sábado, dezembro 08, 2007

sábado, dezembro 08, 2007

Um Tipo Inventado

Ele invadiu sua vida como um furacão, quando ela andava com o coração sossegado... Falava manso, olhar doce, recitava-lhe poemas e a chamava de “minha rainha”. Sabia um pouco sobre tudo e muito sobre quase nada, mas o bastante para encantar a moça. Dizia ter fogo nas veias e que para ela seria o maior amante do mundo. Prometeu-lhe o Nirvana... Se aceitasse ser sua, ela veria todas as estrelas como se no céu estivesse... prazer maior em outros braços nunca conheceria, pois ele a amava como a nenhuma outra amou... Almas gêmeas eram, certeza ele dizia ter.

Ela acreditou, quis acreditar... se apaixonou e a ele se entregou perdidamente, sem nenhum pudor ou receio, encontrara seu homem, seu amor, sua felicidade.

Pouco tempo depois, lá estava o maior amante do mundo nu, como o rei das histórias infantis... e, pela primeira vez, ela o viu com seus próprios olhos, ele não era nada do que dizia ser, era apenas um pobre diabo sem escrúpulos, um vampiro de ilusões, cujo passatempo preferido era seduzir as moças, por aí. Um farsante!

Estranhamente, a primeira imagem que lhe passou pela cabeça foi a de um pastel, um pastel ordinário, desses de feira, dourado, de aparência deliciosa, mas que à primeira mordida a massa se esfarela e percebe-se que está vazio, sem nenhum recheio... ela, mais uma vítima do vagabundo metido a nobre e, sem ter a quem recorrer, já que ninguém lhe devolveria os sonhos perdidos.

E foi assim que tudo se passou...

Ou poderia ter se passado, se fato fosse, mas é pura ficção, o tal ”nobre vampiro sedutor” foi inventado, pois, afinal, no mundo virtual, tudo pode parecer verdade, basta ter imaginação... apenas isso, nada mais, além disso...

Portanto, não sofra por alguém que nunca existiu, que só foi real no seu coração!

Não queime velas e nem derrame lágrimas por tão mau defunto!