sexta-feira, novembro 07, 2008

sexta-feira, novembro 07, 2008

Miscelânea final...

Barack Obama, um negro, eleito Presidente dos Estados Unidos da América!

Um fato histórico, algo nunca antes imaginado e apenas sonhado por Martin Luther King e por aqueles que sempre lutaram pelos direitos civis naquele País.

Quando ouvi a notícia, minha alma se iluminou, se alegrou e sorriu esperançosa por tempos melhores, sem tantas guerras, por uma política mais preocupada com o social, com os graves problema dos países subdesenvolvidos;

Quase na mesma hora, o corpo de uma criança, de nove anos de idade, foi encontrado dentro de uma mala na rodoviária de Curitiba, apresentando marcas de violência sexual...

Meu coração escureceu, se encolheu, chorou e se afogou em lágrimas.

(e salto para o meio da vida
como uma navalha no ar

que só o vento retalha
a dor não pode amputar

em mim já nada está como é
tudo é um tremendo esforço de ser)


tu estás
ele está
vós estais
eles estão

todos à procura de um lugar ao sol, mas eu gosto mesmo é de sombra e água fresca.

então eu vou embora...

(traduzir o fugir em lazer
escapar sem lugar para pousar
traduzir a vontade em querer
tudo como antes
reinventar
traduzir o fazer em prazer
tudo ouvir, tudo ver e falar
olhos novos no ar)

Entre estar no palco ou na platéia, sento-me na primeira fila, aplaudo a quem brilha por já ter nascido com luz própria e lamento aqueles que se pintam de purpurina e tentam usurpar o brilho alheio.

(e eles se permitem
entram de fininho
apontam-nos o dedo
e conhecendo a reação
esmagam-nos a voz do coração)

por enquanto eu me engulo, mas vou me parir muitas vezes,
até que renasça com um coração de aço!

e vou embora...



(leve, como leve pluma

muito leve, leve pousa.


sombra, silêncio ou espuma.

nuvem azul

que arrefece.


simples e suave coisa

suave coisa nenhuma

o que em mim amadurece)


Photobucket
beijos aos amigos que me acarinharam com as suas belas palavras.
eu volto algum dia, numa hora perdida de uma madrugada insone qualquer.

agradecida!

(e que todos os beijos e que os longos abraços,
e que tantos desejos não caiam aos pedaços
)

inté mais

Nota: todos os trechos em itálico são versos soltos de letras de várias músicas, escritas pelo João Ricardo (Secos & Molhados), em livre adaptação.




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quinta-feira, outubro 23, 2008

quinta-feira, outubro 23, 2008

somos...

apenas
bocas e línguas
apenas
braços e pernas
apenas
pele com pele
apenas
prazer e gozo

coisa pouca
para o tanto
que nossos corpos
se querem ter
quando estamos nós
um dentro do outro.




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segunda-feira, outubro 20, 2008

segunda-feira, outubro 20, 2008

30 anos...


acordou com os barulhos da casa, risos, cochichos e com o cheiro de flores que se espalhava pelo ar;
na hora sentiu que aquele era um dia diferente, mas ainda sonolenta custou a se lembrar...

dezenove de outubro, dia do seu aniversário, seus 30 anos, desde sempre esperados, porque acreditava que com esta idade atingiria a maturidade plena e com ela a calmaria dos sentidos, o predomínio da razão sobre a emoção.

mas se sentia igual, nada parecia ter mudado. dentro dela ainda a menina misteriosa, crédula, sonhadora, romântica, capaz de tremer de paixão por alguém distante 1301 quilômetros.

fechou os olhos e numa fração de segundos recordou toda a sua vida:

os aniversários da infância, quando seu pai a colocava a cavalinho sobre os ombros para que não se escondesse debaixo da mesa, por timidez, na hora de soprar as velinhas do bolo; o seu melhor presente, o gnomo Lippy, que seu avô lhe trouxe da Irlanda e que esteve junto dela até que perdesse a inocência, quando então desapareceu para nunca mais voltar;

a primeira vez que sangrou, o seu primeiro baile, o primeiro namorado, o primeiro beijo, o seu casamento, a sua primeira noite de mulher;

das dores do parto, das dores por todos os seus mortos;

das vacas pastando para lá da colina cercadas pela liberdade dos rios sem cercas e dos cavalos selvagens que a procuravam com o olhar;

dos seus mil medos, dos mil prantos vertidos, dos anjos e demônios que sempre a rodearam e do seu fascínio por estes últimos, embora lhes virasse às costas e sorrisse para os anjos — abraçava a luz na vertical e lutava com as sombras à revelia.

da sua identificação com a mariposa e sua dança mortal atraída pela lâmpada, pelo fogo.

por todas essas lembranças foi penetrada, por todas se emocionou, por todas sorriu, por todas chorou...

nada havia mudado, ela era a mesma de antes, ainda que o espelho, com a sua verdade, insistisse em lhe gritar o contrário.

o jeito era enfrentar a sua festa, se encher de coragem, colocar no rosto seu melhor sorriso e apagar as 30 velinhas, já que todas as mesas haviam encolhido e nenhuma mais a escondia.

talvez quando completar 70 anos seu coração se aquiete, sua sensibilidade adormeça e ela possa, enfim, usufruir de eternos tempos de calmaria.



(agradecida de ♥ a todos que me presentearam com carinho e votos de felicidade pelos meus 30 anos de idade.)


