terça-feira, março 25, 2008

terça-feira, março 25, 2008

Paixão Preto e Branco


Hoje minha Beagá amanheceu em preto e branco, declarando o seu amor ao Clube Atlético Mineiro, O Galo Forte Vingador, que completa nestes 25 de março, 100 anos de história e de glórias.

Amor maior não há, na alegria e na tristeza, nas vitórias e nas derrotas, o atleticano veste sua camisa, pega sua bandeira e canta pela cidade a sua paixão pelo Galo.

Rimar paixão com emoção, não me faz poeta, conhecer vários termos que possam expressar o que esse Clube Centenário representa na minha vida, não me torna escritor, então cedo a palavra a quem soube definir, lindamente, o que é ser atleticano, o que é o Clube Atlético Mineiro para o seu torcedor.


Para torcer contra o vento

Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento.
Ah, o que é ser atleticano?
É uma doença? Doidivana paixão? Bênção dos céus? a sorte grande?
O primeiro e único mandamento do atleticano é ser fiel e amar o Galo.
Daí, que a bandeira atleticana cheira a tudo neste mundo.
Cheira a mulher amada. Cheira a lágrimas. Cheira a grito de gol.
Cheira a dor. Cheira a festa e a alegria. Cheira até mesmo perfume francês.
Só não cheira a naftalina, pois nunca conhece o fundo do baú,
tremula ao vento.
A gente muda de tudo na vida. Muda de cidade. Muda de roupa.
Muda de partido político. Muda de costumes. Até de amor a gente muda.
A gente só não muda de time, quando tem as iniciais CAM,
do Clube Atlético Mineiro, gravada no coração.
É um amor cego e tem a cegueira da paixão.
Já vi o atleticano agir diante do clube amado
com o desespero e a fúria dos apaixonados.
Já vi atleticano rasgar a carteira de sócio do clube e jurar:
- Nunca mais torço pelo Galo!
Já vi atleticano falar assim, mas, logo em seguida,
eu o vi catar os pedaços da carteira rasgada e colar,
como os amantes fazem com o retrato da amada.
Que mistério tem o Atlético que, às vezes, parece que ele é gente?
Que a gente associa às pessoas da família (pai, mãe, irmão, tio, prima)?
Que a gente o confunde com a alegria que vem da mulher amada?
Que mistério tem o Atlético que a gente confunde com uma religião?
Que a gente sente vontade de rezar “Ave Atlético, cheio de graça?”
Que mistério tem o Atlético que,
à simples presença de sua camisa branca e preta, um milagre se opera?
Que tudo se transfigura num mar branco e preto?
Ser atleticano é um querer bem. É uma ideologia.
Não me perguntem se eu sou de esquerda ou de direita.
Acima de tudo, sou atleticano e,
nesse amor, pertenço ao maior partido político que existe:
o Partido do Clube Atlético Mineiro, o PCAM,
onde cabem homens, mulheres, jovens, crianças.
Diante do Atlético todos são iguais:
o bancário pode tanto quanto o banqueiro,
o operário vale tanto quanto o industrial.
Toda manhã, quando acordo, eu oro:
obrigado, Senhor, por me ter dado a sorte de torcer pelo Atlético.

Roberto Drummond