sexta-feira, novembro 30, 2007

sexta-feira, novembro 30, 2007

Tu te tornas eternamente responsável...


“Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas”

Que Saint Exupéry me perdoe, mas detesto esta máxima, citação, seja lá que nome tenha, dita pela Raposa ao Pequeno Príncipe.

Bem, mas por que estou escrevendo isso? Porque meu espírito está desassossegado, justamente porque alguém, se dizendo apaixonado por mim, me citou esta frase. A essa pessoa ofereci amizade, nada mais, além disso.

Mas mesmo assim, se sentiu no direito de me fazer cobranças e chantagem, condicionando a sua suposta felicidade à minha decisão de aceitá-lo, ou não, e falando que eu seria culpada pelo que lhe acontecesse doravante.

Então eu pergunto: sou culpada por quê? Por ser amada e não corresponder? Mas se não cultivei tal sentimento, se não menti, não iludi, se nada prometi, qual é a minha culpa?

Qual é a minha responsabilidade por esse amor que não pedi e nunca quis?

Quem souber que me responda...

(Que raiva estou sentindo dessa raposa e de quem a fez falar!)


* * * * * * *



Hoje amanheci triste pela despedida da minha querida amiga Gloria do blog Mariquinha Maricota, pessoa que muito estimo e admiro. Glória, em sua última postagem alega que tomou essa decisão após ler o texto que postei aqui em 28/11. Foi pela insistência dela e da Mineira do blog Matutando, que comecei a blogar. O “Ressaca” foi um presente das duas. Estou me sentindo culpada por essa decisão.
Perdão amiga, nunca imaginei que um simples relato, sem nenhuma pretensão, pudesse motivar esse seu afastamento. Repense, descanse um pouco e volte logo ao nosso convívio. Não deixe esse peso sobre as minhas costas, por favor!

Se triste por um lado, muito feliz por outro, acabei de receber, pelo correio, quatro livros que me foram enviados pelo próprio Autor.

Meu querido Escritor, Iosif Landau, foi o melhor presente que ganhei este ano..

Não sei como expressar minha gratidão por todo esse carinho. Obrigada, Obrigada, obrigada.

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quarta-feira, novembro 28, 2007

quarta-feira, novembro 28, 2007

Só uma prosa...


Hoje, por algum tempo, estive privada da minha liberdade de ir e vir. Fui submetida a um procedimento médico e tive que permanecer internada por eternas 8 horas. Coisa pouca, mas como sou muito agitada, uma tortura.

Se, fisicamente, estava impossibilitada de sair dali, daria um jeito de escapulir pelo pensamento...

Poderia recordar o passado, mas a idéia não me agradou, afinal passado é só isso: passado, já foi... planejar os próximos dias, também não, pois gosto de deixar a vida me levar... melhor mesmo seria imaginar o “meu amor”, o amor que ainda não sei o nome, o cheiro, o gosto, mas que deve estar me esperando em algum lugar do planeta .

E lá estava eu, perdida em meus pensamentos, com o coração totalmente distraído, quando fui abruptamente trazida de volta àquela realidade branca, pela voz que vinha do leito ao lado.

- Podemos conversar?

Minha vontade era dizer: – não podemos. Porém, ainda não aprendi a dizer “NÃO”, coloquei meu melhor sorriso no rosto e disse: - Será um prazer - foi o que bastou para que minha alma ficasse cinzenta, de vez...

A mulher começou a falar e a se lamentar; reclamou do marido que a traia, dos filhos que não a obedeciam, da faxineira que não fazia seu serviço direito, do chefe que não reconhecia seu esforço e competência, das amigas falsas, das colegas invejosas, do tempo abafado, da hipertensão, dos quilos a mais, da celulite, das estrias, dos calores da menopausa, da falta de dinheiro... reclamou de tudo e de todos, nada na sua vida era como deveria ser e com a frase final: - Deus decidiu assim -, felizmente, adormeceu...

Eu fiquei acordada e muito incomodada, sem atinar a razão, até que percebi que aquela mulher era o avesso do meu avesso. Jovem ainda na aparência, uns 50 anos, mas com uma desilusão milenar, de quem tudo já viveu e só colecionou cansaço, nenhuma sabedoria, e desistiu de ser feliz...

Ela continuava dormindo sem imaginar como havia me afetado, pois se tem algo que me entristece e apavora é esse sentimento de derrota, ser vencida pela vida, pelo tempo, pela idade, pelas dores, pelos sonhos não realizados.

Essa mulher causou-me compaixão e aversão. É o que não sou, nunca fui, e, certeza, nunca serei. Esse conformismo, esse sentimento de derrota, não me cabe.

E mesmo que eu tropece muitas vezes, que caia outras tantas, que sofra, que chore, tenho fé que nunca vou perder a minha capacidade de lutar, de sonhar, de amar, de acreditar na vida, nas pessoas e na felicidade. É só o que quero e preciso, hoje e sempre. É o que me basta!

MILAGRE



É tempo de arranhar

fundos de tachos

de cavar água em pedra

de procurar sementes,

porque estamos vivos.

É tempo de dissecar

as dores maiores

até transformá-las em bálsamo,

porque estamos vivos.

É tempo de acreditar

no pouco que sobrou

sob os escombros.

É lá que sempre se esconde

a fênix, o escaravelho,

delicadezas de libélula.

É tempo de enxergar, ainda,

na palma de cada mão

um milagrinho diário.

É para isso que estamos vivos.


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segunda-feira, novembro 26, 2007

segunda-feira, novembro 26, 2007

Leonardo da Vinci Um Contador de Histórias.

A Liberdade é o Bem Supremo da Existência
(Leonardo da Vinci)


Todos conhecem Leonardo da Vinci como um pintor extraordinário, um escultor dos mais habilidosos e como cientista louco, visionário e genial.

Mas, o que poucos sabem é que Leonardo da Vinci era um argumentador fascinante, um polido conversador e um contador de histórias mágico e fantástico...

Fazia calar os cientistas; argumentando sobre filosofia, convencia os filósofos; inventando fábulas e lendas, conquistava os favores e a admiração das cortes.

Em qualquer lugar, Leonardo era o centro das atenções e jamais decepcionava seu auditório porque tinha sempre alguma história nova para contar. Se vivesse hoje, os críticos de plantão diriam que ele possuía uma reserva inesgotável de “historietas”, pois vivemos no século das máquinas e não no das artes.
Durante a Renascença as “historietas” eram ditos espirituosos, fábulas e apólogos de bom gosto literário e conteúdo moral.

Da Vinci tinha o hábito de tomar notas em seus livros de bolso que mais tarde, reunidos, formaram os famosos códices. Fazia suas anotações de forma sucinta, com sua misteriosa escrita inversa, que ia da direita para a esquerda.

O único personagem constante de suas fábulas e lendas é a natureza: a água, o ar, o fogo, a pedra, as plantas e os animais têm vida, pensamento e palavras. O homem, pelo contrário, aparece como instrumento inconsciente do destino, e sua ação, cega e implacável, destrói vencidos e vencedores.

“O homem é o destruidor de todas as coisas criadas”, escreveu Leonardo no Livro das Profecias; e, nunca, na longa história de nosso planeta, uma asserção foi mais verdadeira e tão tragicamente atual.

Todas as fábulas e lendas de Leonardo têm um objetivo e uma finalidade moral, mas, lamentavelmente, poucos historiadores lembram-se de Leonardo narrador.

