteu desejosamente ao plano de seu Pai (“Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” Lucas 22.42); ele também o abraçou e prosseguiu por sua própria autoridade divina.

Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” (João 10.17-18).

Ele escolheu morrer. Seu Pai ordenou. Ele aceitou. Um ordenou todas as coisas, o outro obedeceu. A autoridade estava nas mãos de Deus. E estava nas mãos de Jesus. Porque Jesus é Deus.

Mas Maria, pobre Maria, não teve alternativa e só quem, como ela, segurou nos braços um filho morto, sabe o tamanho dessa dor, dos espinhos que fizeram sangrar seu coração.

Que seja feita a vontade do Pai, sempre, mesmo que não consigamos entendê-la, há de ter alguma explicação e só nos cabe aceitá-la, mesmo chorando todas as lágrimas.
Amém!
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segunda-feira, março 17, 2008

segunda-feira, março 17, 2008

Sexto Pecado


A menina que foi um dia,
sorriso despreocupado
de alegria constante,
acreditava que a vida
era uma aquarela florida,
pintada com pinceis de sonhos.
os anjos a protegeriam de todo o mal
e que existia um só diabo,
aquele de chifre e rabo,
facilmente identificado.

Mas cresceu e descobriu
que são muitos os demônios,
de todos os tipos, de várias formas,
que surgem de todos os lados
e que seus poucos anjos,
são anjos caídos de asas quebradas,
fracos para evitar que ela seja tentada
e cometa, diariamente,
o sexto pecado.


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sexta-feira, março 14, 2008

sexta-feira, março 14, 2008

Por Culpa do Tempo


Ele, apressado, chegou muito adiantado e ela, por não saber onde estava ou se era esperada, chegou bastante atrasada.

quando, enfim, conseguiram se encontrar, ele já pensava em partir e só ainda estava por cá, à espera de alguém, que o levasse.

ela quis saber para onde ia, ele respondeu que ia para além do nada. e onde ficava o além do nada? ela perguntou, e ele respondeu que o além do nada não se situa, não é lugar, era um não mais sentir e, portanto, ele já devia ter ido, já que nada mais sentia...

deu-lhe um beliscão, ele gritou de dor e ela disse triunfante:

-você sentiu dor!

- dor é tudo que sinto e por isso quero logo partir para onde nada mais existe, nem a dor de agora, nem o prazer de outrora, que hoje me é negado.

ela tentou distraí-lo, impedir a partida, agora que o havia encontrado, não queria que se fosse e pediu que lhe contasse sua história e ele contou, ela mais ainda se encantou, lamentou-se por ter chegado tão tarde e sentiu saudade de um tempo que não tinha vivido.

ele então acrescentou:

-minha inocente menina, não se lamente, só lhe contei o que podia ser contado, minha vida teve dois lados, um, o que lhe foi confidenciado e outro que não foi revelado, obscuro, com gosto de pecado. eu amei todas as mulheres e por elas fui usado e depois abandonado.

- não acredita mais no amor? não quer ser amado?

- não acredito mais em nada, muito menos nas mulheres e nos prazeres que ainda possam me proporcionar, continuo sendo usado e hoje me faço de mutilado, estou velho, cansado e, por favor, me deixe aqui sossegado, esperando a minha hora de partir, com aquela que há de vir me buscar, a última que vai me possuir.

sem saber o que falar, o que fazer ou como agir, ela se calou, mas não se foi, ficou também a esperar e a rezar;

tempo, tempo, fique parado sem fazer alarde, tenho medo, já me fez perder a hora, não deixe que o agora vire passado, não quero que já seja tarde, pois ainda é muito cedo, para que ele se deixe levar embora!


(antes, nunca tinha conhecido um Homem como ele).


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quarta-feira, março 12, 2008

quarta-feira, março 12, 2008

Sorvete de Abacaxi com Coco


Lembra amor,
como eu gostava de sorvete
de abacaxi com coco?
nunca mais quis tomar um,
depois que nos perdemos um do outro.
temia que tivesse seu gosto,
o gosto que já esqueci,
depois de beijar outras bocas.
mas hoje não resisti,
comprei o tal sorvete
de coco com abacaxi.
algumas lambidas poucas
e senti sabor de passado,
(que já nem me lembrava)
das tantas madrugadas,
quando nove meses enjoada,
não podia comer nada
e você saia louco, apressado,
para me comprar o sorvete
de abacaxi com coco.
poderia ter sentido saudade,
se ainda me lembrasse
de toda aquela felicidade.
e não vai ser um sorvete
de coco com abacaxi,
que vai me fazer esquecer,
que já faz muito tempo,
que eu me esqueci de você.

(* imagem J.S.H)


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segunda-feira, março 10, 2008

segunda-feira, março 10, 2008

Oásis


estava eu no deserto,

faminta, sedenta e perdida,

sem saber o rumo certo,

se voltava ou se seguia,

até que encontrei um oásis,

onde matei minha sede

e a fome que me comia.


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sábado, março 08, 2008

sábado, março 08, 2008

Mulher


Você que ainda me maltrata,
me violenta, me estupra,
me espanca todos os dias;

você que ainda me escraviza,
que não respeita
as minhas conquistas,
os meu direitos;

você que ainda me sufoca,
que não me ama e só meu usa,
que usurpa os meus espaços,
que rouba a minha alegria...

não venha me oferecer flores,
neste oito de março!



Que neste século se realize o nosso verdadeiro parto,
que além de vida, possamos gerar fatos, que nos permitam ocupar o espaço
que nos foi usurpado e conquistar o que ainda nos falta ser conquistado



se mil vidas eu ainda tiver para viver,
em todas elas mulher eu quero ser.




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quarta-feira, março 05, 2008

quarta-feira, março 05, 2008

Como um barco


barco atracado não naufraga

e ela se deixou ficar,

parada, por muito tempo,

sempre no mesmo lugar.

até que resolveu ousar,

soltou as amarras,

recolheu âncoras

e saiu a navegar,

sem bússola, sem leme

à deriva, sem direção,

apenas à flutuar

seguindo a luz do sol

e o clarão do luar.




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segunda-feira, março 03, 2008

segunda-feira, março 03, 2008

Sem Palavras

Sem palavras...

é assim que me encontro;

presa num silêncio cheio de sentimentos contraditórios
e sem poder expressá-los.

minhas palavras (todas) se puseram em fuga
e deixaram em seu lugar apenas interrogações e reticências...

não encontro nem vírgulas que possam pausar o meu pensar
e acalmar meu coração desassossegado.

(talvez eu mesma as tenha expulsado para calar essa nova mulher
que teima em romper minhas entranhas e nascer de mim)


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