sexta-feira, maio 30, 2008

sexta-feira, maio 30, 2008

Uma Noite Medonha


Minha noite está fria, calada, densa, se arrastando lentamente pelas horas e por estrelas opacas, sem brilho. Até a lua está pálida, minguada, talvez envergonhada de mostrar sua nudez para um céu gelado, sem encanto. Uma noite de sombras mortas, que não se movem pelas paredes. A solidão de todo este silêncio me invade, não ouço nem o barulho do vento, nem o miado de algum gato vadio espreitando desejos nos telhados. Será longo o meu caminhar até o amanhecer. Já teria gritado, não fosse o medo que o grito revele o que escondo em segredo. Estou mais uma vez sozinha, perdida no meio desta noite, que ainda nem sei se está mesmo medonha ou se só eu a sinto assim, se o universo está do avesso ou se eu que estou de ponta cabeça, sufocada pelo que me cala.

(é sempre durante as madrugadas que sinto mais saudade de quando você me tocava, daquele seu jeito tão intenso, tão íntimo, mesmo que fosse só com as suas palavras. Gostava de me abraçar com as suas letras, para depois deixá-las soltas, a correr pelos meus dedos).