sábado, novembro 24, 2007

sábado, novembro 24, 2007

Meu Tipo Inesquecível

Quando eu era criança gostava de ler na revista Seleções do Reader's Digest uma seção denominada “Meu Tipo Inesquecível”, onde pessoas falavam sobre outras pessoas que marcaram a sua existência. Desde então, em cada fase da minha vida, por onde andei, sempre gostei de escolher alguém a quem eu poderia assim denominar.

No mundo virtual encontrei várias pessoas interessantes, que me serviram de exemplo, que me ajudaram com a sua amizade, que me fizeram sonhar, que encantaram os meus dias e as minhas noites...

Mas escolhi uma dessas pessoas para ser o “Meu Tipo Inesquecível”: Iosif Landau... Um homem fascinante, que muito admiro.

Com o Iosif, não foi um caso de paixão à primeira palavra como costumo me referir aos outros Escritores/Poetas, que adoro, foi um caso de amor construído aos poucos.

Quando comecei a ler suas crônicas, seus contos, suas prosas, seus poemas, impressionou-me a forma como escreve, como desperta os sentimentos do seu leitor. Suas narrativas, seus diálogos, são tão vibrantes que chego a sentí-los na pele. Suas palavras são a própria vida, não consigo ler o Iosif e continuar impassível, como se nada houvesse me acontecido. Certa vez, ele narrou uma cena de estupro com tanto realismo que me senti estuprada, aviltada, dolorida até e, então, briguei com o Iosif. Vi nele o meu agressor e me despedi... Mas, na verdade, despedida essa só da boca para fora, pois já estava viciada em seus escritos. Madrugadas, várias, todas as emoções vivi na companhia deste homem: fiz sexo com e sem amor, fui prostituta, fui amada, enganada, infiel, drogada, moça pura, ri, chorei, sofri, conheci as zonas do baixo meretrício do Rio de Janeiro, galerias de artes, espetáculos teatrais, salas de cinemas, artistas, ouvi músicas clássicas e populares e ainda dancei um lindo e “caliente” tango com Ele, entre outras mil aventuras.

Escritor de muito talento, autor de vários livros publicados, Iosif fala sobre a vida com realismo, mas também com lirismo. Ficcionista da melhor qualidade, excelente cronista, poeta dos mais inspirados, homem de muita cultura que escreve sobre qualquer assunto com competência e maestria, este é Iosif Landau, Meu Tipo Inesquecível.

Iosif Landau, uma viagem.
( Por Mariza Lourenço)

ler Iosif Landau é empreender viagem. uma verdadeira aventura em direção a um universo essencialmente masculino, com a ressalva, naturalmente, de não se encontrar em suas crônicas e contos qualquer resquício do ranço machista que pulula entre tantos que, a despeito da docilidade das letras, ainda guardam uma distância respeitosamente hipócrita da mulher.

Iosif é o que é e choca, sem fazer o mínimo esforço, e aí, talvez, resida seu grande e melhor encantamento. o maior 'barato' desse jovem escritor de 83 anos é usar toda a sua vivência a serviço dos olhos de quem ainda não viveu tanto. lê-lo é passear por vielas escuras, becos escondidos, janelas mal iluminadas, corpos suados de putas, corpos trêmulos de mulheres elegantes.

Iosif é o que é, oferece-nos, com muita graça e ironia, passagem para um universo que, inconfessadamente, desejamos conhecer e penetrar, mas que, por excesso de pudor (eu escrevi pudor?), tantas vezes deixamos escapar para longe dos olhos. existe algo de hipnótico em sua linguagem. existe algo de ameaçadoramente convidativo. a linguagem de Iosif assusta, e nisso se assemelha a Bukowski, o velho safado. porque é real demais para ser ignorado. porque muitas vezes machuca, arranha e faz doer. e é por isso que o considero um grande escritor. porque assombra meus olhos e surpreende minha alma, fazendo-a viajar.

