sexta-feira, outubro 17, 2008

sexta-feira, outubro 17, 2008

era uma vez...


era uma vez uma moça —nem cinderela, nem gata borralheira— uma moça comum, que tinha desistido do amor e sua vida se transformara num tédio de causar pena. seu coração, sem ter por quem pulsar, para quem se declarar, estava fraco, afônico, quase mudo. tentando sair daquele marasmo, ela resolveu passar parte da primavera e talvez o verão naquele país estranho, onde tudo parecia funcionar à base de trocas, onde ratos eram usados como barcos e se navegava não pelos mares, mas por páginas e palavras.

achou que nunca se adaptaria, não entendia a língua falada naquele lugar, nem conhecia suas regras, se é que havia alguma. não se imaginava fazendo parte daquele povo formado por artistas que se revezavam entre palcos e platéias.

resolveu fazer as malas para partir e foi nessa hora, quando se encontrava distraída, que ela o viu e não se sabe se por gozação do destino, se por aquele sorriso de canto de boca, se pelos músculos desenhados sob a pele morena cor de jambo, ela se apaixonou perdidamente por ele.

assustada, percebeu seu corpo invadido por sensações há muito esquecidas e por outras jamais sentidas, mas mesmo assim tentou não entrar em pânico, pois afinal era apenas mais um homem e como todos eles eram tão iguais, tão previsíveis, seria só uma questão de dias, ele também viraria sapo e ela, na certa, se desencantaria.

passou a espreitá-lo em seus domínios, e por onde quer que ele passasse, num misto de desejo e de expectativa pela almejada transformação. porém o tempo foi passando, passando e ele continuava príncipe e a moça, coitada, ainda encantada, sem nenhuma chance de se tornar princesa, resignada, foi se deixando ali ficar. esquecê-lo não poderia jamais, pois aquela paixão tamanha já tinha preenchido todos os seus espaços, sem ela se esvaziaria e, sufocada, restaria murcha como um balão que perdeu o ar, no final da festa...



hoje o “Ressaca di Homi” completa um ano de existência e eu aproveito para agradecer aos que me aturaram e me prestigiaram nesses 365 dias. como a moça do meu texto, também pensei em passar apenas um verão por aqui, mas foram tantos os amigos que fiz neste período, que me sentiria mesmo com um balão murcho, sem gás, se me privasse do prazeroso convívio quase diário com vocês...


o meu carinho a todos e obrigada, obrigada, obrigada!







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