Passados quase cinco séculos e, de todas as fábulas que circularam nas cortes e nas praças da Itália e da França, restam apenas alguns contos populares toscanos, lombardos e franceses e as lacônicas anotações dos códices de Leonardo: o Códice Atlântico, que contém a maiorias das fábulas, e o Códice H, com maior número de lendas.

Porém, nosso século, que vê finalmente o homem voar como os pássaros e emigrar para outros planetas, permanece ainda sendo o da redescoberta de Leonardo da Vinci. As máquinas de nossa civilização, desde a bicicleta até o avião e o submarino, nasceram da fantasia e dos cálculos daquele gênio solitário.

Somos nós, portanto, seus verdadeiros contemporâneos... Aquelas “loucuras” são nossas conquistas científicas; aqueles “rabiscos” são objetos que na atualidade fazem parte do uso cotidiano e até suas palavras tornaram-se atuais.

O Pintassilgo
Leonardo da Vinci
(Lendas H.63v.)

Ao voltar para o ninho, trazendo no bico uma minhoca, o pintassilgo não encontrou seus filhotes. Alguém os havia levado embora durante sua ausência.

Começou a procurá-los por toda a parte, chorando e gritando. A floresta inteira ecoava seus gritos, mas ninguém respondia.

Dia e noite, sem comer nem dormir, o pintassilgo procurou seus fihotes, examinando todas as árvores e olhando dentro de todos os ninhos.

Certo dia um pássaro lhe disse:
- Acho que vi seus filhotes na casa do fazendeiro.

O pintassilgo voou, cheio de esperança, e logo chegou à casa do fazendeiro. Pousou no telhado, mas lá não havia ninguém. Voou para o pátio – ninguém.

Então, levantando a cabeça, viu uma gaiola pendurada do lado de fora de uma janela. Os filhotes estavam presos lá dentro.

Ao verem a mãe subindo pela grade da gaiola, os filhotes começaram a piar, suplicando-lhe que os libertasse. O pintassilgo tentou quebrar as grades com o bico e com as patas, mas foi em vão.

Em seguida, com um grito de grande tristeza, voou novamente para a floresta.

No dia seguinte o pintassilgo voltou para junto da gaiola dentro da qual seus filhotes estavam presos. Fitou-os longamente, com o coração carregado de tristeza. Em seguida alimentou-os um a um, através das grades, pela última vez.

Levara-lhes uma erva venenosa e os passarinhos morreram.

- Antes a morte, disse o pintassilgo, - do que perder a liberdade.

(Fonte: Leonardo da Vinci- Fábulas e Lendas- Bruno Nardini-1972)

Entre várias fábulas e lendas de Leonardo da Vinci escolhi a do Pintassilgo por dois motivos:

Por ser mineira e ter o sangue dos inconfidentes correndo em minhas veias, a Liberdade, para mim, assim como para Da Vinci, é o Bem supremo da existência. Não abro mão da minha liberdade de pensar o que quiser, de escrever o que bem entender e de escolher o que for melhor para a minha vida, inclusive, amores e amigos...

E, em resposta ao post do inspiradíssimo Poeta/Escritor Edson Marques, no dia 20.11.07, no seu blog MUDE, acessem e leiam, certeza que vão gostar muito.

Tenham todos uma ótima semana de liberdade plena de pensamento, expressão e atos.


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sábado, novembro 24, 2007

sábado, novembro 24, 2007

Meu Tipo Inesquecível

Quando eu era criança gostava de ler na revista Seleções do Reader's Digest uma seção denominada “Meu Tipo Inesquecível”, onde pessoas falavam sobre outras pessoas que marcaram a sua existência. Desde então, em cada fase da minha vida, por onde andei, sempre gostei de escolher alguém a quem eu poderia assim denominar.

No mundo virtual encontrei várias pessoas interessantes, que me serviram de exemplo, que me ajudaram com a sua amizade, que me fizeram sonhar, que encantaram os meus dias e as minhas noites...

Mas escolhi uma dessas pessoas para ser o “Meu Tipo Inesquecível”: Iosif Landau... Um homem fascinante, que muito admiro.

Com o Iosif, não foi um caso de paixão à primeira palavra como costumo me referir aos outros Escritores/Poetas, que adoro, foi um caso de amor construído aos poucos.

Quando comecei a ler suas crônicas, seus contos, suas prosas, seus poemas, impressionou-me a forma como escreve, como desperta os sentimentos do seu leitor. Suas narrativas, seus diálogos, são tão vibrantes que chego a sentí-los na pele. Suas palavras são a própria vida, não consigo ler o Iosif e continuar impassível, como se nada houvesse me acontecido. Certa vez, ele narrou uma cena de estupro com tanto realismo que me senti estuprada, aviltada, dolorida até e, então, briguei com o Iosif. Vi nele o meu agressor e me despedi... Mas, na verdade, despedida essa só da boca para fora, pois já estava viciada em seus escritos. Madrugadas, várias, todas as emoções vivi na companhia deste homem: fiz sexo com e sem amor, fui prostituta, fui amada, enganada, infiel, drogada, moça pura, ri, chorei, sofri, conheci as zonas do baixo meretrício do Rio de Janeiro, galerias de artes, espetáculos teatrais, salas de cinemas, artistas, ouvi músicas clássicas e populares e ainda dancei um lindo e “caliente” tango com Ele, entre outras mil aventuras.

Escritor de muito talento, autor de vários livros publicados, Iosif fala sobre a vida com realismo, mas também com lirismo. Ficcionista da melhor qualidade, excelente cronista, poeta dos mais inspirados, homem de muita cultura que escreve sobre qualquer assunto com competência e maestria, este é Iosif Landau, Meu Tipo Inesquecível.

Iosif Landau, uma viagem.
( Por Mariza Lourenço)

ler Iosif Landau é empreender viagem. uma verdadeira aventura em direção a um universo essencialmente masculino, com a ressalva, naturalmente, de não se encontrar em suas crônicas e contos qualquer resquício do ranço machista que pulula entre tantos que, a despeito da docilidade das letras, ainda guardam uma distância respeitosamente hipócrita da mulher.

Iosif é o que é e choca, sem fazer o mínimo esforço, e aí, talvez, resida seu grande e melhor encantamento. o maior 'barato' desse jovem escritor de 83 anos é usar toda a sua vivência a serviço dos olhos de quem ainda não viveu tanto. lê-lo é passear por vielas escuras, becos escondidos, janelas mal iluminadas, corpos suados de putas, corpos trêmulos de mulheres elegantes.

Iosif é o que é, oferece-nos, com muita graça e ironia, passagem para um universo que, inconfessadamente, desejamos conhecer e penetrar, mas que, por excesso de pudor (eu escrevi pudor?), tantas vezes deixamos escapar para longe dos olhos. existe algo de hipnótico em sua linguagem. existe algo de ameaçadoramente convidativo. a linguagem de Iosif assusta, e nisso se assemelha a Bukowski, o velho safado. porque é real demais para ser ignorado. porque muitas vezes machuca, arranha e faz doer. e é por isso que o considero um grande escritor. porque assombra meus olhos e surpreende minha alma, fazendo-a viajar.

Iosif Landau é o que é, um escritor nascido na Romênia, mas em cujo peito bate mesmo é copacabana.

