quarta-feira, janeiro 30, 2008

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Metamorfose


Era só uma lagarta, dessas bem comuns, simpática e até bonitinha. Vivia feliz e livre, rastejando no seu mundinho todo verde, mas tinha alma de borboleta e sonhava ser uma.

Admirava todas as criaturas aladas, aplaudia seus vôos, suas conquistas e imaginava como seria bom, se ela, também, pudesse chegar mais perto do azul do céu, das luzes do sol, da lua, das estrelas.

Um belo dia, alguém lhe disse que se ela ousasse, se perdesse o medo, poderia criar asas e se tornar borboleta.

Então acreditou; ousou, criou asas e, timidamente, ensaiou seus primeiros vôos.

A princípio se extasiou, gostou da sensação de voar, dos raios de luz sobre ela, de ganhar aplausos, de ser admirada...

Mas, com o passar do tempo, começou a incomodar outras borboletas, veteranas na arte de voar, e a despertar a cobiça de caçadores, que a queriam transformar em flor, amarrar suas asas e a enraizar na terra.

Perdeu a alegria de voar e começou a temer pela sua liberdade.

A luz não mais a atraia como antes e sentia saudade da época que vivia livre e feliz, à sombra de outros seres.

Pobre borboleta! Descobriu que sempre teve alma de lagarta.

Hoje sonha com nova metamorfose.