sábado, agosto 09, 2008

sábado, agosto 09, 2008

Sou Layla!


Não me cobre lógica, não me peça coerência, nem venha me falar de razão – só a paixão me move;
não qualifique, nem quantifique meus sentimentos e nem os compare a nada – deles só eu sei; eu e os meus fantasmas, eu e os meus medos;
sou pura emoção! não sei falar sobre passarinhos, quando grilos me ensurdecem e abutres voam salivantes sobre minha cabeça; nem de flores, quando só espinhos me ferem; não canto canções de amor, quando meus ouvidos só ouvem hinos de guerra; meus olhos nunca vertem poças – vertem mar profundo, intenso, passional;
não me cobre datas, não me estipule prazos – sou atemporal; não me imponha condições – sou incondicional;
às vezes, sou meu próprio furacão – me arrasto, me destruo, me devasto; em outras, sou brisa, vento – me balanço, me embalo, me carrego e noutras sou cimento, viga, tijolo – me ergo, me reconstruo. quando amo, sou música – me entoo, reverbero; sou fogo – me queimo, me ardo; sou água – me afogo, me inundo; sou meu problema, minha solução; meu veneno, meu antídoto; sou luz, sou escuridão; sou prisão, sou liberdade; sou escrava, sou rainha; sou amazona e montaria; meu querer não carece explicação, não tem tempo, nem hora – acontece quando e por quem tem que acontecer.
muitas me habitam – santas, profanas, crentes, piedosas, puras, pecadoras, corretas, erradas, imperfeitas, dominadoras, submissas; anjos e demonios correm velozes à minha volta, sem multa; mudo meu cenário, meu protagonista, meu enredo, meu roteiro; posso amanhecer nublada, entardecer ensolarada, estar enluarada ao anoitecer e tempestiva na madrugada;
por muitos nomes já me chamaram, mas só por um respondo, só um assino;

sou Layla!
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(apenas)