Dois Poemas de Iosif Landau

Fujam

Noite,
por que não silencia?
cães, carros, loucos, uivos, berros
desespero ímpar,
Noite,
me leva ao país da eterna adolescência
traga mensagens dos que me amam
quero espaço reservado na Nova Ordem
que apareçam os salvadores da alma
preciso de auxílio para a Travessia
serei bem sucedido?
Chuva açoita janelas
vento arranca telhas
geladeira estremece, vibra
a Travessia será silenciosa?
Êxtase, encantamento
vamos sorrir! conseguem?
Agarrem a mão de suas amadas
e fujam
Noite,
estou triste, tão triste!

Nossa Terra

E se o combatente
em vez de guerrear
fizer amor com sua mulher
e uma criança nascer
em vez de outra morrer
e neste verão você querida
eu e os outros também
continuaremos vivos
e se ouvirmos a risada
da mãe ao amamentar
então, o coração de nossa Terra
bate cheio de Vida.
Iosif por ele mesmo
Nasci de uma família judia e burguesa em Bucareste, o país considerado o mais anti-semita da Europa, em 30 de abril de 1924. O dinheiro (éramos ricos) facilitou muito minha vida, muito conforto, muita alienação. Cursei o ginásio na Romênia, até completar catorze anos. Continuei os estudos na Inglaterra. Na eclosão da guerra de 39 permaneci lá e o restante da família — pai, mãe, irmã (a artista plástica Myra Landau) — voltou para Bucareste. Em dezembro de 1940 vim para o Brasil, onde a minha família já residia. Completei o ginásio no Rio, estudei engenharia, graduei-me em 1949, casei-me em 1950. Tenho quatro filhos (três homens e uma mulher) e oito netos. Trabalhei durante mais de quarenta anos na profissão e sinto orgulho de ter contribuído para o desenvolvimento do Brasil, construindo rodovias, ferrovias, hidrelétricas e na eletrificação. A vida nômade permitiu-me conhecer muito bem o país e sua gente. Aposentei-me do trabalho em 1992. A educação que me foi dada desde a infância viciou-me na cultura, literatura, música, pintura. Sou também apaixonado pelo cinema”

No prefácio de seu livro ”Memória Tumultuada”, ele nos conta:

“Não revisei o que escrevi, não mudei uma palavra, uma frase, um pensamento, se me repeti e abusei da paciência dos meus leitores, peço desculpas, mas esse livro é o que eu sou, impulsivo, amoroso, confuso, passional, arrependido, rancoroso e sentimental, crente e descrente, cínico, irônico, violento e tímido, corajoso e covarde, impiedoso, irreverente... Julguem-me, mas não me condenem. Cogito ergo sun."

Livros Publicados:
Comissário Alfredo (Editora Record) — foi editado em 1995. Os Anjos Também Morrem (romance policial, Editora Altos da Glória, 1997); Encontro em Salvador (romance, Papel & Virtual Editora, 1998); Eles, Eu, Outros (poesia, Papel & Virtual Editora, 1999); Minha Doce Empreiteira (romance policial, Papel & Virtual Editora, 2000); Tudo por Nada (romance, Papel & Virtual Editora, 2001); Confissões (poesia, Papel & Virtual Editora, 2001); Preto & Branco (poesia, Papel & Virtual Editora, 2002); Memória Tumultuada (memórias, Papel & Virtual Editora, 2002); Eu Vi (poesia, Papel & Virtual Editora, 2003); Abelardo e Outros Contos (contos, Papel & Virtual Editora, 2004); Eu, Investigador (romance policial, Papel & Virtual Editora, 2004) e O Diabo Vestia Seda (romance policial, Publit Editora, 2006).
E ainda foi publicado na antologia Crime Feito em Casa — Contos Policiais Brasileiros (org. Flávio Moreira da Costa, Editora Record).

Leiam mais Iosif Landau no seu SITE e no seu BLOG
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quinta-feira, novembro 22, 2007

quinta-feira, novembro 22, 2007

Van Gogh o Poeta das Cores

“Experimento uma terrível clareza em momentos em que a natureza é tão linda.Perco a consciência de mim mesmo e os quadros vêm como em sonho"
(Van Gogh)


Não sou uma conhecedora de ténicas de pintura, mas como uma admiradora das artes, deixo-me levar pela beleza e pela grandiosidade de Vincent Van Gogh e concluo que nada mais interessa a não ser a cor, a forma, o movimento, a complexidade da simplicidade exposta em suas telas... Van Gogh desperta em mim uma“falsa” paz, uma paz que ele nunca teve. Mas, talvez, por acreditar que quando pintava seus quadros encontrava seus únicos momentos de paz, eu também a sinta...

Vincent Willen Van Gogh nasceu na Holanda no dia 30 de março de 1853. Era o primeiro dos seis filhos de Theodorus Van Gogh e Anna Cornelia Carbentus. O pai era um pregador protestante. Aprendeu francês, inglês e alemão. Em 1868, porém, deixou os estudos. Trabalhou com um tio em Haia (Holanda), numa das lojas da Goupil and Co., que negociava obras de arte, mas não se adaptou. Com 24 anos de idade, decidiu que sua vocação era a evangelização. Chegou a estudar Teologia em Amsterdã. Logo, porém, abandonou o curso e foi trabalhar como pregador leigo nas minas de carvão de Borinage, na Bélgica. Lá distribuiu todos os seus bens entre os pobres, viveu em barracos e lutou para melhorar as condições de vida dos mineiros. Mas suas preocupações sociais não foram bem recebidas por seus superiores, que suspenderam seu salário, fato que o levou a decidir-se pela vida artística.

Noite Estrelada

Trata-se de uma das obras mais conhecidas do artista. A crítica tem especulado bastante à respeito de seu significado religioso. O minúsculo povoado contrasta com a imensidão de um céu turbulento e a silhueta do cipreste seria um sinal da morte.

Quando resolve pintar, é ajudado pelo seu irmão Theodore. Com o dinheiro que recebe dele, Van Gogh estuda anatomia e perspectiva. Decide-se por pintar a sua terra e os homens simples. Não deseja fazer uma pintura clássica, pintar "gente que não trabalha". E diz:

"Eu não quero pintar quadros, quero pintar a vida".

Em 1885/86, van Gogh está em Antuérpia, onde ele se apaixona definitivamente pela cor: Excepcional artista, foi buscar na natureza o colorido, as formas revoltas, as árvores farfalhantes, as casas solitárias, os rostos sofridos, os corpos alquebrados, os céus estrelados, o amarelo dos girassóis e dos trigais, tudo com um brilho muito exagerado para ter mais expressão.

"Procuro com o vermelho e o verde exprimir as mais terríveis paixões humanas. Quero pintar o retrato das pessoas como eu as sinto e não como eu as vejo”

Em 1888 ( em Arles ) pinta ao ar livre. Quando chega o verão e o sol, van Gogh liberta as cores:

"Eu quero a luz que vem de dentro, quero que as cores representem as emoções".

A seu convite, Gauguin chega em Outubro, para trabalharem juntos. Seguem-se dois meses de trabalho duro e fértil para ambos. Mas a diferença de temperamento e de atitude diante da vida acaba explodindo numa inevitável desavença. Van Gogh tem crises de humor, discute, agride o amigo, sofre de mania de perseguição e numa das crises tenta ferir Gauguin com uma navalha. Arrependido, corta, de propósito, um pedaço da orelha e manda num envelope à mulher que motivou a briga. Recolhido ao hospital Saint-Paul para doentes nervosos, mais tarde pinta, diante do espelho , o Auto-Retrato com a orelha cortada. Seu olhar é de espanto, mágoa e melancolia.