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sexta-feira, outubro 17, 2008

sexta-feira, outubro 17, 2008

era uma vez...


era uma vez uma moça —nem cinderela, nem gata borralheira— uma moça comum, que tinha desistido do amor e sua vida se transformara num tédio de causar pena. seu coração, sem ter por quem pulsar, para quem se declarar, estava fraco, afônico, quase mudo. tentando sair daquele marasmo, ela resolveu passar parte da primavera e talvez o verão naquele país estranho, onde tudo parecia funcionar à base de trocas, onde ratos eram usados como barcos e se navegava não pelos mares, mas por páginas e palavras.

achou que nunca se adaptaria, não entendia a língua falada naquele lugar, nem conhecia suas regras, se é que havia alguma. não se imaginava fazendo parte daquele povo formado por artistas que se revezavam entre palcos e platéias.

resolveu fazer as malas para partir e foi nessa hora, quando se encontrava distraída, que ela o viu e não se sabe se por gozação do destino, se por aquele sorriso de canto de boca, se pelos músculos desenhados sob a pele morena cor de jambo, ela se apaixonou perdidamente por ele.

assustada, percebeu seu corpo invadido por sensações há muito esquecidas e por outras jamais sentidas, mas mesmo assim tentou não entrar em pânico, pois afinal era apenas mais um homem e como todos eles eram tão iguais, tão previsíveis, seria só uma questão de dias, ele também viraria sapo e ela, na certa, se desencantaria.

passou a espreitá-lo em seus domínios, e por onde quer que ele passasse, num misto de desejo e de expectativa pela almejada transformação. porém o tempo foi passando, passando e ele continuava príncipe e a moça, coitada, ainda encantada, sem nenhuma chance de se tornar princesa, resignada, foi se deixando ali ficar. esquecê-lo não poderia jamais, pois aquela paixão tamanha já tinha preenchido todos os seus espaços, sem ela se esvaziaria e, sufocada, restaria murcha como um balão que perdeu o ar, no final da festa...



hoje o “Ressaca di Homi” completa um ano de existência e eu aproveito para agradecer aos que me aturaram e me prestigiaram nesses 365 dias. como a moça do meu texto, também pensei em passar apenas um verão por aqui, mas foram tantos os amigos que fiz neste período, que me sentiria mesmo com um balão murcho, sem gás, se me privasse do prazeroso convívio quase diário com vocês...


o meu carinho a todos e obrigada, obrigada, obrigada!







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quarta-feira, outubro 15, 2008

quarta-feira, outubro 15, 2008

hoje...


hoje minhas letras não se juntam, minhas palavras não se formam, meus versos não fazem sentido;

hoje não quero ouvir música, não quero ler poemas ou prosas e muito menos as notícias e seus problemas;

(nem quero contemplar a lua tão cheia de si a reinar soberana bajulada por estrelas).

hoje não quero falar, só quero ficar quieta e silenciosa no meu canto e recordar a felicidade nua de panos e os sons dos nossos corpos dialogando em surdina, entre suspiros, sussurros e gemidos naquela última madrugada...

hoje só quero pensar em ti e mais nada!



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sábado, outubro 11, 2008

sábado, outubro 11, 2008

o invasor...

ele foi entrando sem se anunciar, sem pedir licença, provocando em mim doces sensações e um leve desconforto. minha primeira reação foi resistir-lhe; não gosto de ser invadida por algo que não consigo controlar. tentei usar os argumentos da razão, mas ele se fez de surdo, ignorou meus apelos e foi despertando, um a um, todos os meus sentidos para melhor me dominar. depois me envolveu como um laço que foi se apertando dentro de mim. lutei como pude para me livrar dele, mas ele não me deu trégua. então, ciente da minha fragilidade e de sua força, desisti de tentar domá-lo e deixei que o desejo seguisse seu curso e me possuísse nesta bela e fria madrugada, tão cheia de magia, que até meu sono resolveu vadiar...


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quarta-feira, outubro 08, 2008

quarta-feira, outubro 08, 2008

quando te beijo...


não apenas o encontro
de lábios
a louca troca de carícias
entre línguas,
a mistura do teu sabor
com a minha saliva,
a fome desenfreada,
desmedida,
sem tréguas,
da minha boca...

quando te beijo
meu amor,
minha alma
ultrapassa o desejo
e te abraça,
se desnuda e se entrega,
e o meu corpo
morre e ressuscita
no teu corpo

...enquanto te beijo.


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sexta-feira, outubro 03, 2008

sexta-feira, outubro 03, 2008

Tua!

úmido o meu corpo
—já em oferta—
à espera que venhas
e que escrevas teu nome
com tua lingua, com teus dedos,
por toda a minha pele
ainda da tua marca deserta.

úmidos os meus lábios
já expectantes
para te receber
e beber o teu gozo

o mais que de mim eu sei
a ti que tua sou
eu já te dei...

porque só tu me umedeces

amor!
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quarta-feira, outubro 01, 2008

quarta-feira, outubro 01, 2008

Indiferença...


Indiferença

é aquele olhar
que te atravessa

sem te perceber,
sem te ver

e te atropela
te quebra
te mata.


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sábado, setembro 27, 2008

sábado, setembro 27, 2008

Confissão

somente uma farsa, um engodo,
uma contradição;
a esperança estampada nos olhos,
uma alma desesperançada
–deserta e árida–
­­­­­­­um coração afundado em mágoas,
o medo escorrendo dos poros,
um sorriso
cuidadosamente desenhado no rosto,
apenas para refletir no espelho.

esta sou eu – agora!

