quinta-feira, novembro 22, 2007

quinta-feira, novembro 22, 2007

Van Gogh o Poeta das Cores

“Experimento uma terrível clareza em momentos em que a natureza é tão linda.Perco a consciência de mim mesmo e os quadros vêm como em sonho"
(Van Gogh)


Não sou uma conhecedora de ténicas de pintura, mas como uma admiradora das artes, deixo-me levar pela beleza e pela grandiosidade de Vincent Van Gogh e concluo que nada mais interessa a não ser a cor, a forma, o movimento, a complexidade da simplicidade exposta em suas telas... Van Gogh desperta em mim uma“falsa” paz, uma paz que ele nunca teve. Mas, talvez, por acreditar que quando pintava seus quadros encontrava seus únicos momentos de paz, eu também a sinta...

Vincent Willen Van Gogh nasceu na Holanda no dia 30 de março de 1853. Era o primeiro dos seis filhos de Theodorus Van Gogh e Anna Cornelia Carbentus. O pai era um pregador protestante. Aprendeu francês, inglês e alemão. Em 1868, porém, deixou os estudos. Trabalhou com um tio em Haia (Holanda), numa das lojas da Goupil and Co., que negociava obras de arte, mas não se adaptou. Com 24 anos de idade, decidiu que sua vocação era a evangelização. Chegou a estudar Teologia em Amsterdã. Logo, porém, abandonou o curso e foi trabalhar como pregador leigo nas minas de carvão de Borinage, na Bélgica. Lá distribuiu todos os seus bens entre os pobres, viveu em barracos e lutou para melhorar as condições de vida dos mineiros. Mas suas preocupações sociais não foram bem recebidas por seus superiores, que suspenderam seu salário, fato que o levou a decidir-se pela vida artística.

Noite Estrelada

Trata-se de uma das obras mais conhecidas do artista. A crítica tem especulado bastante à respeito de seu significado religioso. O minúsculo povoado contrasta com a imensidão de um céu turbulento e a silhueta do cipreste seria um sinal da morte.

Quando resolve pintar, é ajudado pelo seu irmão Theodore. Com o dinheiro que recebe dele, Van Gogh estuda anatomia e perspectiva. Decide-se por pintar a sua terra e os homens simples. Não deseja fazer uma pintura clássica, pintar "gente que não trabalha". E diz:

"Eu não quero pintar quadros, quero pintar a vida".

Em 1885/86, van Gogh está em Antuérpia, onde ele se apaixona definitivamente pela cor: Excepcional artista, foi buscar na natureza o colorido, as formas revoltas, as árvores farfalhantes, as casas solitárias, os rostos sofridos, os corpos alquebrados, os céus estrelados, o amarelo dos girassóis e dos trigais, tudo com um brilho muito exagerado para ter mais expressão.

"Procuro com o vermelho e o verde exprimir as mais terríveis paixões humanas. Quero pintar o retrato das pessoas como eu as sinto e não como eu as vejo”

Em 1888 ( em Arles ) pinta ao ar livre. Quando chega o verão e o sol, van Gogh liberta as cores:

"Eu quero a luz que vem de dentro, quero que as cores representem as emoções".

A seu convite, Gauguin chega em Outubro, para trabalharem juntos. Seguem-se dois meses de trabalho duro e fértil para ambos. Mas a diferença de temperamento e de atitude diante da vida acaba explodindo numa inevitável desavença. Van Gogh tem crises de humor, discute, agride o amigo, sofre de mania de perseguição e numa das crises tenta ferir Gauguin com uma navalha. Arrependido, corta, de propósito, um pedaço da orelha e manda num envelope à mulher que motivou a briga. Recolhido ao hospital Saint-Paul para doentes nervosos, mais tarde pinta, diante do espelho , o Auto-Retrato com a orelha cortada. Seu olhar é de espanto, mágoa e melancolia.

Auto Retrato

Em maio de 1889 ele mesmo pede ao irmão que o interne. Vai ao hospital de Saint-Rémy. Seu quarto do hospital é transformado em atelier e lá pinta paisagens, o hospital, os doentes, as celas, o pátio e os médicos.

Jardim do Asilo de Loucos em Saint-Rémi

Durante a sua estadia no retiro de S.Rémy, Van Gogh segue assumindo a realidade que o rodeia como referência de trabalho.A crítica reinterpretou este caminho entre os pinheiros ao entardecer como uma recriação da Paixão de Cristo na horta de Getsemani.

Ainda no mês de maio, deixou a clínica e voltou a morar em Paris, próximo de seu irmão e do doutor Paul Gachet, que iria lhe tratar. Porém a situação depressiva não regrediu.

No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revólver na mão. É domingo, o grão está dourado, o céu incrivelmente azul. Corvos muitos pretos gritam e fogem em revoada. Dias antes ele pintou esse quadro. No meio do campo dá um tiro no peito, levado a um hospital não resistiu morrendo três dias depois.

Vinhas Vermelhas

Vincent Van Gogh não conheceu a fama e nem a fortuna. Em toda a sua vida, o mestre da pintura vendeu apenas um quadro: Vinhas Vermelhas, em Arles. Durante os seus 37 anos de vida, passou fome e frio, viveu em barracos e conheceu a pobreza absoluta. Não fosse a generosidade do irmão Theodore, que o sustentou durante muitos anos e com quem se correspondeu a vida inteira - foram mais de 750 cartas -, talvez não tivesse vivido o bastante para nos deixar sua arte.