Auto Retrato

Em maio de 1889 ele mesmo pede ao irmão que o interne. Vai ao hospital de Saint-Rémy. Seu quarto do hospital é transformado em atelier e lá pinta paisagens, o hospital, os doentes, as celas, o pátio e os médicos.

Jardim do Asilo de Loucos em Saint-Rémi

Durante a sua estadia no retiro de S.Rémy, Van Gogh segue assumindo a realidade que o rodeia como referência de trabalho.A crítica reinterpretou este caminho entre os pinheiros ao entardecer como uma recriação da Paixão de Cristo na horta de Getsemani.

Ainda no mês de maio, deixou a clínica e voltou a morar em Paris, próximo de seu irmão e do doutor Paul Gachet, que iria lhe tratar. Porém a situação depressiva não regrediu.

No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revólver na mão. É domingo, o grão está dourado, o céu incrivelmente azul. Corvos muitos pretos gritam e fogem em revoada. Dias antes ele pintou esse quadro. No meio do campo dá um tiro no peito, levado a um hospital não resistiu morrendo três dias depois.

Vinhas Vermelhas

Vincent Van Gogh não conheceu a fama e nem a fortuna. Em toda a sua vida, o mestre da pintura vendeu apenas um quadro: Vinhas Vermelhas, em Arles. Durante os seus 37 anos de vida, passou fome e frio, viveu em barracos e conheceu a pobreza absoluta. Não fosse a generosidade do irmão Theodore, que o sustentou durante muitos anos e com quem se correspondeu a vida inteira - foram mais de 750 cartas -, talvez não tivesse vivido o bastante para nos deixar sua arte.

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terça-feira, novembro 20, 2007

terça-feira, novembro 20, 2007

Minha Infância e a Literatura

Meu amor pela literatura começou ainda na infância. Fui alfabetizada aos cinco anos, tamanha era a minha curiosidade pelas letras... Meu avô gostava de ler o jornal antes de todo mundo, mas eu não lhe dava sossego, ficava todo o tempo ao lado dele perguntando: - Essa letra com essa outra que som faz? E assim fui descobrindo as palavras, aprendendo a ler e me encantando pelos livros.

Como toda criança, adorava os contos de fadas, as aventuras das mil e uma noites, mas meus livros preferidos eram os de Monteiro Lobato, as histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo. Morava em uma casa grande e no quintal estava a minha alegria: várias árvores frutíferas. Debaixo delas, onde começava a terra, que eu me sentava com o livro da ocasião nas mãos e, com o sabor doce da fruta na boca, as narinas impregnadas com aroma da terra, sentia toda a emoção de viajar por aquele mundo das palavras, da imaginação.

Foi também nesta época que me apaixonei pela poesia, ao ler num velho livro, já desgastado pelo manuseio, “Ismália” de Alphonsus de Guimaraens, poeta mineiro, nascido em Ouro Preto no ano de 1870 e falecido em 1921.

Esse poema , triste e belíssimo, não só despertou a minha paixão pela poesia como também o meu amor e interesse pelos loucos, o que foi determinante para a escolha da minha profissão, mas isso é tema para um outro post...
Ismália
Alphonsus de Guimaraens


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Considerado um dos grandes nomes do Simbolismo, e por vezes o mais místico dos poetas brasileiros, Alphonsus de Guimaraens tratou em seus versos de amor, morte e religiosidade. A morte de sua noiva Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas.

Em toda sua trajetória literária, é translúcido o sofrimento que pontuava sua existência, por vezes soava até mesmo como uma convenção poética. Mas sabe-se que nem o casamento, nem a vida pacata em Mariana, atenuava o sofrimento perene dado pela ausência de Constança.

Publicado no livro “Pastoral aos crentes do amor e da morte” Ismália, poema integrante da série "As Canções", foi incluído no livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 45, uma seleção de Ítalo Moriconi.

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domingo, novembro 18, 2007

domingo, novembro 18, 2007

Prosseguindo Viagem...

Outros lugares que visitei nessa minha viagem dos sonhos...

eu adivinhava:
seria
bem assim
quando acontecesse
você tecendo em mim
esse recesso
do que é ruim
eu bem que sabia
depois
daquele dia
o que ficou lá atrás
se desmancharia
no ar
e no lugar
você saberia
o que desenhar
agora
que a tarde ainda me olha
com teus olhos
eu estremeço
meço as distâncias
desconsidero as circunstâncias
e vôo
agora me diga:
quem nos quebrou em cacos
deixando nossos pedaços
tão iguais
que onde me falta uma parte
é parte sua
que me cabe
tão bem
que pareço nunca ter quebrado


Vássia Silveira

Sim, deixei-me conduzir
e ficar: não pela verdade
dos espelhos
- mas porque resolvi deixar na porta,
ao sair,
um tapete de retalhos:
meus olhos no chão das tuas mentiras


Douglas D.

cuspo amargura nos teus sonhos
pois precisas saber
que o amor não se sustenta
o amor simplesmente
adoece e rasteja
levando embora
todas aquelas manhãs
que um dia nós dois
ousamos sorrir

(eras tu quem amanhecia meus girassóis)


Silvane Saboia
Inveja da lua


Havia pedaços de mim
pelo banheiro todo.
No chuveiro aonde costumo chorar
vi pela janelinha
a lua crescente.

E eu minguando.
Queria voltar a ser inteira
mas estou triste e nua.
Ah... Que inveja da lua!

A Mineira do Blog Matutando me ofereceu este selo. Um carinho de uma amiga para outra... Obrigada querida pela lembrança.

Um lindo domingo a todos!

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sexta-feira, novembro 16, 2007

sexta-feira, novembro 16, 2007

Viagem dos Sonhos


Fim de semana prolongado, amigos e familiares viajando, estradas cheias, acidentes vários, aeroportos congestionados, pessoas irritadas, voos atrasados, nada disso me seduz..

Mas o quê fazer com tantos dias de ócio? Viajar, claro, mas viajar pelo mundo encantado, aquele mesmo mundo que as crianças sabem o caminho e quando adultos o esquecem.

Meu mundo encantado é o da literatura, da poesia... Poetas são as fadas da minha infância que transformam sentimentos, amores, dores e até a tristeza das guerras em puro encantamento. Suas varinhas de condão - as palavras que me fazem sonhar... Minha rota de fuga das mazelas desta vida.

Oásis que encontrei pelo caminho, onde saciei a minha sede e a minha fome de beleza...


Mariza Lourenço

Trauma


Era bonita, jovem e doida pra encontrar marido.

E por conta dessa vontade, vivia acendendo velas pra Deus e pro Diabo.

Um dia suas preces foram atendidas, se por Deus ou pelo Outro, ninguém nunca há de saber. Arrumou um pretendente bonitão, com ares de honesto. Casaram-se e logo deram início à numerosa prole: seis ao todo.

Entre uma e outra lavagem de fraldas e cuecas sujas, a moça, que tanto sonhara estar casada, olhava-se ao espelho e constatava, com certa tristeza, a passagem do tempo, a chegada dos pés-de-galinha e, claro, o corpo que já nem era corpo, era depósito de leite, era coisa esquecida do amor.

Entre uma e outra lágrima, porque o tempo era escasso até pra chorar de verdade, resolveu apegar-se a antigas crenças. Acendeu algumas velas, sem destino certo. Tinha vergonha de (des)pedir o que já fora pe(r)dido.

