segunda-feira, novembro 26, 2007

segunda-feira, novembro 26, 2007

Leonardo da Vinci Um Contador de Histórias.

A Liberdade é o Bem Supremo da Existência
(Leonardo da Vinci)


Todos conhecem Leonardo da Vinci como um pintor extraordinário, um escultor dos mais habilidosos e como cientista louco, visionário e genial.

Mas, o que poucos sabem é que Leonardo da Vinci era um argumentador fascinante, um polido conversador e um contador de histórias mágico e fantástico...

Fazia calar os cientistas; argumentando sobre filosofia, convencia os filósofos; inventando fábulas e lendas, conquistava os favores e a admiração das cortes.

Em qualquer lugar, Leonardo era o centro das atenções e jamais decepcionava seu auditório porque tinha sempre alguma história nova para contar. Se vivesse hoje, os críticos de plantão diriam que ele possuía uma reserva inesgotável de “historietas”, pois vivemos no século das máquinas e não no das artes.
Durante a Renascença as “historietas” eram ditos espirituosos, fábulas e apólogos de bom gosto literário e conteúdo moral.

Da Vinci tinha o hábito de tomar notas em seus livros de bolso que mais tarde, reunidos, formaram os famosos códices. Fazia suas anotações de forma sucinta, com sua misteriosa escrita inversa, que ia da direita para a esquerda.

O único personagem constante de suas fábulas e lendas é a natureza: a água, o ar, o fogo, a pedra, as plantas e os animais têm vida, pensamento e palavras. O homem, pelo contrário, aparece como instrumento inconsciente do destino, e sua ação, cega e implacável, destrói vencidos e vencedores.

“O homem é o destruidor de todas as coisas criadas”, escreveu Leonardo no Livro das Profecias; e, nunca, na longa história de nosso planeta, uma asserção foi mais verdadeira e tão tragicamente atual.

Todas as fábulas e lendas de Leonardo têm um objetivo e uma finalidade moral, mas, lamentavelmente, poucos historiadores lembram-se de Leonardo narrador.

Passados quase cinco séculos e, de todas as fábulas que circularam nas cortes e nas praças da Itália e da França, restam apenas alguns contos populares toscanos, lombardos e franceses e as lacônicas anotações dos códices de Leonardo: o Códice Atlântico, que contém a maiorias das fábulas, e o Códice H, com maior número de lendas.

Porém, nosso século, que vê finalmente o homem voar como os pássaros e emigrar para outros planetas, permanece ainda sendo o da redescoberta de Leonardo da Vinci. As máquinas de nossa civilização, desde a bicicleta até o avião e o submarino, nasceram da fantasia e dos cálculos daquele gênio solitário.

Somos nós, portanto, seus verdadeiros contemporâneos... Aquelas “loucuras” são nossas conquistas científicas; aqueles “rabiscos” são objetos que na atualidade fazem parte do uso cotidiano e até suas palavras tornaram-se atuais.

O Pintassilgo
Leonardo da Vinci
(Lendas H.63v.)

Ao voltar para o ninho, trazendo no bico uma minhoca, o pintassilgo não encontrou seus filhotes. Alguém os havia levado embora durante sua ausência.

Começou a procurá-los por toda a parte, chorando e gritando. A floresta inteira ecoava seus gritos, mas ninguém respondia.

Dia e noite, sem comer nem dormir, o pintassilgo procurou seus fihotes, examinando todas as árvores e olhando dentro de todos os ninhos.

Certo dia um pássaro lhe disse:
- Acho que vi seus filhotes na casa do fazendeiro.

O pintassilgo voou, cheio de esperança, e logo chegou à casa do fazendeiro. Pousou no telhado, mas lá não havia ninguém. Voou para o pátio – ninguém.

Então, levantando a cabeça, viu uma gaiola pendurada do lado de fora de uma janela. Os filhotes estavam presos lá dentro.

Ao verem a mãe subindo pela grade da gaiola, os filhotes começaram a piar, suplicando-lhe que os libertasse. O pintassilgo tentou quebrar as grades com o bico e com as patas, mas foi em vão.

Em seguida, com um grito de grande tristeza, voou novamente para a floresta.

No dia seguinte o pintassilgo voltou para junto da gaiola dentro da qual seus filhotes estavam presos. Fitou-os longamente, com o coração carregado de tristeza. Em seguida alimentou-os um a um, através das grades, pela última vez.

Levara-lhes uma erva venenosa e os passarinhos morreram.

- Antes a morte, disse o pintassilgo, - do que perder a liberdade.

(Fonte: Leonardo da Vinci- Fábulas e Lendas- Bruno Nardini-1972)

Entre várias fábulas e lendas de Leonardo da Vinci escolhi a do Pintassilgo por dois motivos:

Por ser mineira e ter o sangue dos inconfidentes correndo em minhas veias, a Liberdade, para mim, assim como para Da Vinci, é o Bem supremo da existência. Não abro mão da minha liberdade de pensar o que quiser, de escrever o que bem entender e de escolher o que for melhor para a minha vida, inclusive, amores e amigos...

E, em resposta ao post do inspiradíssimo Poeta/Escritor Edson Marques, no dia 20.11.07, no seu blog MUDE, acessem e leiam, certeza que vão gostar muito.

Tenham todos uma ótima semana de liberdade plena de pensamento, expressão e atos.