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quinta-feira, setembro 25, 2008

quinta-feira, setembro 25, 2008

Primavera

surpreendeu-se quando abriu a janela.

tão preocupada estava em quebrar geleiras
que nem havia percebido
que o céu se vestira de azul luminoso
que a natureza se enfeitara
com todas as cores
e se perfumara com aroma de flores.

embalada pelo silêncio que a cercava,
constatou que apesar do frio no seu peito,
lá fora já era primavera

e que era chegada também a hora
de semear terra nova
e cultivar novos amores-perfeitos.
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segunda-feira, setembro 22, 2008

segunda-feira, setembro 22, 2008

Cansaço...



quando a vida lhe pede um pouco mais de calma, mas o tempo um tanto mais de pressa, o cansaço é inevitável;

e é assim que estou me sentindo - cansada de correr atrás das horas sempre mais ligeiras do que eu...

cansada de ver bola batendo na trave, na rede pelo lado de fora; do meu time estar sempre fugindo do rebaixamento e nunca levantando a taça; de cada rodada do campeonato ser um verdadeiro tormento e não uma alegria; da Diane dos Santos dar seu salto mortal e colocar o pé para fora do tablado; da Jade Barbosa saltar e cair do cavalo; da voz do Galvão Bueno, do Cléber Machado, da regra nada clara do comentarista de arbitragem; do boa noite do "casal jornal nacional"; de bandido rico global sempre fugir num jatinho para um paraíso fiscal no final das novelas; de ter mais de cem canais de TV disponíveis e não encontrar nada que valha a pena assistir;

cansada de ver mulheres abandonando seus bebês em lixões, em beira de rios, ao relento, no frio, enquanto outras mães choram seus filhos mortos com o colo e os braços vazios;

cansada de ouvir falar em variação do dólar, sobre quebra de mercados financeiros, sobre a especulação imobiliária;

cansada de propaganda eleitoral, de políticos corruptos, de empresários inescrupulosos e igualmente corruptos;

cansada dos famosos ditados, das frases de auto-ajuda, de ainda acreditar nas pessoas, mesmo naquelas que sempre mentem;

cansada de gente egoísta, egocêntrica, que pensa que a terra gira apenas em torno do seu próprio umbigo; dos machões e dos machistas; de viver me desculpando, me justificando, de não saber dizer - não; de engolir minhas lágrimas, de forçar sorrisos no meu rosto;

cansada da fome do mundo, da fome do meu próprio corpo;

enfim, ando cansada de tudo...

e sobretudo, ando cansada de escutar meu coração gritar para um surdo!

(e por estar assim cansada, cansei-me também do visual do blog e resolvi mudar. espero que gostem).

Uma ótima semana para todos!


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sexta-feira, setembro 19, 2008

sexta-feira, setembro 19, 2008

Solidão


uma gélida madrugada

e a solidão da minha língua;

cansada de tanto lamber

e beijar palavras...

(apenas)


é o que me resta
e mais nada
!!!

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quarta-feira, setembro 17, 2008

quarta-feira, setembro 17, 2008

Amor & Paixão


O que é o amor?

Esta foi uma pesquisa feita por profissionais da educação e psicologia com um grupo de crianças entre 4 e 8 anos;

“Quando a minha avó teve artrite, ela não podia mais se abaixar para pintar as unhas dos pés e meu avô, desde então, pinta as unhas para ela, mesmo quando ele também tem artrite – isso é amor” (Rebeca – 8 anos)

“Quando alguém te ama, a forma de falar teu nome é diferente” (Billy – 4 anos)

“Amor é quando você sai para comer e oferece as suas batatinhas, sem esperar que a outra pessoa ofereça as dela” (Cris – 6 anos).

“Amor é quando seu cachorro lambe a sua cara, mesmo depois que você o deixou sozinho o dia inteiro” (Mary Ann – 4 anos)

E foram várias as definições de amor dada por essas crianças, todas de uma simplicidade e profundidade, o que muito me surpreendeu...

Minha conclusão é que criança entende muito mais de amor do que os adultos.

Eu confesso pouco ou nada saber sobre esse amor tão cantado em verso e prosa ao longo dos tempos, mas acredito que seja como uma dança mágica, cujos passos vão se harmonizando, até encontrarem a coreografia perfeita.

O amor é um longo aprendizado, onde cada um procura dar significado, cor e intensidade à vida do outro; se ajusta como peça de quebra cabeça, sem arestas, no decorrer dos anos, quando é sincero e verdadeiro. Não morre, apenas se transforma.

Já a paixão é imediatista e cheia de conflitos, explosões, picos e vales, cumes, amanheceres, poentes e algum tempo de paz;

É céu e inferno e, vez em quando, entre um e outro, o purgatório.

De paixão entendo e quando me acontece, gosto de deixar queimar até que vire cinzas...

E como o fogo purifica, das cinzas saio renovada, pronta para me apaixonar, de novo, intensamente, por outra pessoa.


(faz tempo que estou queimando por um certo alguém, porém depois de tantos baldes de água fria, essa chama está prestes a se apagar).


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domingo, setembro 14, 2008

domingo, setembro 14, 2008

Cobiça ou Leda e o Cisne


A cobiça é o desejo desenfreado de possuir o que pertence a outro e não a nós e, segundo a Bíblia, pecado mortal;

"Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu servo, nem a sua serva, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo." (Êxodo 20:17).

Pois é, mas mesmo sabedora que a cobiça é um pecado, eu o tenho cometido nesses últimos tempos...

Costumo freqüentar uma galeria de arte - “Errol Flynn”, situada aqui em Beagá e recebo catálogos sobre as obras expostas, as destinadas à venda simples e as que serão leiloadas;

Ao receber um desses catálogos, sobre quadros, esculturas e gravuras que seriam leiloados em Brasília, no dia 26 de agosto, encantei-me por uma tela - Leda e o Cisne - pintada na década de 60, por Vicente do Rego Monteiro, e senti um desejo enorme de possuí-la, mas, infelizmente, por motivos vários, não me foi possível arrematá-la. Desde então, não paro de pensar nela e, confesso, com uma ponta de inveja de quem enfeita sua parede com esse lindo quadro tão cobiçado por mim.




A história que inspirou a tela


Certa vez, Zeus ia a caminho da cidade de Tróia e encontrou Leda, a jovem esposa de Tíndaro, herdeiro do reino de Esparta, deitada seminua na relva e parou para contemplá-la de longe. Temendo assustá-la com sua figura gloriosa e resplandecente, Zeus transforma-se em um cisne imenso e de bela plumagem para poder cortejar a princesa.