Não foi atendida. Nem por Deus nem pelo Diabo, que tinham mais o que fazer.


Cláudia Camara

Atemporal

O tempo passa e minha alma não se dá conta disso,
permanece em estado de querência,
emperrada na juventude nos sonhos.
Em dias como o de hoje,
explodo de desejo,
inundo paredes com minha fome de mundo
Eu sei, outros dias virão
para me encontrar
finalmente exausta,
vazia de futuro,
quando então, lamberei muros,
catando restos da que foi minha fome.
De tudo.


Benno Assmann

Desejo

em volta do teu umbigo
meu desejo passeia
ânsia de te possuir lento
abrigado ao relento
na tua ou na minha cama
sobre a grama ou a areia
tuas curvas acentuadas
e tua pele dourada
mexem tanto comigo
fazem vibrar minhas veias
que derretem-se ígneas
tenho-te sempre aqui dentro
em minha circulação sanguínea


Fábio Reoli

Pretérito


Atrasou o relógio e descalçou os sapatos.

Fechou o livro onde moravam as lembranças.


Apagou com um sopro o toco da vela de baunilha.

Depois a Lua.


Escura e inútil tentativa.

Voltou pra cama e abraçou a noite sem sonhos.


Voltar no tempo é ser passado pra trás...


Dentro da noite negra

Encoberta pelo nevoeiro

Acima do Deserto

Nas Terras Sagradas

No vazio do inferno

Dois mortos se amaldiçoam

Enquanto na vida manhosa

Dois vivos, fuzis embalados

Se olham, hesitam,

Atiram para cima

Se afastam

Shalom , Salaam!


Edson Marques


Se por acaso e por desastre eu vivo um dia de rotina, espremo à noite o meu coração como quem torce roupa, e não sai nada. Nem uma palavra, nem uma gota, nem um pingo, nenhuma emoção...

Tudo fica meio cinzento, e meu corpo cansado só consegue dormir.

Mas, quando vivo um dia de aventuras, vivo também uma noite de prazer escandaloso. As palavras caem delicadas no meu colo, excitantes, graciosas, uma tempestade de desejos e de mel se forma no meu peito, um livro todo escreveria se quisesse. Deus me abraça com doçura, o vinho branco cai do céu na minha boca, o universo inteiro entra em foco, meus amores se tornam girassóis, e a Vida me convida pra dançar...

E tudo que eu toco vira Música.


♪♪♪♪♪♪

Um fim de semana de sonhos e encantamento para todos !


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quarta-feira, novembro 14, 2007

quarta-feira, novembro 14, 2007

Os Incas

Comecei a blogar por brincadeira, sem nenhuma pretensão. Pensei apenas em criar um espaço onde pudesse postar o que gosto, principalmente sobre literatura, tema não muito popular entre os brasileiros, mas fiquei surpreendida com alguns emails que recebi de visitantes de outros Países. Entre esses visitantes, de um, particularmente, me tornei amiga, Jorge Antônio o nome dele, Peruano, professor de educação física, Poeta e Escritor.
Para ele dedico o meu post de hoje e também me dou um presente, já que desde criança acalento o sonho de conhecer o Peru, especialmente as cidades de Cuzco e Machu Picchu, pois me fascina a historia do Império e da civilização Inca.

Os Incas
Fisicamente os Incas eram de pequena estatura, pele morena, variando do moreno claro ao escuro, cabelos pretos e lisos quase imberbes. A organização dos incas era de forma piramidal, sendo o Inca, o chefe supremo, com poderes divinos. Seus deuses eram os elementos naturais. Seu Deus principal era o Sol, seguido da Lua, das Estrelas, do Relâmpago e a Chuva. Isto porque tinham uma organização econômica baseada na agricultura e dependiam destes elementos fundamentais para a fartura. Tinham profundo conhecimento de meteorologia e das estações do ano para saber a época apropriada para plantio e a colheita das várias espécies vegetais. Também eram muito hábeis na manipulação da cerâmica, tecidos e do ouro.

A Sociedade
A sociedade inca caracterizava-se por três grandes grupos sociais. No ápice da pirâmide temos o grande Inca o qual realizava o culto ao Sol. Os sacerdotes eram responsáveis por sacrifícios, adivinhações e também pela educação de jovens nobres. Em seguida vinham os nobres que geralmente eram membros da família do Inca, ou descendentes dos chefes de clãs que passaram a integrar o império. Eram chamados de orejones. Os yanaconas eram uma espécie de escravos selecionados entre prisioneiros de guerra ou populares que eram encarregados de proteger seus senhores, administrarem terras do Templo do Sol e os armazéns de abastecimento. Somente altos funcionários e chefes militares podiam ter a seu serviço os yanaconas os quais, podiam possuir bens, o que os diferenciam dos escravos. Apenas um dos filhos do yana era escolhido para continuar a atividade do pai. Alguns viviam em meio ao fausto de Cuzco enquanto outros serviam curacas pobres em regiões distantes. Algumas mulheres também eram escolhidas para serem educadas nos monastérios do Sol por mulheres mais velhas e descendentes da etnia dos incas. Algumas se tornavam esposas secundárias do imperador, outras eram dadas em casamento a quem o imperador desejasse e outras permaneciam virgens para poder participar do culto solar. Ao lado da atividade ritual estas mulheres também se dedicavam a fiar e a tecer.O povo tinha um papel extremamente importante na sociedade na medida em que era responsável pela sobrevivência alimentar através do cultivo da terra e, também, pelas guerras que faziam parte das formas de controle da produção em uma área bastante extensa. As terras eram divididas em três partes. Os produtos obtidos do cultivo da primeira parte eram oferecidos ao culto do Sol, os da segunda parte para o Inca e os da terceira parte para a comunidade.

Arte, Ciência e Arquitetura
A cultura inca , resultado da mistura das culturas preexistentes na região andina , era muito rica, principalmente no que se refere à arte, intimamente ligada à ciência, à religião e ao cotidiano. A ourivesaria inca possuía caráter funcional e ornamental; o desenho das peças tinha formas geométricas. As estatuetas de metal eram bem estilizadas, tendo a cabeça mais trabalhada que o restante do corpo. A prata era um dos metais mais apreciados para as peças suntuosas, embora se tivesse conhecimento de metais como o ouro. Nessa arte, destacam-se também as facas de sacrifício. Nas construções arquitetônicas incas o que marcou foi o trabalho com a rocha; obras civis de pouca importância, fortalezas, torres, templos, palácios e edifícios do governo tinham em suas estruturas pedras arduamente trabalhadas e esculpidas pelos trabalhadores incas. Tais pedras eram constituídas do mais puro granito branco e seus vértices esculpidos em diversos ângulos de tal maneira que os blocos se encaixassem perfeitamente uns nos outros sem a utilização de argamassa ou cimento. As pedras, para que pudessem resistir aos freqüentes tremores de terra, tinham forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegavam a atingir três toneladas. Não se sabe o tipo de instrumento utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou rodas. Nativos da região dizem que tais ferramentas seriam feitas de hematita, oriunda de meteoritos. Segundo os cientistas, essa hipótese é um tanto improvável. É incontestável a engenhosidade de certas construções incas, como por exemplo os canais que transportavam água a poderosas cisternas, para que fosse enfim armazenada sem desperdícios, ou mesmo os diversos níveis de terraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.


