Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Se a vida fala a boca cala!

minhas desculpas pela ausência,
fui engolida pelo tempo,
me perdi nas minhas horas.
quando me lembrei de mim,
já lá se ia uma semana inteira,
mergulhada num silêncio abissal,
sem versos, sem encontros, sem poesia;
sem som que pudesse dar voz
às minhas palavras.

apenas a vida dura, nua, crua, assustadoramente real,
se fazia ouvir...

(dividida entre dois espaços paralelos
:um negro e o outro amarelo)

o que a boca não fala,
vaza pelos meus olhos,
por todas as minhas frestas
- esta paixão por ti -
avassaladora, desmedida,
que me invade e me cala;
minha medida sou eu:
- inteira e intensa -
pernas e braços abertos,
corpo, alma, coração,
sempre e apenas a tua espera!..

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

(D)espojada


Hoje não me apetece escrever...

preguiçosa, quero apenas me espojar

como se bicho fosse,

soletrar com os dedos teu nome pelo meu corpo,

desenhar-te na minha pele

e acalmar este desejo que já não me cabe,

que transborda pelos meus poros,

que me faz chover por entre pernas,

em noites de lua cheia.



Sábado, 16 de Agosto de 2008

Mini-conto

O que o homem não come...


Ele chegava do trabalho sempre cansado, se deitava, virava para o lado e dormia sossegado, pois “o que é do homem o gato não come”...

Porém, o gato que não acreditava em ditados, não só comia, como se fartava e se lambuzava.

(a)moral da história: a “quentinha” desdenhada pelo homem é banquete para um gato com fome!

Pois é...


Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Coração & Razão

tem horas que o coração,

qualquer que seja
a postura do corpo
ou do seu esforço
para se manter ereto,

se ajoelha e implora!...


(...e a razão,
submissa e envergonhada,
se emociona e se cala).


Sábado, 9 de Agosto de 2008

Com ou sem prazer... Sou Layla!


Não me cobre lógica, não me peça coerência, nem venha me falar de razão – só a paixão me move;
não qualifique, nem quantifique meus sentimentos e nem os compare a nada – deles só eu sei; eu e os meus fantasmas, eu e os meus medos;
sou pura emoção! não sei falar sobre passarinhos, quando grilos me ensurdecem e abutres voam salivantes sobre minha cabeça; nem de flores, quando só espinhos me ferem; não canto canções de amor, quando meus ouvidos só ouvem hinos de guerra; meu olhos nunca vertem poças – vertem mar profundo, intenso, passional;
não me cobre datas, não me estipule prazos – sou atemporal; não me imponha condições – sou incondicional;
às vezes, sou meu próprio furacão – me arrasto, me destruo, me devasto; em outras, sou brisa, vento – me balanço, me embalo, me carrego e noutras sou cimento, viga, tijolo – me ergo, me reconstruo. quando amo, sou música – me entoo, reverbero; sou fogo – me queimo, me ardo; sou água – me afogo, me inundo; sou meu problema, minha solução; meu veneno, meu antídoto; sou luz, sou escuridão; sou prisão, sou liberdade; sou escrava, sou rainha; sou amazona e montaria; meu querer não carece explicação, não tem tempo, nem hora – acontece quando e por quem tem que acontecer.
muitas me habitam – santas, profanas, crentes, piedosas, puras, pecadoras, corretas, erradas, imperfeitas, dominadoras, submissas; anjos e demonios correm velozes à minha volta, sem multa; mudo meu cenário, meu protagonista, meu enredo, meu roteiro; posso amanhecer nublada, entardecer ensolarada, estar enluarada ao anoitecer e tempestiva na madrugada;
por muitos nomes já me chamaram, mas só por um respondo, só um assino;

com prazer ou sem prazer...sou Layla!
.
.
.
(apenas)



Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Entre a terra firme e o simples ar...

Trôpega, caminha na fronteira entre a terra firme e o simples ar - entre duas realidades paralelas e antagônicas -, com os pés descalços de outros mundos quaisquer, para não magoar as searas com suas pegadas; a areia fina que lhe fere os pés, é morfina para as dores da alma; a taça, da qual bebe, é feita do mesmo vidro que a sangra; a boca, que verte palavras que inebriam seus sentidos, escarra outras, cortantes como a lâmina de um punhal. reparte suas mãos em garras para não se deixar tombar e estática, no limite do equilíbrio, contempla o abismo que se abre à sua frente - a luta entre a vertigem que cativa, que chama e o medo que domina, que impede que se jogue -. indecisa, não sabe se passa os últimos dias de inverno calçada com confortáveis e velhas pantufas ou se coloca seus patins e sai deslizando em alta velocidade, com o vento brincando no seu rosto, com a adrenalina correndo solta pelo corpo, sem se importar com os riscos, sem temer as quedas, sem receio de se quebrar, sempre em frente na pista frágil, em busca do que lhe falta. enquanto não se resolve, a voz que a alimenta se cala e surda, morta de fome, não sabe se terá forças para esperar pela primavera.

tomara ela ainda possa se encontrar onde sempre se deixa, quando a angústia não mais lhe cabe e faz transbordar suas horas.


Domingo, 3 de Agosto de 2008

Vida que segue...


Depois, das asas rotas
e das muitas horas
longas vazias de sono;
do sonho
o único
tão almejado,
ora adiado;
da aflição que me amputou
a inspiração
e me roubou as palavras;
minha alma
já consegue respirar,
apesar da extrema
rarefação do ar.




Abraço todos os amigos que me confortaram com palavras gentis de carinho, apoio e solidariedade.

obrigada, obrigada, obrigada!



Quem sou eu

Sou forte como uma rocha e suave como uma seda.

Se apaixonada, mergulho fundo, cometo loucuras, sou um furacão de emoções.

Retribuo com amor o amor que me dedicam e ao ódio retribuo com indiferença.

Nada cobro para não ser cobrada e também nada temo, vou à luta pelo que desejo.

Sou tímida e ao mesmo tempo audaciosa.

Não sou santa e nem demônio, sou simplesmente uma mulher apaixonada pelo amor, pelos animais, pela natureza, pela vida enfim.

Fale Comigo:
laylamg14@gmail.com

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