quinta-feira, novembro 08, 2007

quinta-feira, novembro 08, 2007

Quando Ela o Matou

“escapo à solidão que não soube me devorar, em silêncio. os odores da madrugada vêem-me verticalizar o prenúncio duma aurora possível de ser sonhada, sem ti. espantalho, desfiz o nó do medo e cimentei meu coração. só o que pedi era pra que amanhecesses meus girassóis.”
(Douglas D.)


E ela resolveu matá-lo... Piedade não teria, ia matá-lo com um só golpe para que a morte fosse rápida e não sentisse vontade de ressuscitá-lo. Também remorso algum sentiria, afinal era ele ou ela, sua decisão estava tomada, teria que ser naquele mesmo dia, quando a lua surgisse, a lua que o viu nascer e que agora testemunharia a sua morte.

Olhou-se no espelho e depois de tanto tempo se reconheceu, há muito não se achava, sempre era a outra que ali se encontrava. Mas, agora, já quase livre dele, poderia voltar a ser ela mesma.

Não bastava só matá-lo, teria que enterrá-lo bem fundo para que nada mais dele restasse...

Com ele enterraria também suas dores, seu choro, seus dissabores e, infelizmente, todos os seus sonhos, mas se assim teria que ser assim seria.

Achava que não poderia viver sem ele, mas isso bem antes de começar a morrer aos poucos por ele.

Sabia quando matá-lo... Olharia, pela última vez, dentro daqueles olhos negros como petróleo, onde um dia havia mergulhado em busca de uma alma que nunca existira e neles havia se perdido e perdida ficou até quando se achou, seria nessa hora que o mataria para sempre...

E assim foi feito. Quando os seus olhos se encontraram, sob a mesma lua que brilhava quando ela o sentiu pela primeira vez, ela matou o AMOR e o enterrou bem fundo dentro do seu coração, depois saiu por aquela porta e nunca mais voltou...

Mas, enganou-se quem disse que o amor é apenas chama, amor é fogo que não se deixa morrer, não se deixa apagar e hoje ela sente que ele teima em querer arder dentro dela, novamente.