A civilização Inca sempre intrigou os estudiosos. Afinal, o povo andino conseguiu criar um dos impérios mais importantes e extensos do mundo sem conhecer a roda. Os incas formaram uma das sociedades mais complexas e bem estruturadas de todos os tempos, com uma hierarquia rígida e um sistema social em que nenhum integrante do império jamais passava fome, mesmo nos períodos de seca, terremotos ou outras catástrofes naturais.

É lamentável que uma civilização de cultura tão rica tenha sido destruída. Em muitos campos como agricultura, medicina e astronomia, os conhecimentos dos Incas eram superiores aos dos europeus. Não se pode fazer idéia do que se perdeu, em termos de tratados científicos, organização sócio-política, agricultura, artes e arquitetura, com a destruição do Povo Inca.


Um poema do meu amigo Jorge Antônio

El Sueño del Inca

Está sentado en el trono.

Tiene un sol sobre la frente.

En las manos un imperio.

Se levanta a contemplar

el horizonte fecundo.

Y embelesado suspira

al escuchar una quena.

"Mis hijos no tienen hambre.

Mis campos hierven de vida.

Mis animales aumentan

como las piedras del río."

"Puedo dormir tranquilo

nada urge por hacer.

Satisfecho está mi Padre

queja mía aún no ve."

Esa noche el soberano

raro sueño fue a tener.

Vio mazorcas desprendidas

emergiendo de la mar.

La mañana se pasó

en consultas de adivinos.

Y la historia es conocida.

(Jorge Antônio)

Jorge Antônio... mi cariño, amigo

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segunda-feira, novembro 12, 2007

segunda-feira, novembro 12, 2007

Fala que me ama...

Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu nunca falar eu me perderei, e por me perder, eu te perderia.”
(Clarice Lispector)

Um dia faremos sexo, foi o que me disse. Sexo não quero, quero Você e seu amor...Esse amor que talvez me tenha, mas que não confessa, nunca.

Tamanho o meu desejo  que chega a me doer, mas não fala que me ama, então me nego, não me dou.

Sinto você, sei que precisa do meu sorriso, do meu cheiro, dos meus carinhos...

Sei dos seus ciúmes, que morre um pouco cada vez que me deito em outra cama, tudo isso sei, mas...

Se nunca diz que me ama... eu não me dou e minto, minto muito, minto e nego a minha vontade e urgência de ser sua...

Saber que talvez me ame não basta, quero mais, muito mais, de Você quero o todo, o sempre, o para sempre.

Você não me fala de amor e eu choro e me perco em outros braços vários, em outras bocas tantas...

O que não me tira a dor, o que não mata a minha fome, que é só sua...

Por favor, diga logo: "Eu te amo", nem precisa ser verdade, só me faça acreditar...

(Não deixe que a vida me leve de Você, outra vez, AMOR)




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sábado, novembro 10, 2007

sábado, novembro 10, 2007

Uma Crônica Dela, Um Desabafo Meu

Para minimizar a saudade que sinto dos versos e da prosa dela, para embelezar este sábado, a crônica de Mariza Lourenço...


Um Cara Maravilhoso

Betão era um cara maravilhoso, mas tinha a mania irritante de acordar com as galinhas durante as férias.

— Broto, to indo pro futebol. Maior solzão lá fora, levanta dessa cama!

— Pô, Betão, sete horas da manhã! Tem dó de mim!

— Logo hoje, broto, que o golaço vai ser em sua homenagem.

— Que emoção, Beto! A gente se encontra na praia depois do jogo.

— Não sei se vou pegar onda depois, broto, pode ser que pinte outra coisa, sei lá.

Mas ele ia! Ele, sua prancha, seus cabelos compridos e aquela irresistível disposição em fazer tudo ao mesmo tempo agora.

Em cima daquela prancha (uma bi-quilha feita sob medida para aquele corpaço de arrasar quarteirão) Betão se assemelhava a um Deus, senhor do próprio destino e do meu coração, que era só derretimento. Estávamos apaixonados, mas sabíamos que era paixão provisória e que duraria o tempo exato daquele verão. Durou mais!

Namoramos firme, fizemos planos de botar o pé na estrada e até comecei a tomar gosto pelas partidas matinais de futebol. Mas o bicho da impaciência, que parecia adormecido, resolveu levar Betão pra longe de mim. Ele queria porque queria sair do país pra só viver de andar por aí. Foi bonito e duro e triste vê-lo, pela última vez, sentado em cima da prancha além da arrebentação, esperando a próxima onda.

Um aceno de mão, um sorriso e uma foto: tudo o que restou dele e daquele tempo escandalosamente lindo.

Segui a minha vida e foram tantas as mudanças que, hoje, as lembranças me doem insuportavelmente.

Betão não teve tempo de mudar. Morreu por conta da liberdade e de tantos sonhos, com o corpo devastado pelo vírus do amor.

Aqui dentro ele continua se assemelhando a Deus.

E continua lindo...

Mariza Lourenço


Um Desabafo

Quando criança tinha um amigo que sempre estava comigo... Ninguém mais o via, diziam que eu o havia sonhado, mas era tão real que nem me importava se era sonho, ou não. Levava a vida despreocupadamente, sem medo algum, segura, confiante na proteção dele. Eu o chamava de "meu anjo".

Não sei em que ponto do caminho o perdi, mas um dia ele se foi e eu segui sozinha... não mais tão segura e com alguns medos.

Muitos anos se passaram até que...

Um salão cheio de pessoas e nossos olhos se encontraram. De pronto o reconheci, mas ele não... Tanto falei que já nos conhecíamos que ele resolveu acreditar e desde então ficamos juntos, ele minha razão, eu sua emoção.

Por pudor de mulher adulta, não mais o chamava de anjo e sim de amigo. Mas me sentia igualmente protegida , acompanhada, feliz...

Porém, mais uma vez perdi “meu anjo”, por uma mentira. Mentirinha pouca, que perdoaria a qualquer outro, mas não a ele que sonhei ser anjo...

Pena, nunca foi, é apenas um homem, comum como os outros. E eu vou continuar seguindo sozinha, não mais segura e com todos os medos.

Este o motivo da minha tristeza dos últimos dias, o meu desencanto com o meu melhor amigo. Uma mágoa enorme que não me cabe no peito e escorre pelos meus olhos...

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quinta-feira, novembro 08, 2007

quinta-feira, novembro 08, 2007

Quando Ela o Matou

“escapo à solidão que não soube me devorar, em silêncio. os odores da madrugada vêem-me verticalizar o prenúncio duma aurora possível de ser sonhada, sem ti. espantalho, desfiz o nó do medo e cimentei meu coração. só o que pedi era pra que amanhecesses meus girassóis.”
(Douglas D.)


E ela resolveu matá-lo... Piedade não teria, ia matá-lo com um só golpe para que a morte fosse rápida e não sentisse vontade de ressuscitá-lo. Também remorso algum sentiria, afinal era ele ou ela, sua decisão estava tomada, teria que ser naquele mesmo dia, quando a lua surgisse, a lua que o viu nascer e que agora testemunharia a sua morte.

Olhou-se no espelho e depois de tanto tempo se reconheceu, há muito não se achava, sempre era a outra que ali se encontrava. Mas, agora, já quase livre dele, poderia voltar a ser ela mesma.

Não bastava só matá-lo, teria que enterrá-lo bem fundo para que nada mais dele restasse...