Ao ver o belo cisne se aproximando, Leda senta-se e começa a observá-lo. Diante dos olhos da princesa, o cisne começa a mover suas asas com grande excitação, movimenta seu corpo em uma dança de vai e vem que mostra seu desejo e soa sua voz delicada, emitindo sinais de atração e paixão. Leda ficou fascinada e o cisne aproximou-se mais e começou a tocá-la e acariciá-la com suas plumas e seu longo pescoço.

Excitada, Leda deitou-se novamente na relva, aguardou que o cisne se deitasse sobre ela e então se amaram.

Meses depois a princesa sente fortes dores e percebe que de seu ventre haviam saído dois ovos: do primeiro, nascem Castor e Helena, do segundo, Pólux e Clitemnestra.

Os filhos de Leda e Zeus, Castor e Pólux, tornam-se grandes guerreiros e amigos inseparáveis. Porém Castor (que herdou a mortalidade humana) perde a vida em uma batalha e Pólux (que herdou a imortalidade divina) suplica a Zeus que devolva a vida ao irmão. Comovido com esta demonstração de amor fraterno, Zeus propõe a Pólux dividir sua imortalidade, alternando com o irmão um dia de vida e um dia de morte.

Assim os irmãos passaram a viver e a morrer alternadamente e Zeus os homenageia com a constelação de Gêmeos, na qual não poderiam ser separados nem com a morte.



O mito de Leda e o Cisne sobrevive e suas expressões nas artes podem ser encontradas desde as esculturas na Grécia antiga até na pintura contemporânea.


Vicente do Rego Monteiro (Recife, 19 de dezembro de 1899 — 5 de junho de 1970) foi um pintor, desenhista, professor e poeta brasileiro.

Iniciou seus estudos artísticos na Escola Nacional de Belas Artes, (Rio de Janeiro), em 1908 e os complementou na França, na Académie Colarossi, na Académie Julien e na La Grande Chaumière.

Além de pintor e poeta, Vicente do Rego Monteiro era também um bom dançarino, tendo vencido vários concursos de dança de salão em Paris.




Leda e o Cisne


William Butler Yeats
trad. de Paulo Vizioli


Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.

Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?

Um tremor nos quadris engendra incontinenti
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.

Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente?

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quarta-feira, setembro 10, 2008

quarta-feira, setembro 10, 2008

O Ébrio


na mente do homem
uma descoberta desconcertante
à sombra de cada gente que o cercava
havia uma outra gente escondida...

As mãos tremulas, o andar vacilante;

o medo da solidão acompanhada;
sua existência sem amor, sem honra,
seu holocausto - o nada-

eis a descrição da morte em vida
do homem aprisionado pela mágoa,
pela dor profunda,
oriunda da cachaça.



Peço desculpas a todos, tenho tido mais problemas do que horas nos meus dias e por isso não tenho respondido aos comentários, nem visitado os amigos, nem retornado emails vários. meu MSN está até com teias de aranha ...
obrigada pelo carinho e presenças constantes.
abraços


um esclarecimento

na última madrugada, pelo adiantado da hora, pelo cansaço, me esqueci de citar que este texto “o ébrio” foi baseado em um comentário que fiz ao ler o poema “Profanos” do Ricardo Rayol: aqui. se alguém gostou do que escrevi, cabe a ele o mérito por ter me inspirado...

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domingo, setembro 07, 2008

domingo, setembro 07, 2008

"Poetamigos"

Três poetas, três amigos, que, generosamente, me transformaram em musa e me fizeram acreditar que a vida real pode, às vezes, superar os sonhos em expectativa e beleza.

Cássio Amaral

sua poesia ora doce e lírica, ora de um realismo, de uma crueza, que chega a machucar, mas sempre bela e carregada de emoção. seus versos enfeitam os meus olhos.
o Cássio é uma pessoa iluminada, um amigo fiel e solidário, um companheiro para todas as horas...
dele ganhei:

Fortuna

Voz que a madrugada cintila

Num blues que espero

Estrelas distraídas nos olhos

Sol da existência singela

Fogo e ar

Traduzidos num vôo

Que o universo de luz diz

Reflexo da natureza

Estrada incerta

Rara beleza

Mantra envolto em lua e incenso

Mandala fagulha da alma

Cama paixão berço

Misto de vulcão

Canção que canto


aquilo que quero conhecer.

José Viana Filho

o José é romântico, gentil, um ótimo amigo, que acredita que sou melhor do que realmente sou. suporta-me, com bom humor, até quando eu mesma reconheço que estou insuportável. sua poesia é suave, bonita e aquece o meu coração. dele, já ganhei muitos poemas, mas escolhi este para postar:

Foto

Em um outro nivel

desta minha vida

peço-te teus lábios...

e por cima e acima

das rimas que não faço,

fecho os olhos, me calo

ainda assim acredito

e te beijo.


Alisson da Hora

meu mais recente amigo. seus versos encantam e acolhem a minha alma. são eruditos, criativos e de extrema beleza. Alisson ou “Poetanjo”, como o chamo, abriu suas asas sobre mim, quando leu um lamento que escrevi no blog da minha querida Milady e me surpreendeu com este belo poema, que compôs para me consolar.

Anjos...

a minha insônia é o teu sonho
da vigília que se pede a quem tem asas
para cobrir o assustar-se
anjos devem ser irremediavelmente insones

nas beiradas de cobertas o velar é necessário
jamais piscar os olhos e perder teus passos
- entregar-se é às vezes algo absurdamente unilateral-

anjos devem ser responsavelmente vigilantes

do estar-longe-sempre-presentes pensarão
todos os milésimos
e em alguns momentos, chorar, talvez
uma lágrima de solidão

anjos não podem pensar nisso

estender mãos e almas
coração: isso tudo é um só

pessoas são anjos
sempre pensativas olhando o luar.

