quinta-feira, novembro 01, 2007

quinta-feira, novembro 01, 2007

Ainda Bruxas... Um "Causo" Verídico


Éramos seis amigos, três moças e três rapazes, todos na faixa dos 18, 20 anos. E, naquele ano de 1992, resolvemos comemorar o Dia das Bruxas em Ouro Preto. As repúblicas da Cidade eram famosas pelas festas que promoviam, mas nosso desejo era fazer um programa diferente. E foi assim que resolvemos passar a noite no casarão abandonado, em ruínas, do alto da colina, que, segundo os moradores da cidade, era visitado por bruxas justamente na noite delas.

Providos de velas, fósforos, lanternas, uma dose grande de curiosidade e outra maior ainda de medo, lá fomos nós rumo a Ouro Preto...

Uma hora de viagem e enfim chegamos ao casarão. Assim que entramos, estranhamos o ar gelado que tinha lá dentro, já que era tempo de calor intenso na cidade. Sentimos também um cheiro fétido no ar, de corpos humanos em decomposição, segundo o Nando, que era estudante de medicina. Eu já estava arrependida de ter me aventurado, meu sexto sentido me avisava que teríamos uma noite de terror.

Não poderíamos ser vistos pelas criaturas do mal e, estrategicamente, nos colocamos atrás de umas estantes de ferro que encontramos por lá. Teríamos uma visão geral da sala, a que tinha uma mesa enorme, um caldeirão, uma lareira, onde julgávamos que as bruxas se reuniriam, porém antes traçamos uma rota de fuga, se fosse necessária.
Esperávamos em silêncio, ninguém ousava dizer uma só palavra. Foi quando ouvimos o sino da Igreja badalar doze vezes e...

Nessa hora, lufadas de vento invadiram o local, tão fortes que fomos obrigados a fechar os olhos. Quando tudo serenou e resolvemos olhar, vimos sete criaturas, as mais horrendas já vistas por olho humano. Vestiam longas capas pretas, com capuzes e todas elas traziam um homem, sete também, puxados por uma coleira. Turistas, pensei eu, rapazes de outros estados, já que mineiro é macho por demais da conta e nunca se deixa “encoleirar”, nem mesmo enfeitiçado.

As mulheres despiram-se das capas e estavam nuas... Uma visão do inferno! Colocaram algo para ferver no caldeirão e logo após fizeram os pobres rapazes beberem aquela poção de não sei o quê. No mesmo instante as bruxas se jogaram sobre os coitados e os possuíram com uma tal selvageria de fazer inveja a qualquer fera. Umas vinte vezes repetiram esse ritual e a cada orgasmo, sempre acompanhado de gritos alucinantes, iam ficando cada vez mais jovens e belas. Quando viram que os moços já estavam quase mortos, cortaram suas línguas e cada qual comeu a que lhe coube.

E foi aí que uma delas farejando o ar disse que estavam sendo observadas por estranhos e que estes deveriam ser mortos, para que não pudessem revelar a outros humanos seus ritos macabros...

Nós, que até então estávamos mudos e petrificados, quando ouvimos aquelas palavras saímos correndo e corremos sem parar até chegarmos a Beagá. Nem do carro nos lembramos, tamanho era nosso medo, nosso pavor. Como conseguimos chegar, não sei... Só sei que foi assim.

Foi uma experiência horripilante, se eu não tivesse visto com meus próprios olhos e ouvido com meus próprios ouvidos, jamais acreditaria. Mas vi, ouvi e atesto foi tudo verdade!

Nunca soubemos o que foi feito dos pobres rapazes. Quanto às bruxas, dizem que durante o ano se misturam às demais moças de várias cidades mineiras e ali procuram suas vítimas para o 31 de outubro.

Mas há também quem diga que elas, as bruxas mineiras, se renderam à tecnologia e, hoje, procuram suas vítimas pela Internet e que algumas até blogueiras se tornaram. Mas isso já não posso atestar...