Iosif Landau é o que é, um escritor nascido na Romênia, mas em cujo peito bate mesmo é copacabana.

Dois Poemas de Iosif Landau

Fujam

Noite,
por que não silencia?
cães, carros, loucos, uivos, berros
desespero ímpar,
Noite,
me leva ao país da eterna adolescência
traga mensagens dos que me amam
quero espaço reservado na Nova Ordem
que apareçam os salvadores da alma
preciso de auxílio para a Travessia
serei bem sucedido?
Chuva açoita janelas
vento arranca telhas
geladeira estremece, vibra
a Travessia será silenciosa?
Êxtase, encantamento
vamos sorrir! conseguem?
Agarrem a mão de suas amadas
e fujam
Noite,
estou triste, tão triste!

Nossa Terra

E se o combatente
em vez de guerrear
fizer amor com sua mulher
e uma criança nascer
em vez de outra morrer
e neste verão você querida
eu e os outros também
continuaremos vivos
e se ouvirmos a risada
da mãe ao amamentar
então, o coração de nossa Terra
bate cheio de Vida.
Iosif por ele mesmo
Nasci de uma família judia e burguesa em Bucareste, o país considerado o mais anti-semita da Europa, em 30 de abril de 1924. O dinheiro (éramos ricos) facilitou muito minha vida, muito conforto, muita alienação. Cursei o ginásio na Romênia, até completar catorze anos. Continuei os estudos na Inglaterra. Na eclosão da guerra de 39 permaneci lá e o restante da família — pai, mãe, irmã (a artista plástica Myra Landau) — voltou para Bucareste. Em dezembro de 1940 vim para o Brasil, onde a minha família já residia. Completei o ginásio no Rio, estudei engenharia, graduei-me em 1949, casei-me em 1950. Tenho quatro filhos (três homens e uma mulher) e oito netos. Trabalhei durante mais de quarenta anos na profissão e sinto orgulho de ter contribuído para o desenvolvimento do Brasil, construindo rodovias, ferrovias, hidrelétricas e na eletrificação. A vida nômade permitiu-me conhecer muito bem o país e sua gente. Aposentei-me do trabalho em 1992. A educação que me foi dada desde a infância viciou-me na cultura, literatura, música, pintura. Sou também apaixonado pelo cinema”

No prefácio de seu livro ”Memória Tumultuada”, ele nos conta:

“Não revisei o que escrevi, não mudei uma palavra, uma frase, um pensamento, se me repeti e abusei da paciência dos meus leitores, peço desculpas, mas esse livro é o que eu sou, impulsivo, amoroso, confuso, passional, arrependido, rancoroso e sentimental, crente e descrente, cínico, irônico, violento e tímido, corajoso e covarde, impiedoso, irreverente... Julguem-me, mas não me condenem. Cogito ergo sun."

Livros Publicados:
Comissário Alfredo (Editora Record) — foi editado em 1995. Os Anjos Também Morrem (romance policial, Editora Altos da Glória, 1997); Encontro em Salvador (romance, Papel & Virtual Editora, 1998); Eles, Eu, Outros (poesia, Papel & Virtual Editora, 1999); Minha Doce Empreiteira (romance policial, Papel & Virtual Editora, 2000); Tudo por Nada (romance, Papel & Virtual Editora, 2001); Confissões (poesia, Papel & Virtual Editora, 2001); Preto & Branco (poesia, Papel & Virtual Editora, 2002); Memória Tumultuada (memórias, Papel & Virtual Editora, 2002); Eu Vi (poesia, Papel & Virtual Editora, 2003); Abelardo e Outros Contos (contos, Papel & Virtual Editora, 2004); Eu, Investigador (romance policial, Papel & Virtual Editora, 2004) e O Diabo Vestia Seda (romance policial, Publit Editora, 2006).
E ainda foi publicado na antologia Crime Feito em Casa — Contos Policiais Brasileiros (org. Flávio Moreira da Costa, Editora Record).

Leiam mais Iosif Landau no seu SITE e no seu BLOG