quinta-feira, fevereiro 28, 2008

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Verdades e Mentiras


Sonhava realidades e realizava sonhos. Às vezes, gostava de escrever a própria história e, em outras, apreciava representar as histórias que inventava. Não tinha compromisso com a verdade e tampouco com a mentira, mesclava as duas. Mas era sempre sincera, não com todos, mas com ela própria, embora nunca fosse a mesma todos os dias. Era múltipla. Ao acordar, nunca sabia qual mulher a esperava no espelho e só ao se defrontar com ela, escolhia a história real que viveria naquele dia.

Quando aquele homem a olhou nos olhos e perguntou se poderia ter esperança, ela disse que sim, mesmo sabendo não ser verdade, mas também não era mentira, ele era dono do seu destino, das suas vontades, poderia ter o que quisesse ter, não era problema dela, mas nunca a teria.

Sempre foi assim, quando tinha quatorze anos, o padre lhe perguntou, em confissão, quais os seus pecados, não tinha o que contar, mas não queria decepcioná-lo, já que ele se julgava o grande salvador dos pecadores e inventou um bem cabeludo, mas não considerou que mentia, se ainda não o havia cometido, certamente um dia cometeria, então não era mentira, era apenas uma verdade que ainda iria acontecer e, claro, que também não pagou a penitência, isso ficaria pra depois

Acreditava que a vida fosse um grande penhasco, poderia tentar se equilibrar ou sentar e nada fazer, mas decidiu que era um lugar bom pra mergulhar de cabeça e mergulhou.

Uma única vez se permitiu ser totalmente verdadeira e fez um strip-tease de alma. Desnudou-se, mostrou-se por inteira e o resultado foi tão desastroso, que se arrependimento matasse, estaria morta, cremada, com as cinzas espalhadas, pelo vento. Talvez até já esteja.
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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Felicidade


Madrugada na Serra,
a música das cachoeiras,
como velas as estrelas
e a lua branca a espiar.

Lado a lado,
amor e liberdade.

Quando o sol clareou a noite,
anunciando um belo dia,
ainda estávamos abraçados.

Já voltei de lá
e minha alegria é tanta,
que não me cabe no peito.

Um fim de semana
mais do que perfeito,
de pura felicidade.

E para você, amor,
palavras poucas,
obrigada pelo sorriso,
que deixou na minha boca.

(já havia me esquecido
como você fica bonito,
dormindo ao meu lado).

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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Amor de madrugada

Início de madrugada,
um encontro inesperado,
o amor do passado.
olhos sorridentes,
abraço apertado,
beijos molhados,
um toque de língua
na orelha.
corpos suados,
a procura e a entrega;
ele líquido vertido,
ela recipiente.
despedidas apressadas,
ela serena e saciada
como gata
depois do cio.


A Paula Barros me presenteou com este selo, que ofereço a todos os amigos que me prestigiam.

Obrigada querida, por mais este carinho.


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quarta-feira, fevereiro 20, 2008

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Mágoa

Não choro por saudade

ou por amor.

Choro de mágoa.

Estou silenciosa,

até que meu coração

se esvazie e esqueça,

que foi você

quem a causou.

Tem mais sal do que água,

nestas minhas lágrimas.


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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Filhas de Eva


Duas mulheres, duas amigas; a morena Clarissa, a loira Eleonora.

Clarissa, uma mulher decidida, profissionalmente realizada, arrojada, bem resolvida, falante e sedutora, mas na hora do amor, se punha de quatro, implorava por maus tratos, queria ser encoleirada, humilhada, sodomizada - ­se dizia submissa.

Eleonora, moça tímida, frágil, envergonhada, mansa e gentil, porém na hora do sexo, se punha a galope, chicoteava, maltratava, usava e abusava do outro, comandava o ato – uma dominadora.

As duas se amavam e se apaixonaram pelo mesmo homem, de nome Juvenal; bissexual, sado-masoquista, cujo lado feminino se encantou por Eleonora e o lado macho se apaixonou por Clarissa.

Como sádico, se divertia em maltratar Clarissa e como masoquista, gozava a dor que lhe impunha Eleonora.

Os três se completaram e viveram um estranho caso de amor, um triângulo feliz, cujos vértices se invertiam, até que Juvenal conheceu o marinheiro John Smith, tatuado, loiro, alto, e ...
bem, essa história ainda não acabou, o final conto outro dia.

E como dizia Drummond:

“Mundo, mundo, vasto mundo,
Se eu me chamasse Raimundo,
Seria uma rima
Não uma solução”.
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sábado, fevereiro 16, 2008

sábado, fevereiro 16, 2008

Dor

Há dias que a dor nos assalta

de forma tão desmedida,

aguda e inesperada

que o coração se encolhe

e duvida...