Com ele enterraria também suas dores, seu choro, seus dissabores e, infelizmente, todos os seus sonhos, mas se assim teria que ser assim seria.

Achava que não poderia viver sem ele, mas isso bem antes de começar a morrer aos poucos por ele.

Sabia quando matá-lo... Olharia, pela última vez, dentro daqueles olhos negros como petróleo, onde um dia havia mergulhado em busca de uma alma que nunca existira e neles havia se perdido e perdida ficou até quando se achou, seria nessa hora que o mataria para sempre...

E assim foi feito. Quando os seus olhos se encontraram, sob a mesma lua que brilhava quando ela o sentiu pela primeira vez, ela matou o AMOR e o enterrou bem fundo dentro do seu coração, depois saiu por aquela porta e nunca mais voltou...

Mas, enganou-se quem disse que o amor é apenas chama, amor é fogo que não se deixa morrer, não se deixa apagar e hoje ela sente que ele teima em querer arder dentro dela, novamente.



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terça-feira, novembro 06, 2007

terça-feira, novembro 06, 2007

O Poeta

“Mais vale sonharmos a nossa vida do que vivê-la, embora vivê-la seja também sonhar”.
(Marcel Proust)

Este post é dedicado ao Poeta, não a qualquer poeta definido pelo dicionário como “aquele que faz versos; que tem inspiração poética ou caráter idealista; sonhador; que traduz em verso o sentimento do belo”, mas sim a um Poeta em especial, aquele que me fez voltar a sonhar...

Estou falando de Benno Assmann, ou melhor, gostaria de falar sobre Ele, mas impossível encontrar palavras que possam expressar a admiração que lhe tenho. Não sei falar sobre Ele, só sei senti-Lo.

Um homem sensível, sincero, de sentimentos nobres, um ser humano da melhor qualidade... O Poeta dos lindos olhos azuis!

Benno Assmann, Gaúcho de Porto Alegre, Engenheiro Eletricista e de Petróleo, Mestre em Engenharia Mecânica, Técnico em Mercado de Capitais, Bacharel em Direito, atualmente se dedica à sua Tese de Doutorado em Engenharia de Automação e Mestre na arte de poetar.

Seus poemas aquecem e fazem disparar meu coração, encantam a minha alma e arrepiam a minha pele.

P♥eta, P♥eta, uma alegria enorme poder postar seus versos, obrigada por ter permitido. Meu carinho, meu beijo.


Credo


creio

piamente

em tua boca

e no céu

que lá existe

(único céu

que ainda me resta

: o outro

para sempre

jaz perdido)

creio no santo poder

dos teu olhos

sobre meu ser

(dos meus

inconfessáveis pecados

fazem be-atos)

sob a luz

que emanas

em meu caminho

tudo é sagrado

mas se na escuridão

de tua lamentada ausência

trevas

(só a luz do teu olhar

acende meus faróis)

creio sobretudo

na divindade

de tua pélvis

(apaixonadamente

ali mergulho

: batismo de sangue)

teus olhos são-me guias

abrem olhos antes cegos

a verdade que mora em teu ser

dissipa nuvens eternas

do contumaz ceticismo

que me anuvia

derrete seu calor

as neves sempre brancas do meu gelo

trocaria a eternidade

por um breve momento ao teu lado

e todas as minhas idades

vividas ou ainda por viver

todos beijos que já sonhei

por um único beijo teu

resignar-me-ia até à eterna dor

para ter um breve instante do teu amor

Benno Assmann
Mais do Poeta em Noites Insones
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domingo, novembro 04, 2007

domingo, novembro 04, 2007

Cláudia Camara

Subnutrido de beleza, meu cachorro-poema vai farejando poesia em tudo, pois nunca se sabe quanto tesouro andará desperdiçado por aí...Quanto filhotinho de estrela atirado no lixo!
(Mário Quintana)

E foi assim que a ”achei”...

Teria, mais uma vez, que fazer uma palestra sobre “Mentiras e Fofocas” e cansada da mesmice que era repetir, todos os anos, a mesma coisa, ainda que para pessoas diferentes, tinha resolvido incrementar meu texto e para isso fui consultar o “Google”...

Logo aquele link despertou minha atenção, pensei tratar-se de mentiras de políticos e, não resistindo à curiosidade, acessei o ”Mentiras Históricas".

Encantei-me à primeira leitura, poemas, crônicas, textos, prosas poéticas da melhor qualidade literária. Lia tudo, avidamente, nem me lembrava mais da tal palestra. Repetia, em voz alta, “não acredito no que leio, essa moça pegou meus pensamentos e os transformou em pura poesia”.

Desde então sempre a leio e hoje tenho a enorme alegria de tê-la como amiga, Cláudia Camara, Escritora, Poeta, Redatora, Publicitária e, para o meu orgulho, Mineira de Belo Horizonte.

Tantas afinidades descobrimos ter, ela e eu, além de sermos parecidas fisicamente e torcermos pelo mesmo time, o Atlético Mineiro, que ela brincou que fomos separadas na maternidade. Coube a ela ficar com o melhor, o dom de escrever lindamente. Ela o verso, eu o reverso.

Precious little things

Teve um tempo na minha vida que eu guardava, sem nojo, chicletões ping-pong mastigados, dentro de um copo com água da talha. Pra aproveitar no dia seguinte. Às vezes eu guardava um pirulito meio chupado do mesmo jeito. Só que o pirulito, sei lá porque, eu guardava o copo na geladeira com ele afogado lá no fundo. Ovo de páscoa também. Eu mordia pequenininho e embrulhava de novo no papel de metal, colava uma etiqueta de escola: Pertence à: Claudia. Adorava economizar muito o chocolate. E gostava muito de pegar o doce com aquela pele branquinha de gelado. Baforar ele até desprender o cheiro de derretido. E depois comer devagar. Se possível na frente de alguma irmã ou primo, cujos ovos da Páscoa já tivessem acabado. Era bom ter o que barganhar. Era bom passar vontade neles. Ir mordiscando os pedacinhos, falar hummmmm enquanto expremia a massa de chocolate com a lingua no céu da minha boca.

Hoje, mulher sem direito a crueldades meninas, eu guardo em copos e bem mastigadas, dores antiguinhas. Dores de estimação. Pode ser uma saudade de um lugar, ou de um cheiro, coisinhas que me mantém com 18 anos. Um amor que não foi mordido, lambido, mastigado,vivido até acabar o gosto. E por isso eu guardo nos porões da minha memória, com a mesma etiqueta: Pertence à Claudia. De vez em quando eu pego esse amor e fico baforando ele com o hálito cheio de lembranças. E vejo ele se render ao meu chamado e aparecer sob a névoa branca do frio e do tempo. Ele vem, todo derretido, doce e gostoso como os chocolates da minha infância.

Então é por isso que umas dores que eu conservo cuidadosamente, guardo pra aproveitar depois. Dores físicas gostosinhas e dores de coração esgarçado.

Cláudia Camara
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sábado, novembro 03, 2007

sábado, novembro 03, 2007

Uma Crônica

Nesses últimos dias postei alguns textos, crônicas e contos escritos (ou cometidos) por mim... Mas, hoje, por ser sábado, dia em que me faço feliz, para o meu próprio deleite e o de todos, cedo palavra a quem sabe escrevê-la com competência.

Esta crônica é de autoria da minha amiga poeta/escritora, de muito talento, Mariza Lourenço. Certeza que vão gostar dela o mesmo tanto que gostei.

