domingo, maio 04, 2008

domingo, maio 04, 2008

Depois do Fim

Assim que ele saiu porta afora, ela sabia que tudo estava acabado e que deveria seguir adiante;

Tomou um longo banho de chuveiro, esfregou a pele até que saísse o cheiro dele, trocou toda a roupa de cama, abriu a janela, deitou-se sobre os lençóis limpos e deixou que a brisa a acariciasse.

Não tinha lugar nenhum para ir, nem ninguém para encontrar. Não mais esperaria ansiosa por ele, passaria suas noites sozinha, mas não precisava dele para se sentir completa. Não precisava do ato do amor para se convencer que estava viva ou para espantar o tédio. Fechou os olhos, saboreou a sua própria presença e o silencio que a envolvia. Não queria ouvir nenhum som, nem vozes, nem música, nem as notícias do dia. Não lhe importava o que acontecia no mundo lá fora, como o tempo gastava suas horas.

Quando adormeceu, sonhou ser ainda uma criança que nadava numa lagoa de águas límpidas e que saia de lá renascida. Depois foi a vez de sonhar com uma enorme lua e todo o universo girando à sua volta, em órbitas muito distantes e inatingíveis.

E mesmo ainda meio adormecida, teve a certeza de que se lembraria desses momentos pelo resto da sua vida, seu intervalo de alívio, de pureza, quando a acomodação, as mentiras, o medo e a angustia não mais a afligiam.