****

meus queridos “Poetamigos”, minha eterna gratidão, meu carinho, minha amizade. nunca, nem em sonhos, ousei me imaginar musa.
seus versos, vou levar comigo para sempre, guardados dentro do meu ♥.

adoro Vocês!

beijos
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quarta-feira, setembro 03, 2008

quarta-feira, setembro 03, 2008

Noite Vazia

em noites vazias,

(longas como a demora de bocas a espera do beijo)

só um som me ecoa

:o do amor que não ousa pronunciar o nome.

em noites assim,

de desejos sentidos e calados,

(de saudade esquartejada, de abraços amputados)

minhas letras se despem e

(nuas de poesia, de versos, de inspiração)

me amarram, me amordaçam e me emudecem.


Só você meu amor,

com suas palavras,

ora ternas, ora canalhas,

pode me abrir o peito

e me resgatar

de dentro de mim!..





(“O amor que não ousa dizer o nome” é uma frase de Oscar Wilde)
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sábado, agosto 30, 2008

sábado, agosto 30, 2008

Micro-conto ou a vida como ela é...


Quando o gato sai...

Era uma vez uma moça tão meiga, tão amorosa, que quando seu gato passeava por outros telhados, ela beijava e acariciava o cachorro da casa ao lado!...

(se o gato da casa está ausente, o cachorro do vizinho está sempre presente).

Pois é...

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quinta-feira, agosto 28, 2008

quinta-feira, agosto 28, 2008

Uma Julieta para vários Romeus


Julieta sempre fora uma romântica que sonhava encontrar o seu Romeu. Moça bonita, de corpo bem proporcionado, tinha vários admiradores, mas insegura como era, não conseguia se decidir por um deles. De um gostava mais dos olhos, do outro da voz, daquele outro gostava da boca e ainda se encantava pela inteligência de poucos e pela canalhice de muitos.

O tempo ia passando, a idade avançando e Julieta não conseguia escolher, entre tantos, o seu Romeu. Até que resolveu selecionar os três homens que mais a atraiam: Bartolomeu, Irineu e Alceu. Mas qual deles seria o amante ideal? Era o que sempre se perguntava...

Pensava, pensava, passava as noites em claro e não se resolvia. Até que se lembrou das palavras que a avó sempre dizia:

- Para se conhecer um homem, preste atenção como ele come!

E teve a idéia de preparar um belo jantar para cada um deles e, claro, os convidaria em noites diferentes. O cardápio e a decoração seriam rigorosamente iguais.

E ela se esmerou nos preparativos, escolheu louças e talheres, toalhas de linho, taças de cristal, flores e preparou as mais finas iguarias;

Bartolomeu foi o primeiro convidado e, assim que chegou, foi logo perguntando pela comida, pois estava faminto. Devorou tudo em pouco tempo. Repetiu várias vezes os pratos; engoliu a comida como um esfomeado, sem prestar atenção ao que comia e ainda se gabou de jantares outros que já tinha ido.

Irineu foi o próximo; chegou trazendo flores, elogiou a decoração da mesa, dos pratos servidos, o vinho, falou sobre sua vida, seu emprego, seus planos. Porém, mal provou da comida.

Alceu foi o último. Também trouxe flores e uma caixa de bombons; mostrou-se encantado pelos cuidados que Julieta teve ao preparar aquele jantar, saboreou cada garfada, tratou a comida com carinho em sua boca, mastigou devagar, se deliciando e demonstrando seu prazer em comê-la. O jantar se prolongou por toda a madrugada e ele ainda teve o cuidado de preparar um café para os dois quando viu que amanhecia um novo dia.

Julieta que a todos observou com atenção, até que enfim, feliz se decidiu...

E alguém tem alguma dúvida qual entre os três ela escolheu para ser o seu Romeu?

Pois é...

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segunda-feira, agosto 25, 2008

segunda-feira, agosto 25, 2008

Se a vida fala a boca cala!

minhas desculpas pela ausência,
fui engolida pelo tempo,
me perdi nas minhas horas.
quando me lembrei de mim,
já lá se ia uma semana inteira,
mergulhada num silêncio abissal,
sem versos, sem encontros, sem poesia;
sem som que pudesse dar voz
às minhas palavras.

apenas a vida dura, nua, crua, assustadoramente real,
se fazia ouvir...

(dividida entre dois espaços paralelos
:um negro e o outro amarelo)

o que a boca não fala,
vaza pelos meus olhos,
por todas os meus poros
- esta paixão por ti -
avassaladora, desmedida,
que me invade e me cala;
minha medida sou eu:
- inteira e intensa -
 braços abertos,
corpo, alma, coração,
sempre e apenas a tua espera!..

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terça-feira, agosto 19, 2008

terça-feira, agosto 19, 2008

(D)espojada


Hoje não me apetece escrever...

preguiçosa, quero apenas me espojar

como se bicho fosse,

soletrar com os dedos teu nome pelo meu corpo,

desenhar-te na minha pele

e acalmar este desejo que já não me cabe,

que transborda pelos meus poros,

que me faz chover por entre pernas,

em noites de lua cheia.



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sábado, agosto 16, 2008

sábado, agosto 16, 2008

Mini-conto

O que o homem não come...


Ele chegava do trabalho sempre cansado, se deitava, virava para o lado e dormia sossegado, pois “o que é do homem o gato não come”...

Porém, o gato que não acreditava em ditados, não só comia, como se fartava e se lambuzava.

(a)moral da história: a “quentinha” desdenhada pelo homem é banquete para um gato com fome!

Pois é...


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quarta-feira, agosto 13, 2008

quarta-feira, agosto 13, 2008

Coração & Razão

tem horas que o coração,

qualquer que seja
a postura do corpo
ou do seu esforço
para se manter ereto,

se ajoelha e implora!...


(...e a razão,
submissa e envergonhada,
se emociona e se cala).


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sábado, agosto 09, 2008

sábado, agosto 09, 2008

Sou Layla!