Mariza querida obrigada por ter me autorizado à postá-la.

Um Feliz Sábado a Todos!



Marcelo Augusto

Marcelo Augusto era o bam-bam-bam da Faculdade de Comunicação. Bonito, gostoso e cheio de músculos, usava calça jeans apertada e camiseta modelo "mamãe sou forte".
As meninas eram doidas por ele, os meninos morriam de inveja e os professores, não sei porque cargas d'água, só lhe davam notas altas.
Marcelo Augusto tinha um Fiat 147 amarelo-ovo, o qual fazia questão de manter sempre cheiroso e polido. Quando ouvíamos o barulho daquele motor-enceradeira, avisando-nos da sua chegada, sim, pois ele se recusava a equipar o carro com buzina, ficávamos excitadas. Até eu, noiva, de casamento marcado, suspirava cantarolando baixinho a música da moda it's raining again.
Marcelo Augusto flertava com todas e não namorava nenhuma, o que nos dava a falsa sensação de que haveria sempre a possibilidade de sermos as escolhidas. Estratégia inteligente daquele moço cheio de si. Ele sabia que era bonito e, ao contrário dos outros rapazes, era extremamente seguro de suas qualidades. E mesmo que lhe faltasse alguma, as que ele possuía tratava de supervalorizar, desviando as atenções de seus defeitos. Ora, sinceramente, éramos jovens, afoitas e sem compromisso imediato com o futuro. Só queríamos saber de namorar.
Tínhamos, cada qual, nossas preferências: eu adorava homens de ombros largos, Maria Lúcia morria por uma tatuagem e Stela se "amarrava" em olhos verdes. Mas de uma coisa não abríamos mão, o namorado, fosse ou não, uma porta, tinha que chamar atenção, provocar inveja. Besteiras adolescentes que fomos perdendo com o passar dos anos, mas que, à época, eram importantes e faziam a diferença.
Desnecessário dizer que meu noivo ao perceber o meu assanhamento resolveu antecipar as núpcias.
— A faculdade ou eu!
Marcelo Augusto ganhou a parada, digo, a faculdade ganhou a parada. Na verdade, me desvencilhar daquele compromisso foi a decisão mais responsável que eu poderia ter tomado. Era ainda muito sedenta e um casamento, certamente limitaria meus horizontes. Livre, leve e pronta pra voar, tratei de aproveitar aqueles que foram os melhores anos de minha vida. Saí com Marcelo Augusto, paquerei, beijei, cortejei, sofri horrores. E fui muito feliz.

Naquele tempo não existia a AIDS e suas conseqüências devastadoras. Fazíamos sexo com relativa tranqüilidade, sem a paranóia absurda de investigarmos as preferências sexuais de nossos parceiros. Usávamos preservativo como forma de evitar uma gravidez indesejada. No mais, tudo era motivo para comemoração. Curti minha juventude fora de casa. Saíamos aos bandos, de quinta a domingo, para cinemas, teatros, bares, boates. A Internet — instrumento poderoso de comunicação, mas limitador de contatos reais — existia somente como embrião e, talvez, por isso mesmo, a vida fosse mais saudável e com parâmetros de comportamentos mais definidos.
O Senhor tempo, implacável para com aqueles que sonham com a juventude eterna, rapidamente levou embora aqueles dias de despreocupada alegria. Tudo mudou, cada um tomou seu rumo e foi cuidar da própria vida e, exceto por um ou outro encontro casual, a maioria daqueles jovens sumiu do meu mapa. E confesso que, vez por outra, ao olhar-me no espelho, observo que até mesmo a menina Mariza partiu.

Mas de surpresas boas também se vive e uma das maiores veio tempos atrás, quando, ao sair de uma audiência, dei de cara com Marcelo Augusto. Ele me reconheceu primeiro e eu, decepcionada ao ver meu fetiche juvenil, tão diferente, tão senhor e com uma barriga saliente, fiquei muda. Só consegui me recuperar quando aquelas mãos conhecidas me acariciaram o rosto, num gesto espontâneo de extremo carinho.
Não resisti, menti descaradamente:
— Marcelo Augusto, você não mudou nadinha!
O sorriso que recebi de volta foi um presente e tanto. E que Deus não leve a ferro e fogo aquela pequena mentira. Estava homenageando meu passado, ora pois!

mariza lourenço

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sexta-feira, novembro 02, 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

Sobre Hoje, Perdas, Saudade

Sobre hoje...

A Instituição de um dia especial no ano para lembrar espiritualmente os finados deve-se a uma iniciativa tomada pelos monges beneditinos por volta do ano 1.000. O abade Santo Odilão, superior do Mosteiro de Cluny, na França, deu ordem para que em todos os conventos, filiados a essa Ordem, se celebrasse um ofício pelos defuntos, na tarde de 1 de novembro. Essa comemoração foi adotada pela autoridade da Igreja, de tal modo que aos poucos se tornou Universal a dedicação do 2 de novembro à memória dos mortos.

“O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca... “

“Mesmo calada a boca, resta o peito”...

Quando o tomou nos braços pela primeira vez, teve certeza que seu nome era “Amor”, não o que tinha escolhido antes, Igor. Certeza tinha também que jamais se sentiria sozinha novamente. Nenhuma dor seria maior do que a alegria de sabê-lo só dela... Não mais se importaria com as ausências e o silencio do Outro. Agora sim, seria feliz para sempre.

Só que ainda não sabia que o “para sempre” não existia, não para Ela.

Igor tinha os olhos azuis, azuis da cor do céu, e por isso, talvez, amasse tantos as estrelas. Ficava horas a observá-las...

Via estrelas a qualquer hora do dia, da noite e até em noites de chuva, estrelas que só ele via...

- Mamãe, posso passear no céu?
- No céu Amor? O que vai fazer lá?
- Vou catar estrelinhas...
- E para quê vai querer estrelinhas?
- Vou fazer um colar procê...
- Não quero que vá, a mamãe não precisa de colar de estrelas, tenho todas as estrelas que quero dentro dos seus olhinhos...

Além das estrelas, Igor amava os animais, as plantas, a natureza. Era um menininho feliz e o mais lindo que Ela já tinha visto, não porque fosse seu, mas porque era mesmo. Tão pequenino e tão observador...

- Mamãe por que está chorando?
- Mamãe não chora, não vê que meus olhos estão secos?

Ele então colocava a mãozinha sobre o peito dela e dizia:

- Chora aí dentro, eu sinto.

A vida seguia e os dois juntos, sempre juntos, amigos, cúmplices, se bastavam, eram felizes...

Naquela noite de tempestade, só se viam relâmpagos no céu e os raios que rasgavam a escuridão...

- Mamãe, por favor, abra um pouquinho a janela
- Para quê Amor?
- Quero ver as estrelas
- Mas chove tanto Amor, hoje não tem estrelas e você não pode tomar friagem
- Por favor, por favor, só um pouquinho...

Ela então, mais uma vez, fez a vontade Dele e abriu a janela.

-Veja mamãe que linda! Uma estrela de rabo!

E, tão encantado ficou com o que só ele viu, que resolveu “pegar carona na cauda do cometa” e partiu, atrás das suas estrelinhas...

Ela lá ficou sozinha sem o seu Amor...

Uma saudade enorme dentro do peito, uma dor tamanha para um só coração.


Um Poema de Florbela Espanca

Alma Perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...

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