(que possa suportar)



De todas as dores que sofri,

a mais dolorida

foi a dor dos meus braços,

tão vazios de ti.

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Inocência Ultrajada

Apenas uma garotinha
carregando sua boneca;

mas no seu ventre,
o filho, do próprio pai, se mexia,
nas primeiras manifestações
de vida...

e a menina estuprada,
usada, ultrajada,
sorria embalando a boneca
que, para ela,
era a única certeza de
maternidade possível



Para Chiquinha, uma menina de apenas 11 anos, grávida, violentada pelo próprio pai.


Pedofilia não é um termo jurídico. Trata-se de um termo médico, referente a um transtorno sexual, cujo diagnóstico depende de uma reiteração de fantasias por um período mínimo de seis meses. Os abusos sexuais contra menores podem configurar os crimes de estupro, atentado violento ao pudor, ato obsceno, corrupção de menores, ou até mesmo as infrações penais previstas nos artigos 240 e 241 do ECA, mas nunca um inexistente crime de pedofilia.


Pesquisas demonstram que a maioria dos casos de violência sexual contra menores são cometidos por pessoas normais, e não por pedófilos. Mais que isso, menos que 1% dos pedófilos, diagnosticados como tais, chegam a abusar sexualmente de crianças.


Fontes: Mariza Lourenço; JurisWay


Li que alguns blogs estão participando de blogagem coletiva contra a pedofilia, em defesa da inocência; como trabalho com menores, abusados sexualmente, quis dar a minha colaboração.

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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Meme

A Grace Olsson, do Blog Renascendo das Cinzas, me desafiou a responder este meme, com a incumbência de repassar para mais cinco blogueiros, mas vou fazer diferente, convido, a quem quiser, respondê-lo no sistema de comentários.

Se eu fosse...

*Um livro

Seria Alice no país das Maravilhas de Lewis Caroll

Por não suportar monotonia, por procurar novas emoções, mesmo que envolvam vários riscos.

*Um Herói

Complicado responder, nunca me imaginei herói ou heroína, talvez fosse um dos Inconfidentes, por ter o sangue deles correndo em minhas veias, pelo meu amor à liberdade e à justiça.

*Um Vilão

Vou optar por quem foi considerada uma vilã e responsável pelos males da humanidade; seria Eva, pois também não respeitaria à proibição de comer o tal fruto, sem que me fossem dadas as razões dessa proibição e, claro, tentaria seduzir o Adão.

*Uma Personagem Secundária.

Seria o Gato de Cheshire, ou Gato Risonho, um dos companheiros de Alice em suas aventuras. Pelo seu sorriso, por ser esse um dos seus maiores predicados (dizem ser também o meu) e pela sua capacidade de aparecer e desaparecer, subitamente.

*Um Espaço:

Qualquer um ao ar livre, com muita água, onde houvesse respeito pela fauna e pela flora.

*Um Narrador.

Iosif Landau, pela sua narrativa vibrante, pela coragem de verbalizar o que muitos calam, por transformar vida em palavras. Suas letras quando alegres fazem sorrir, gargalhar, porém quando tristes, doem, ferem mais do que corte de navalha. Não é possível ficar indiferente aos seus escritos. Mas apenas gostaria de ser Iosif Landau, nunca poderia ser ele, só ele pode.

*Um Gênero Literário

Sou eclética, gosto de vários gêneros literários, mas eu, com certeza, seria poesia, se boa ou ruim, não sei dizer.

*Um tempo

Hoje, sempre.

*Uma Frase de um Livro

“eu quero a palavra dita, rente ao corpo, inseparada do corpo, língua, boca, braço, mão, gesto, movimento do eu e do outro, do eu para os outros e de novo destes para mim, a palavra que está no princípio do eu e do mundo e da vida e que é talvez, talvez, o amor"
(Teolinda Gersão, O Silêncio)

*Uma Pergunta de um Livro

Ó morte, por que não és negada aos vis, por que não és prêmio apenas para os fortes?
(em Farsália de Lucano)

Também gostaria de saber, porque penso que esta vida seja um aprendizado, uma passagem, para uma outra bem melhor.

*Um Escritor

Clarice Lispector, por me identificar com seus escritos.

*Uma escola Literária

Romântica

*Um Título de Um Livro

Enterrem Meu coração na Curva do Rio, de Dee Brow. É o relato da destruição sistemática dos índios na América do Norte. Este livro muito me emocionou.

*Uma Capa de um Livro

Apenas uma capa simples, preto no branco ou branco no preto, o que importa é o conteúdo.

É isso!

Agora é com vocês...

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sábado, fevereiro 09, 2008

sábado, fevereiro 09, 2008

A Morte de Zé Elias


A primeira vez que tive contato com a morte tinha sete anos de idade e, confesso, achei tudo muito divertido.