Não me cobre lógica, não me peça coerência, nem venha me falar de razão – só a paixão me move;
não qualifique, nem quantifique meus sentimentos e nem os compare a nada – deles só eu sei; eu e os meus fantasmas, eu e os meus medos;
sou pura emoção! não sei falar sobre passarinhos, quando grilos me ensurdecem e abutres voam salivantes sobre minha cabeça; nem de flores, quando só espinhos me ferem; não canto canções de amor, quando meus ouvidos só ouvem hinos de guerra; meus olhos nunca vertem poças – vertem mar profundo, intenso, passional;
não me cobre datas, não me estipule prazos – sou atemporal; não me imponha condições – sou incondicional;
às vezes, sou meu próprio furacão – me arrasto, me destruo, me devasto; em outras, sou brisa, vento – me balanço, me embalo, me carrego e noutras sou cimento, viga, tijolo – me ergo, me reconstruo. quando amo, sou música – me entoo, reverbero; sou fogo – me queimo, me ardo; sou água – me afogo, me inundo; sou meu problema, minha solução; meu veneno, meu antídoto; sou luz, sou escuridão; sou prisão, sou liberdade; sou escrava, sou rainha; sou amazona e montaria; meu querer não carece explicação, não tem tempo, nem hora – acontece quando e por quem tem que acontecer.
muitas me habitam – santas, profanas, crentes, piedosas, puras, pecadoras, corretas, erradas, imperfeitas, dominadoras, submissas; anjos e demonios correm velozes à minha volta, sem multa; mudo meu cenário, meu protagonista, meu enredo, meu roteiro; posso amanhecer nublada, entardecer ensolarada, estar enluarada ao anoitecer e tempestiva na madrugada;
por muitos nomes já me chamaram, mas só por um respondo, só um assino;

sou Layla!
.
.
.
(apenas)



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quarta-feira, agosto 06, 2008

quarta-feira, agosto 06, 2008

Entre a terra firme e o simples ar...

Trôpega, caminha na fronteira entre a terra firme e o simples ar - entre duas realidades paralelas e antagônicas -, com os pés descalços de outros mundos quaisquer, para não magoar as searas com suas pegadas; a areia fina que lhe fere os pés, é morfina para as dores da alma; a taça, da qual bebe, é feita do mesmo vidro que a sangra; a boca, que verte palavras que inebriam seus sentidos, escarra outras, cortantes como a lâmina de um punhal. reparte suas mãos em garras para não se deixar tombar e estática, no limite do equilíbrio, contempla o abismo que se abre à sua frente - a luta entre a vertigem que cativa, que chama e o medo que domina, que impede que se jogue -. indecisa, não sabe se passa os últimos dias de inverno calçada com confortáveis e velhas pantufas ou se coloca seus patins e sai deslizando em alta velocidade, com o vento brincando no seu rosto, com a adrenalina correndo solta pelo corpo, sem se importar com os riscos, sem temer as quedas, sem receio de se quebrar, sempre em frente na pista frágil, em busca do que lhe falta. enquanto não se resolve, a voz que a alimenta se cala e surda, morta de fome, não sabe se terá forças para esperar pela primavera.

tomara ela ainda possa se encontrar onde sempre se deixa, quando a angústia não mais lhe cabe e faz transbordar suas horas.


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domingo, agosto 03, 2008

domingo, agosto 03, 2008

Vida que segue...


Depois, das asas rotas
e das muitas horas
longas vazias de sono;
do sonho
o único
tão almejado,
ora adiado;
da aflição que me amputou
a inspiração
e me roubou as palavras;
minha alma
já consegue respirar,
apesar da extrema
rarefação do ar.




Abraço todos os amigos que me confortaram com palavras gentis de carinho, apoio e solidariedade.

obrigada, obrigada, obrigada!



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terça-feira, julho 29, 2008

terça-feira, julho 29, 2008

A Volta do Passado


Eu acreditava que ele nunca mais voltaria, mas, para o meu espanto, bateu à minha porta; alquebrado, com chagas pelo corpo, a alma esfarrapada e o coração dilacerado. não podia me negar a acolhê-lo novamente em meus braços e decidi tornar presente o que pensei já fosse passado. não vou deixá-lo cair como uma estrela desgarrada que se desprendeu da noite; vou ampará-lo, lamber suas feridas e ceder-lhe o meu colo para que se restabeleça da batalha que está travando e, para tanto, reinvento meu próprio tempo, embaralho as minhas horas e transformo o meu ontem em hoje, o meu hoje deixo para amanhã e meu amanhã ainda nem sei, penso nele depois.

Neste momento, a ansiedade e o medo são meus companheiros fieis, porém só me resta esperar e rezar para que esse “Passado” possa viver no futuro.

Só quero que Ele tenha forças para lutar, lutar e lutar, até vencer essa guerra que lhe coube.

(♪quando a gente pensa, de toda maneira, dele se guardar, sentimento ilhado, morto amordaçado, volta a incomodar♪)

Vou me ausentar por alguns dias, deixo o meu carinho e o meu abraço a todos.


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domingo, julho 27, 2008

domingo, julho 27, 2008

Espera...


esta espera que se demora,

que absorve e não sacia.

­–densa e espessa–

suspensão que me agonia,

no vai e vem dos ponteiros;

rigorosamente contínuos,

impiedosamente certeiros!


(como me maltrata a lentidão destas horas!)



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quinta-feira, julho 24, 2008

quinta-feira, julho 24, 2008

Caos


Um verdadeiro caos – assim está minha cabeça. estou virada do avesso, remexida, confusa, perdida. não sei mais como agir. dividida entre a minha vontade e a necessidade alheia. sigo meus impulsos? ou os ignoro e faço o que esperam de mim? por mais que tente acertar, a sensação que tenho é que estou fazendo tudo errado.

hoje sou apenas a sombra dos meus sonhos, um corpo imóvel, sufocado, gritado e mudo.

e no meio de todo este tumulto que me habita, as palavras se perderam ou fugiram e sem elas sinto-me deserta, sem norte, sem poesia.

por hora, não tenho nada a oferecer – cansada, exausta; corpo, mente, alma e coração – a minha voz se cala! já não sei bem o mal que me avalia, o porquê da existência, o dever da razão, o limite da paciência!

este é mais um dia em minha vida – sem início, sem fim, sem meio que o defina.

esqueço-me de mim, outra vez!

até quando vou ter que esperar por tempos de calmaria?


