segunda-feira, julho 14, 2008

segunda-feira, julho 14, 2008

Por três noites... esperei!

Despi-me de todos os meus receios, dos meus medos, dos meus pudores e por três longas noites esperei por você na minha nudez envergonhada e trêmula;

(eu nua de todos meus outros eus, eu nua de máscaras, eu apenas eu, em todas aquelas horas).

enquanto lhe esperava vislumbrei outros vultos, senti-os debaixo das unhas, mas não fui de nenhum.

(que outro olhar não quero, que outra boca meus lábios não beijam, que outro peso meu corpo não sustenta).

o nome que calo é o seu, é você a sede que me abrasa, é seu o sabor da minha saliva, o gosto que sinto na língua.

por três solitárias noites supliquei-lhe em silêncio;

vem- toca-me - lambe-me - desgoverna os meus rumos - desvenda os meus segredos - despe-me deste casulo em que me guardo - consome tudo o que há em mim para consumir...

mas você não veio e eu continuei deserta.

por três frias noites eu me queimei até que virei cinzas.

(e ainda assim restou mais e mais de mim a arder).

e agora? quem irá me soprar? quem irá me espalhar?