Foi quando o velho Zé Elias morreu...

Zé Elias era um paraense que há muito tempo trabalhava na fazenda do meu avô. Diziam que tinha prá lá de 120 anos e sua única função era entreter a criançada com as histórias e lendas do seu amado Pará. Contava, entre outras, sobre os botos que se transformavam em homens e encantavam mulheres; sobre personagens que protegiam animais e plantas da floresta, desnorteando caçadores e sobre crianças geradas por índias grávidas da cobra-grande.

Era cuidado pela negra Jovina, mulher forte, de mãos calosas e de carnes abundantes.

Todas as manhãs, religiosamente, Jovina se dirigia à casinha de Zé Elias, o banhava, alimentava e o levava até a varanda, para tomar um pouco de sol.

Mas naquele dia, quando ela chegou para cuidar do velho, o encontrou duro, gelado, com os olhos arregalados. Fez o maior escarcéu e saiu gritando pelas redondezas

- O velho morreu! O velho morreu!

Foi um corre-corre na fazenda, a maior tristeza e trataram de providenciar o velório de Zé Elias ou cantar as sentinelas, como era costume lá pelas bandas do Pará.

Colocaram o morto sobre a mesa, acederam às velas e começaram a exortação:

Vá com Deus!
Lembre-se do nome de Jesus!
Olhe para a vela que alumia seu caminho!

E numa cadência pungente, como se fossem o próprio defunto, recitaram:

Aflita se viu Maria,
Aflita aos pés da Cruz;
Aflito me vejo eu,
Valei-me, Mãe de Jesus!

Uma voz cavernosa de homem bradou um “responso” triste:

Repouso eterno dai-lhe Senhor!

E o coro respondeu:

Da luz perpétua, o resplendor!

Depois do "repouso eterno", cantaram-se as "excelências”:

Uma excelência vai com vós;
Uma excelência da Virgem da Piedade.
Que é nossa Mãe,
Bendita, Dolorosa, Imaculada!

Alma, ó alma!
Que estás esperando?
Por uma excelência?
Já estamos cantando!

Depois de entoadas as excelências, as rezadeiras foram preparar o defunto para o enterro. Seria banhado e massageado com óleos perfumados e foi nessa hora que tudo aconteceu...

Quando as piedosas tocaram o corpo do velho, uma parte da sua anatomia se manifestou de forma irrefutável. Foi uma gritaria geral, as mulheres se atropelavam, todas queriam ver e pegar no “milagre”. Fizeram fila, deram Graças, pois Zé Elias não só estava vivo, mas continuava muito macho e o velório terminou em festança.

E o “ressuscitado”?

Quando foi questionado sobre o acontecido, respondeu com cara de safado feliz:

- Só um truquezinho que aprendi com as velhas índias do Pará, mandei minha alma passear um pouquinho, me fiz de morto, porque queria ser acariciado por mãos femininas mais suaves que as mãos de Jovina.

Zé Elias ainda viveu vários anos, sempre visitado pelas mulheres da região, principalmente pelas casadas.

Quando certa feita o encontraram novamente duro, frio, com os olhos arregalados, os homens providenciaram para enterrá-lo rapidamente, sem que fossem cantadas as sentinelas.

Por muito tempo acreditei que a morte era apenas uma comédia.
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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Analogia

Branca e pálida a lua

deslizava no céu entre nuvens,

que choviam gotas de prata.

Os pingos que caiam

sobre a minha pele nua,

eram teus dedos bailarinos,

dançando bela e ritmada coreografia,

por toda a minha geografia.



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sábado, fevereiro 02, 2008

sábado, fevereiro 02, 2008

Maria Madalena


Foi com emoção e alegria,
que escutou os primeiros tamborins,
o som da bateria;
Enfim era chegada a hora
de arrancar a máscara do rosto
e despir a fantasia.
Por três dias seria só Madalena,
jogaria fora seus desgostos,
suas penas
e brincaria a sua folia
até quarta feira,
quando se fantasiaria de Maria,
para viver mais
trezentos e sessenta e dois dias
de mentiras e agonia.

Um ótimo carnaval a todos,
de muita folia para quem é de folia
e de descanso para quem assim o desejar.

♪Até quarta feira,
quando volto a trabalhar,
sei que não preciso me inquietar,
até segundo aviso
ele prometeu me amar♪

Inté +

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Lembranças.

Depois de muitos anos,
resolvi abrir aquele baú
onde guardei meu passado;

As lembranças
me invadiram de tal forma,
que me encolhi toda
e me tranquei dentro dele,
junto com elas;

E lá ainda estou,
fechada como uma ostra,
que não conseguiu parir sua pérola.




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