quinta-feira, julho 03, 2008

quinta-feira, julho 03, 2008

Instinto Selvagem

quer tanto chegar onde ele deverá estar, que de suave e doce tornou-se arredia e teimosa. fez-se surda dos dois ouvidos à razão que lhe grita – não vá; não quer escutar e, ao contrário, acelera seus passos rumo ao inseguro, ao intocado, ao desconhecido. sabe que enfrentará todos os desafios, que terá que saltar por sobre as pedras do caminho. sabe também, que se for preciso, rasgará suas roupas, sua pele, seus pés e até a sua alma – irá sangrar, mas desta vez não vai recuar. está cansada de viver só de sonhos, de palavras e de expressões; quer o instinto selvagem e primitivo, quer o toque – seu corpo ardendo junto ao corpo outro – boca com boca, a mente alucinada gritando desejos profanos e ignora todos os argumentos contrários a sua vontade, está resolvida e determinada, segue em frente, não tem mais volta, vai em busca de quem lhe falta.

(e tomara que nenhum anjo ou demônio, com suas garras de águia, agarre seu corpo indefeso e a impeça de chegar lá... onde ele deverá estar).