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terça-feira, julho 22, 2008

terça-feira, julho 22, 2008

Ricardo Rayol


Ricardo Rayol - um homem instigante; místico e profano, poeta e realista, doce e amargo, indignado e complacente, irônico e solidário; dono de uma personalidade apaixonante, que se revela em seus escritos.

Ricardo não é um escritor de inspiração ocasional, da palavra fortuita, lançada a esmo, é poeta e prosador, verseja sobre a vida com a emoção dos que sabem compreender e reproduzir a expressão da realidade cotidiana. Dotado de perceptível talento, da bem formada linguagem e fraseologia, é um autor forjado na prática da leitura, coisa rara hoje em dia e tão necessária a quem se propõe a escrever.

Versátil, administra seis blogs e, embora sejam de estilos bem diversos, o faz com muita competência.

Seus versos nos oferecem uma leitura de qualidade, sofisticada, densa, nada ingênua, às vezes até cética, mas sem abrir mão da poesia, da magia.

Muito mais teria para falar sobre o Ricardo Rayol; sobre seu lado lúdico e lírico ao narrar, em versos, as aventuras de um cabritinho montês; sobre sua irreverência ao “recontar” a história da humanidade; sobre o cidadão preocupado e revoltado com a situação política e social do País; sobre o sedutor e seus belos poemas e prosas eróticos, mas prefiro fazer o convite para que acessem os blogs dele e comprovem, os que ainda não o conhecem, que não lhe fiz nenhum elogio e que apenas mencionei algumas das inúmeras qualidades que ele tem como escritor e poeta.



Ricardo


Mesmo se conhecesse todas as palavras e tivesse o seu dom de poetar e lidar com elas, não conseguiria expressar a enorme admiração e o carinho que lhe tenho. Então, coloquei coração e emoção nas pontas dos dedos, só para deixar registrado, e para que todos saibam, o prazer que tenho em ler você, onde quer que escreva.



Vazio
(Ricardo Rayol)

Ecos, na casa agora vazia,
pela janela, o inverno chega,
julgam-se as árvores moribundas,
derramam-se em folhas, amarrotadas.

Abriu a derradeira porta,
deixou-se consumir pelos ruídos do passado,
o triste canto do cisne,
o seu próprio réquiem.

Em seu último passo,
a lembrança dela o atingiu,
morreu assim,
com um sorriso e uma lágrima.



Ato
(Ricardo Rayol)

Já disse antes, nas tardes frias do outono, que ainda nada sei sobre o amor. Sei apenas o que sinto. As batidas arrítmicas que ora falham, ora teimam em pulsar distantes, no livre olhar, de tua sombra delineada. O rasgar da alma, no ouvir etéreo de sua voz, mas o amor mesmo não conheço, não lhe fui apresentado.

Sinto-me um trapezista, triste artista, que no ar se lança, sem rede.

O inverno da minha vida se aproxima.

*************

Blogs do Ricardo Rayol

A Cor da Letra
Jus Indignatus
Juarez o Cabrito Montês
Em Verdade Vos Digo
A Casseta do Cabral
Memórias Póstumas de Um Puto Prestimoso

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domingo, julho 20, 2008

domingo, julho 20, 2008

De roupa nova!

Em nove meses de existência, por muitas vezes troquei o visual do “Ressaca de Homi”, mas sempre utilizando os modelos disponibilizados pelo próprio blogger. Desta vez, queria uma mudança mais radical, mas não sabia como fazer a troca sem perder vários arquivos e os comentários anteriores. Entretanto, quem tem Anjo da Guarda não fica desprotegido e, depois de muito tempo afastado, meu “Anjo” reapareceu e efetuou a troca do layout para mim. Espero que gostem do “Ressaca” com esta “roupagem” nova.


“Meu Anjo”

Você transita entre o lado direito e o lado esquerdo do meu peito, mas está sempre perto do meu coração e nas minhas lembranças.

Mais uma vez, muito obrigada!

Adoro Você!

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quinta-feira, julho 17, 2008

quinta-feira, julho 17, 2008

Medo


Fujo da paixão
(não a quero mais).
mas sinto-a no meu encalço;
seu hálito no meu pescoço,
sua boca na minha pele,
seu pulsar no meu peito.
tento me esconder
(me encolho);
me visto de negro
para enganá-la,
suspendo a respiração
(para que não me ouça).
mas ela fareja
o cheiro do meu medo!...


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segunda-feira, julho 14, 2008

segunda-feira, julho 14, 2008

Por três noites... esperei!

Despi-me de todos os meus receios, dos meus medos, dos meus pudores e por três longas noites esperei por você na minha nudez envergonhada e trêmula;

(eu nua de todos meus outros eus, eu nua de máscaras, eu apenas eu, em todas aquelas horas).

enquanto lhe esperava vislumbrei outros vultos, senti-os debaixo das unhas, mas não fui de nenhum.

(que outro olhar não quero, que outra boca meus lábios não beijam, que outro peso meu corpo não sustenta).

o nome que calo é o seu, é você a sede que me abrasa, é seu o sabor da minha saliva, o gosto que sinto na língua.

por três solitárias noites supliquei-lhe em silêncio;

vem- toca-me - lambe-me - desgoverna os meus rumos - desvenda os meus segredos - despe-me deste casulo em que me guardo - consome tudo o que há em mim para consumir...

mas você não veio e eu continuei deserta.

por três frias noites eu me queimei até que virei cinzas.

