quinta-feira, dezembro 13, 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Três Poetas

Procura-se um Poeta!

esses são tempos lentos.
não acredite que são diferentes.
a cada segundo lembro de ti,
a tua imagem esta mais longe,
não mais fraca,
ainda recordo teu perfume,
teu calor, tuas manias,
eu não preciso mais da tristeza das lembranças.
e nem fugir delas,
está tudo entrelaçado de um jeito calmo,
coisa que só o tempo e a distância podem fazer,
não acredite que esses são tempos definitivos,
esses são tempos lentos!
(Anonymous 09.12.07 - 7:09 pm )

No dia 09 de dezembro uma pessoa deixou este poema no sistema de comentários, mas não se identificou.

Não sei se foi o próprio autor ou autora quem o postou, mas gostaria muito de saber a autoria de versos tão bonitos e delicados... Se alguém souber, que me conte. Por favor.

Mas, se não sei quem é o Poeta Anônimo, conheço muito bem esses dois escritores excepcionais, aos quais muito admiro, Mariza Lourenço, que deu uma pausa na sua pausa e postou um lindo poema em seu blog, aqui, e Iosif Landau que está publicando o seu “Poema Sem Fim”, uma verdadeira pérola, a vida em versos, que não pode deixar de ser lido, aqui.

Mariza Lourenço

ainda que, um dia, me seja doloroso o amor
ama-me, como nenhum outro me amou. e há de amar.
(ainda que suas mãos nunca tenham deslizado entre
as minhas coxas,
nunca soube de outras que me fizessem tremer.
feito as dele).
foi assim: sem que me apercebesse de sua vinda
(amor, era noite ou dia?),
veio e, devagar, fez-se.
rompeu o delicado lacre do meu
baú de resistências. fez-se.
flagrou-me a alma nua e me amou.
tanto quanto é possível amar alguém que teme o amor.
(ainda que de sua língua nunca tenha sentido a textura,
nunca soube de outra língua
que me deixasse completamente úmida. feito a dele).
tem sido assim: absurdo e incoerente.
mágico e permanente.
tão constante quanto o escoar do tempo na ampulheta.
e tão certo quanto a noite engolindo o dia.
(ainda que seu corpo o meu não toque e que em sua cama
meu cheiro não frutifique,
dentro de mim, em tempo algum existirá outro gozo
que não me faça lembrar seu nome).
ainda que desconheça os calendários futuros
e que em minhas mãos todas as linhas se apaguem,
somente a esse amor destinarei o segredo
desta minha vida
viva.

Iosif Landau
Sempre

Na noite de lua cheia

nu e de pé na janela

revi no escuro a mais bela por mim amada

depois deitado naquela mesma noite

muitos amores vieram do passado

pousaram no meu coração pesado

insone clamo pelo Deus do Amor-

ensine aos jovens poetas:

escondam no secreto coração

na noite escura

na noite de lua cheia

ano após ano

sempre e sempre

a mais bela amada.

(imagem Jasha Heifeitz)