(e ainda assim restou mais e mais de mim a arder).

e agora? quem irá me soprar? quem irá me espalhar?

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sexta-feira, julho 11, 2008

sexta-feira, julho 11, 2008

Alma Bailarina

enquanto seu corpo
se arrasta em agonia,
prisioneiro de fantasmas,
escravo de quimeras,
sua alma bailarina
se liberta
bela, radiante e nua,
faz do céu o seu tablado,
dança, salta, rodopia,
com os astros, com as estrelas
e com a lua.

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terça-feira, julho 08, 2008

terça-feira, julho 08, 2008

Sexo é prosa e amor poesia

Queria te falar de amor e ternura, porém teus ouvidos moucos não entendem outra linguagem que não seja a dos sentidos.

Também muito te desejo, sonho a junção exata da tua pele com a minha pele; a minha língua dançando desvairada pelo teu peito, minhas pernas entrelaçadas com as tuas, sentir os teus espasmos, ser o teu orgasmo mais do que perfeito.

Prometo não te amar em demasia, não te sufocar, nada exigir para tudo ter, pois sei dos teus limites e quero o teu conforto, o teu prazer.

Então, que tal chegarmos a um acordo?

Já que gostas de prosa e eu careço de poesia, por que não escrevemos uma bela prosa poética, um no corpo do outro?

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sábado, julho 05, 2008

sábado, julho 05, 2008

Fogo


Só o meu sopro é pouco

para que se apague

este fogo que me queima

este fogo que me arde!


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quinta-feira, julho 03, 2008

quinta-feira, julho 03, 2008

Instinto Selvagem

quer tanto chegar onde ele deverá estar, que de suave e doce tornou-se arredia e teimosa. fez-se surda dos dois ouvidos à razão que lhe grita – não vá; não quer escutar e, ao contrário, acelera seus passos rumo ao inseguro, ao intocado, ao desconhecido. sabe que enfrentará todos os desafios, que terá que saltar por sobre as pedras do caminho. sabe também, que se for preciso, rasgará suas roupas, sua pele, seus pés e até a sua alma – irá sangrar, mas desta vez não vai recuar. está cansada de viver só de sonhos, de palavras e de expressões; quer o instinto selvagem e primitivo, quer o toque – seu corpo ardendo junto ao corpo outro – boca com boca, a mente alucinada gritando desejos profanos e ignora todos os argumentos contrários a sua vontade, está resolvida e determinada, segue em frente, não tem mais volta, vai em busca de quem lhe falta.

(e tomara que nenhum anjo ou demônio, com suas garras de águia, agarre seu corpo indefeso e a impeça de chegar lá... onde ele deverá estar).
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terça-feira, julho 01, 2008

terça-feira, julho 01, 2008

Agradecida...

Quando eu era criança, meu avô me contou a história de um rei que estava muito triste por não saber mais diferenciar a verdade da mentira; Ele então chamou os três homens mais sábios do seu reino e pediu a eles que escrevessem algo que poderia ser considerado uma verdade irrefutável. Os sábios se reuniram e ficaram confabulando por longas horas. Quando se fez noite, eles entregaram ao rei um papel com duas palavras apenas e o rei ao ler o que estava escrito, sorriu e disse:

- vocês conseguiram!

Na papel estava escrito: vai passar...

Eu cresci tentando sempre me lembrar que nada nesta vida é definitivo, nem alegrias, nem tristezas – tudo passa.

E é verdade, passa mesmo. No dia de ontem, eu estava me sentindo tão triste quanto aquele rei e ainda estaria me sentindo assim, não fosse ter encontrado o José Viana Filho...

Zé Viana

Agradecida pela noite maravilhosa, pelo belo jantar, pelas flores, pela prosa, pelos sorrisos que plantou no meu rosto e, principalmente, pelo lindo poema que compôs para mim. Adorei me sentir musa.

Meu carinho, meu beijo.

Layla n 01 ou um certo alguém
(José Viana Filho)

Tenho medo de ser só um,
Medo de ser de uma só...
Queria ser múltiplo,
Amar várias...
Assim como amo pontes, paisagens ,
fotos, músicas, filmes...

Há muito tempo vi uma estrela,
Que me acordava de sonhos.
Você é um outro alguém
Que me lembra bem,
Faz-me lembrar
Esse alguém.

Porque teu rosto tem algo mais
Bem mais, que só um sorriso.
E bem mais que versos
Palavras que escrevo
São bem mais que o tempo
Esse passa, covarde e tenso...

Palavras que te escrevo,
São poucos os segredos
Que guardo para sempre!
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sábado, junho 28, 2008

sábado, junho 28, 2008

Puzzle

(Imagem J.S.H.)

quando te repartes;

recolho teus pedaços,

te monto, te remonto,

não desisto,

não te solto, não te deixo,

até que encaixo

todas as tuas partes,

dentro dos meus espaços.


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quinta-feira, junho 26, 2008

quinta-feira, junho 26, 2008

Choque Térmico

um frio intenso que congelou minhas palavras e uma febre que me fez arder, derretendo minhas idéias e estrangulando a inspiração;

assim foi minha última madrugada; ardida, doída, gelada, calada, vazia de prosa e poesia.

tentei me inventar um novo casulo, onde eu pudesse, enfim, esvaziar minha memória e dormir...

e até poderia, não fosse uma saudade esquisita gritando no meu peito; saudade de uma paixão não tocada, não vivida e apenas sentida por mim.

(ontem nem seu rastro encontrei, não vi suas pegadas)

amanheci cinza, com a alma encolhida, nublada, escura como uma noite sem estrelas, sem lua.



Uma Dica

Quem duvida que no caos urbano das grandes cidades exista muita poesia, acesse a exposição virtual do Fabio Reoli – um show de imagens fotografadas pelo Poeta e de textos escritos por vários autores. Clique na imagem e comprove.


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